SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (19) que os juros de longo prazo pagos pelo Tesouro Nacional estão muito elevados, o que considera inaceitável e que exige solução.
Em entrevista após fórum do grupo Esfera Brasil e da farmacêutica EMS, em Brasília, o ministro destacou que as altas taxas prejudicam o governo, empresas e famílias, reiterando o compromisso do governo com a melhoria das contas públicas para ajudar a baixar os juros no país.
Dario Durigan também mencionou que os juros elevados nos Estados Unidos influenciam a política monetária global, e que a intervenção do Tesouro americano nesta quarta-feira foi bem recebida pelo mercado brasileiro.
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que dobrará as recompras de títulos públicos de longo prazo para dar mais liquidez após a alta dos rendimentos desses papéis, que atingiram níveis elevados, como o título de 30 anos, que chegou a 5,34%, o maior desde 2007.
Dario Durigan explicou que essa ação do Tesouro americano visa aliviar a pressão sobre a rolagem da dívida, e ressaltou que o mercado brasileiro reagiu positivamente a essa medida.
O ministro enfatizou que o governo brasileiro está atento à questão dos juros nos EUA, enquanto trabalha para melhorar a economia local.
Segundo Dario Durigan, a alta dos juros pressiona a política monetária mundial, e o Brasil mantém o foco em permitir liberdade para o governo e o setor privado, dedicando esforços para reduzir os juros no país.
Sobre possíveis interferências dos EUA nas eleições brasileiras, Dario Durigan avaliou que isso já acontece, e afirmou que o Brasil fez grande esforço diplomático oferecendo propostas, mas que do outro lado há imposições e ameaças que o país não aceita.
O ministro defendeu que a relação entre Brasil e Estados Unidos seja baseada no respeito mútuo entre nações soberanas, e criticou a lógica dos EUA que impõe tarifas ao Brasil, ressaltando as diferenças econômicas entre os países.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, as incertezas sobre as finanças públicas brasileiras e o cenário internacional fizeram o Tesouro Nacional aumentar a participação de títulos atrelados à taxa Selic na dívida federal durante o governo atual.
O percentual desses títulos alcançou o maior nível desde outubro de 2005, representando quase metade da dívida pública federal no meio do ano, um aumento significativo em relação ao final de 2022.
As Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que acompanham a Selic, são vistas como investimentos seguros pelos investidores, por terem menor risco comparado a títulos prefixados ou indexados à inflação, que podem sofrer perdas com a alta dos juros.
Para o Tesouro, as LFTs são fundamentais para garantir financiamento em épocas de instabilidade nos mercados, quando os agentes preferem evitar outros títulos e a emissão se torna mais cara.
No entanto, a maior dependência da Selic implica riscos para a dívida pública, pois o custo para financiar o governo varia conforme as oscilações da taxa de juros estabelecidas pelo Banco Central. Um aumento repentino na Selic encarece automaticamente o serviço da dívida.
