A adolescente que denunciou ter sido vítima de tortura por parte do piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, relatou várias situações de agressão e humilhação que cresceram em frequência e gravidade durante o ano de 2025. Ela afirmou que o acusado sentia prazer em maltratá-la.
Segundo o relato da jovem, entre julho e agosto daquele ano, as agressões e humilhações se intensificaram. Em uma das ocasiões, Turra teria oferecido um pudim para que ela comesse, pudim esse que teria desagradado profundamente a vítima, a ponto de ela chorar e vomitar.
Um amigo da jovem presenciou o momento em que o pudim, descrito como já revirado, foi oferecido. Embora não tenha visto o ato de cuspir o alimento, ele acredita na versão, pois considera que esse tipo de comportamento maldoso condiz com a índole do acusado.
A adolescente também revelou que Pedro Turra tinha o costume de mascar chiclete e cuspir nas pessoas, chegando a colar o chiclete retirado da boca no cabelo dela, mesmo após pedidos para que parasse, ele repetia a atitude entre risos.
Em outro episódio, ocorrido em setembro de 2025 em uma lancha no Clube Cota Mil, no Setor de Clubes Esportivos Sul, a jovem sabe nadar, mas ao ser pega de surpresa com a queda na água engoliu água e pediu ajuda para subir na embarcação. No entanto, o acusado e outro amigo apenas riram, fazendo com que ela tivesse que nadar até o deck, sofrendo arranhões nas pernas.
Um boletim de ocorrência registrado na 38ª Delegacia de Polícia indica que os episódios envolvendo chicletes eram frequentes no grupo, e que a vítima acabou se tornando motivo de piada após afastamento de um amigo que a defendia.
Além destes casos, a jovem já havia denunciado ter sido forçada por Turra a ingerir vodka em uma festa no Jockey Club em 7 de junho de 2025, onde ele insistiu para que ela bebesse e, ao recusar, teria mandado outras pessoas segurarem seu braço.
Em outro grave incidente, a adolescente sofreu choques elétricos por cerca de 10 minutos dentro do carro de um amigo estacionado no Park Way, entre julho e agosto de 2025. Ela relatou que o clima mudou drasticamente dentro do veículo e que Turra aplicou choques mesmo após seu pedido para parar, chegando a atingir áreas sensíveis como o ventre, mesmo durante sua cólica menstrual.
Essas denúncias ganharam repercussão após Pedro Turra ser preso pelo espancamento que resultou na morte do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, em fevereiro de 2025. A prisão preventiva foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
O Ministério Público ofereceu denúncia por homicídio doloso, com pena que pode chegar a 30 anos, além de requerer indenização à família da vítima.
Em nota, os advogados de Turra afirmam que respeitam a decisão do tribunal, mas discordam dos fundamentos e garantem agir com responsabilidade e rigor técnico na defesa do acusado.
As investigações continuam, com o objetivo de apurar todos os fatos e garantir justiça às vítimas.
