Maria Luiza Abreu Estevam, uma jovem de 15 anos, faleceu após uma série de atendimentos no sistema público de saúde do Distrito Federal. A família busca respostas e questiona se houve negligência no atendimento prestado.
A Maria Luiza procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sobradinho no sábado (8), com dor de dente. Ela recebeu medicação e foi liberada. No dia seguinte, voltou à mesma unidade, recebeu novos remédios e foi orientada a continuar o tratamento em casa.
Três dias depois, na quarta-feira (12), a jovem retornou à UPA com sintomas mais graves, como falta de ar, náuseas, dor de cabeça e sono excessivo. Foi então transferida para o Hospital da Criança de Brasília e internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica em estado crítico.
Maria Luiza não resistiu e foi velada no Cemitério de Sobradinho. Agora, a família quer entender se as ações tomadas durante os atendimentos iniciais foram adequadas para o quadro apresentado.
Quando há negligência?
A definição de negligência requer uma análise detalhada do atendimento feito, segundo a advogada civil Lívia Medeiros. Um resultado negativo, mesmo um óbito, não comprova automaticamente erro.
Para identificar responsabilidade, deve-se mostrar uma conduta inadequada, o dano causado e a relação entre ambos. No caso da Maria Luiza, é necessário esclarecer o atendimento nas vezes que ela buscou socorro. A demora deve ser avaliada considerando a gravidade, os sinais clínicos e os protocolos seguidos.
Problemas na equipe, na transferência ou na regulação também podem influenciar no caso, exigindo avaliação técnica rigorosa para comprovar se houve falha relevante.
Reconstituindo o atendimento
Como Maria Luiza passou por vários atendimentos antes da internação em UTI, é importante reconstruir a linha do tempo para esclarecer os fatos. Deve-se analisar horários de chegada, sintomas, exames, medicamentos e o momento da transferência.
A responsabilidade pode ser individual, institucional ou mista. Uma análise técnica deve apontar eventuais falhas e quem poderia ter agido para evitar o desfecho.
Existe ainda a possibilidade de discutir a perda de uma chance, quando uma falha não é causa direta da morte, mas teria reduzido as chances reais de recuperação.
Importância dos prontuários médicos
Os prontuários médicos são essenciais para analisar o caso. Eles registram sintomas, avaliações, remédios, exames e evolução clínica. Também são importantes os documentos de encaminhamento e transferência.
A perícia técnica deve comparar a conduta adotada com os protocolos e avaliar se outra ação poderia ter aumentado as chances de sobrevivência.
O caso pode ser analisado em várias instâncias, como ações indenizatórias, conselhos profissionais, procedimentos administrativos e até investigação policial, conforme os fatos apurados.
Posicionamento do IgesDF
O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) expressa profundo pesar pelo falecimento da adolescente Maria Luiza Abreu Estevam e solidariedade aos familiares.
Maria Luiza estava em tratamento odontológico há cerca de 20 dias. Em 9 de agosto de 2026, buscou a UPA de Sobradinho para atendimento odontológico de urgência, onde recebeu atendimento e orientações para continuar o tratamento especializado.
Em 12 de agosto, retornou à unidade com vômitos e dor abdominal, foi avaliada, passou por exames e recebeu suporte adequado para seu quadro.
Com a evolução dos sintomas, foi encaminhada para a Sala de Estabilização e solicitada a transferência para a UTI pediátrica, o que ocorreu em 13 de agosto, para o Hospital da Criança de Brasília.
O IgesDF respeita a privacidade da paciente e as normas éticas e legais, mantendo compromisso com assistência segura, humanizada e de qualidade, e continua à disposição das autoridades para esclarecimentos.
