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Jovem de 25 anos morre com suspeita de coronavírus em São Paulo

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Trabalhador apresentava problemas respiratórios, o que pode agravar quadro de saúde em caso de Covid-19

(foto: JOHN MOORE/ AFP )

Um motorista de aplicativo, de 25 anos, morreu com suspeita de infecção pela Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em São Paulo.

Um morador da capital paulista que se identificou como primo do paciente contou ao Correio que o jovem deu entrada no hospital com dificuldade para respirar e, após ser medicado, foi enviado para recuperação em casa. No entanto, não resistiu e morreu na manhã do último sábado (21/3).

A reportagem teve acesso à certidão do óbito do paciente, que indica um quadro grave de insuficiência respiratória. No documento, está a informação da suspeita de infecção pela Covid-19.

Se confirmado, esse é o paciente mais jovem a vir a óbito devido ao coronavírus no país, que registra oficialmente até agora 34 mortes em razão da epidemia. De acordo com o geógrafo Luiz Júnior, de 46 anos, que afirmou ser primo do motorista, o paciente tinha bronquite, doença que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) pode agravar o quadro de infectados por coronavírus.

Procurada, a Secretaria de Saúde de São Paulo não havia se manifestado até a última atualização desta matéria. O Ministério da Saúde, porém, embora tenha dito que não dá detalhes sobre pacientes, afirmou que “o óbito entrará na atualização de hoje, que será divulgada no portal da pasta”.

Despedida

Luiz conta que o jovem foi ao menos duas vezes ao hospital, sendo atendido e enviado para casa. “Ele começou a sentir uma gripe muito forte. Foi ao hospital, e o médico identificou como pneumonia. Passou pra ele sete dias de antibiótico. Mas ao final desse período, não melhorou. Retornou e o médico indicou bronquite alérgica. Ele também não melhorou e, na última quinta-feira, fizeram o teste para Covid-19. Sábado de manhã, ele morreu e, à noite, saiu a confirmação na certidão de óbito”, disse.

Após a publicação da reportagem, familiares do jovem entraram em contato e afirmaram que ele apresentava outros problemas de saúde. Ainda de acordo com a família, o resultado do exame de Covid-19 ainda não foi divulgado pelo laboratório.

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Brasil reduz fiscalização ambiental em meio ao surto de coronavírus

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Com fiscais de campo no grupo de risco do coronavírus e sem perspectiva de novas contratações, o Ibama enfrenta dificuldades para manter a fiscalização

Ibama: governo federal limitou o orçamento, o que impede novas contratações (UniversalImagesGroup / Colaborador/Getty Images)

O Brasil diminuirá os esforços de combate aos crimes ambientais durante o surto de coronavírus, disse uma autoridade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Reuters, apesar do receio de que uma proteção reduzida possa levar a um aumento do desmatamento.

O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, disse que o surto lhe deixou pouca opção além de enviar menos fiscais para o campo por causa do vírus altamente contagioso.

Ele estimou que um terço dos fiscais de campo da entidade têm quase 60 anos ou problemas médicos que os sujeitam a um risco maior de ter sintomas graves do vírus.

O Ibama não contrata agentes novos há anos por causa dos cortes orçamentários do governo, e suas fileiras estão envelhecendo rapidamente.

“Você não tem como colocar as pessoas que estão no grupo do risco, expor essas pessoas ao vírus”, disse Azevedo. “Não há uma escolha entre uma coisa e outra, é um obrigação de fazer.”

Duas fontes do Ibama que não tinham autorização para falar com a imprensa disseram que os agentes de campo estão preocupados com a própria saúde e com o risco de disseminarem o coronavírus nas regiões rurais em que operam.

Especialistas em desmatamento disseram que, embora as preocupações de saúde devam ser uma prioridade, a prática pode ter consequências ambientais graves.

“Enfraquecer a vigilância certamente significa um risco maior de desmatamento, por razões óbvias”, disse o economista ambiental Sergio Margulis, autor do estudo “Causas do Desmatamento da Amazônia Brasileira”.

O perigo adicional vem na esteira de uma disparada do desmatamento e de um aumento de incêndios na floresta tropical amazônica brasileira desde que o presidente Jair Bolsonaro tomou posse em janeiro de 2019. Provocou revolta global a percepção de que ele está incentivando madeireiros ilegais, fazendeiros e grileiros.

O Brasil abriga aproximadamente 60% da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, que absorve quantidades imensas dos gases de efeito estufa que causam a mudança climática.

Bolsonaro defende planos de desenvolvimento da região amazônica argumentando que são a melhor maneira de tirar mais brasileiros da pobreza – mas o salto no desmatamento ameaça descarrilar um acordo de livre comércio sul-americano com a Europa e prejudicar as exportações.

Essencial e desfalcado

Em um decreto assinado na semana passada, Bolsonaro definiu a fiscalização ambiental como um serviço essencial durante a pandemia de coronavírus, autorizando o Ibama a continuar enviando agentes ao campo.Mas Azevedo disse que mesmo os serviços essenciais, como o sistema de saúde e o policiamento, precisam ser reduzidos para proteger trabalhadores ameaçados.

As operações mais importante serão priorizadas, e algumas áreas precisarão sofrer restrições, disse Azevedo, acrescentando que proteger a Amazônia é uma prioridade. Ele negou que haverá redução de agentes na Amazônia e previu que algumas partes da floresta podem até registrar uma diminuição do desmatamento.

Fontes do Ibama disseram que a pandemia cria mais desafios logísticos porque muitos hotéis e restaurantes estão fechados e voos foram cancelados em massa.

Azevedo disse que, embora os agentes ainda possam escolher voar, o Ibama está alocando veículos e priorizando o transporte terrestre para reduzir o risco de contágio.

Alguns agentes dirigem durante dias para chegar aos seus postos na Amazônia, segundo uma das fontes.

Pesquisadores concordam que a fiscalização reduzida abre espaço para mais desmatamento, mas uma recessão profunda desencadeada pela pandemia poderia provocar um desemprego crescente – o que pode incentivar as atividades criminosas, mas também abaixar os preços de madeira e terra adquiridas ilegalmente.

Paulo Barreto, pesquisador sênior do instituto sem fins lucrativos Imazon, disse que é impossível prever a reação dos criminosos, que são difíceis de estudar. Os preços das commodities continuam altos, e o enfraquecimento do real aumenta os lucros das exportações dos agricultores brasileiros. Com isso, a procura pelo desmatamento de terras novas para a agricultura continua alta, explicou.

Desmatar e vender terras ilegalmente é inerentemente especulativo, por isso Barreto disse que os criminosos podem desmatar contando com a impunidade e depois ocupar as terras até poderem vendê-las.

Em janeiro e fevereiro, o desmatamento já havia subido 71% em relação a um ano antes, de acordo com dados governamentais preliminares, e pesquisadores acompanharão os dados de março e abril atentamente.

“Meu palpite, eu acho que o desmatamento não vai cair”, disse Carlos Nobre, cientista da Universidade de São Paulo.

Procurado, o Palácio do Planalto afirmou que comentários caberiam ao Ministério do Meio Ambiente, ao qual o Ibama está subordinado. A pasta, por sua vez, não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.

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Pandemia deve provocar um rombo de R$ 2 bilhões na arrecadação do DF

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Previsão é de que crise provocada pela Covid-19 deve gerar diminuição do montante proveniente de impostos no Distrito Federal. Comércio pede prorrogação na cobrança de tributos

Lojas fechadas: Secretaria de Economia dialoga com o setor produtivo e busca alternativas para minimizar os efeitos da crise provocada pela pandemia
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Com o fechamento de lojas, restaurantes e bares do Distrito Federal, como forma de frear a propagação da Covid-19, o comércio passa por recessão. Com as empresas paradas, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) pediu a prorrogação na cobrança de impostos pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Até 31 de dezembro, a equipe econômica do Executivo local prevê redução de até R$ 2 bilhões na arrecadação de tributos.

A Fecomércio-DF pediu o adiamento de alguns impostos como o IPTU e o IPVA, para ajudar no fluxo de caixa das empresas locais. De acordo com o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, a média de arrecadação do Simples, regime tributário específico para os pequenos negócios, é de R$ 36,7 milhões, quando o comércio funciona normalmente. “Com as portas fechadas, essa arrecadação pode cair em torno de 30% a 40%, pois, sem funcionar, as empresas não têm como pagar os impostos”, informa o presidente. “O impacto mesmo será na próxima arrecadação, no dia 20 de abril”, complementa Maia.

Em resposta ao pedido, a Secretaria de Economia informou que tem dialogado com o setor produtivo do DF e que busca alternativas para minimizar os efeitos da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. “Por ora, não há adiamento das cobranças de impostos do IPTU e IPVA. Contudo, estão em análise medidas para renegociação de dívidas que serão lançadas no decorrer do ano”, informou a nota.

A notícia da pandemia foi uma surpresa para a diretora da distribuidora JC, Waleska Maux, 49 anos. O estabelecimento abriu há um ano, e tinha como meta se estabelecer financeiramente em 2020. “Do ano passado para cá, investimos demais no empreendimento. Em dezembro, produzimos o nosso primeiro produto de marca própria, a Castanha do Bem. Quando estávamos fechando contrato para fornecê-lo em pequenas e grandes redes, veio a crise”, lamentou a empresária.

Impactos
A empresa possui mais de 10 funcionários, diretos e indiretos. “Não queremos dispensar esse pessoal. Todos estão assustados de perder o emprego”. Por isso, a decisão foi realizar entregas de castanhas a preço de atacado. Um saco sai a R$ 8,50 e uma caixa, com 24 unidades, a R$ 204.  “Estamos torcendo para que a crise acabe logo e que a gente consiga se restabelecer financeiramente”, conta Walesca.

A empresária Tânia Aranha, 66 anos, também luta para manter o emprego de todos os funcionários em uma empresa do setor de alimentação e eventos. O negócio atende cinco restaurantes. “Eu, meu marido, minha filha e meu genro trabalhamos na empresa. Temos 98  funcionários registrados e alguns autônomos que atendem aos eventos. A partir do primeiro decreto do GDF, dia 12 de março,  os serviços  despencaram”, relembra Tânia.

Com o cenário de incertezas, o economista e professor de Finanças William Baghdassarian pede calma aos brasilienses. “Enquanto não soubermos os desdobramentos dessa crise, guarde dinheiro e evite comprar parcelado. Todo os empréstimos terão que ser pagos quando a pandemia acabar. A gente vai se recuperar, mas esse ano está perdido”, prevê.

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Crivella abre parte do comércio e se aproxima de Bolsonaro

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Recuo de medidas restritivas visa obter o apoio do presidente à reeleição do prefeito do Rio

MARCELO CRIVELLA, PREFEITO DO RIO: ações na contramão do governador Wilson Witzel (Yasuyoshi Chiba/Getty Images)

Em compasso com os últimos pronunciamentos do presidente Bolsonaro a respeito do impacto econômico do coronavírus, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), anunciou que iria reabrir parte do comércio nesta sexta-feira, dia 27. As lojas de conveniência e de material construção voltaram a funcionar nas primeiras horas do dia.

Não é o primeiro recuo de Crivella em relação a medidas mais restritivas para conter o coronavírus. Na terça, 25, ele revogou a proibição de funcionamento das agências bancárias. Em decreto publicado no domingo, o prefeito havia determinado o fechamento de todos os serviços não essenciais. A determinação permitia apenas que supermercados, farmácias, padarias, clínicas, postos de gasolina e pet shops continuassem funcionando.

A mudança de postura do prefeito do Rio vai na contramão das atitudes adotadas pelo governador Wilson Witzel (PSC), que decretou estado de emergência no estado no dia 16. As divergências entre o governador e o presidente Bolsonaro sobre as medidas mais adequadas para lidar com a pandemia vêm colocando a ambos em campos opostos do cenário político. Em São Paulo, as diferenças entre João Doria (PSDB) e o presidente também tem ficado mais evidentes com a crise gerada pelo coronavírus.

Crivella, por outro lado, já vinha ensaiando uma aproximação com Jair Bolsonaro. No dia 28 de fevereiro, ele divulgou em suas mídias sociais um vídeo de apoio à conduta de Bolsonaro em relação às manifestações contra o Congresso. Crivella vem mantendo conversas com o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) e tem esperança de que o filho do presidente possa vir a integrar seu partido, o Republicanos. O apoio explícito a Bolsonaro contaria pontos nessa missão.

O cálculo é que a proximidade com o presidente pode ter um peso importante na campanha à reeleição de Crivella para a prefeitura do Rio, no pleito de outubro. Até agora, o plano parece estar funcionando. A família Bolsonaro vem se mostrando cada vez mais próxima a Crivella. Nos bastidores, comenta-se que o novo secretário de comunicação da prefeitura, Gutemberg Fonseca, teria sido indicado pelo senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Novas decisões de Crivella em relação ao coronavírus, que vem sendo usado como arma política, devem sinalizar se o apoio – e o sonho de ganhar mais uma vez a cadeira da prefeitura do Rio – continua forte.

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