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Infectologista critica abertura de shoppings: “Desconheço a razão técnica”

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Reabertura teve filas de dobrar esquina e aglomeração; integrantes do comitê científico da prefeitura consideraram precipitada a medida de relaxamento

Rio de Janeiro: estado chegou à marca de 7.363 óbitos por covid-19 (Pilar Olivares/Reuters)

Meia hora antes da reabertura dos shoppings da cidade — autorizados pelo prefeito Marcelo Crivella a voltar a funcionar depois de 90 dias fechados —, já havia aglomerações diante de alguns deles, nesta quinta-feira pela manhã. No entorno do Botafogo Praia Shopping, do Tijuca Shopping e do Madureira Shopping, filas dobravam esquinas.

Os centros comerciais ficaram abertos do meio-dia às 20h, e, à noite, a Secretaria estadual de Saúde divulgou um boletim no qual contabilizou 225 mortes por coronavírus em 24 horas, o maior número em cinco dias. O Rio de Janeiro chegou à marca de 7.363 óbitos por Covid-19, com 75.775 casos confirmados da doença.

As últimas medidas de relaxamento da prefeitura — a reabertura dos shoppings e a liberação dos camelôs — foram consideradas precipitadas por dois médicos que integram o comitê científico do município, formado para o enfrentamento da pandemia. Em entrevista ao “RJ TV”, da Rede Globo, o infectologista Celso Ramos Filho, da UFRJ, disse ter ficado surpreso com essas decisões, tomadas durante uma reunião da qual não participou.

— Desconheço a razão técnica pela qual estamos abrindo shoppings em comemoração ao Dia dos Namorados — afirmou Ramos, lembrando que o município do Rio ainda tem uma taxa alta de ocupação de leitos (89%).

O virologista Amilcar Tanuri, também da UFRJ, disse que a superlotação dos transportes é o que mais o preocupa, porém destacou que também não aconselhou ao município permitir a reabertura dos shoppings.

Cuidados na entrada

Na reabertura, cuidados foram tomados pelas administrações dos centros comerciais. Ao meio-dia em ponto, apenas a porta principal do Botafogo Praia Shopping foi aberta. Com máscaras, seguranças controlavam o acesso e só permitiam a entrada de pessoas que tinham a temperatura verificada. Além disso, todas eram orientadas a passar álcool em gel nas mãos.

Mesmo dizendo ser contrário à reabertura, o pensionista José Veiga, de 58 anos, ficou quase 15 minutos na fila para poder fazer compras no shopping de Botafogo:

— Acho que shopping é lazer, bem-estar, conforto e segurança. Vim, mas entendo que não é o momento adequado para a reabertura. Estamos em uma situação crítica, o número de casos de coronavírus vem aumentando. Mas, quando os shoppings reabrem, ficamos tentados a ir às compras.

Do lado de fora, vendo a aglomeração que se formou na porta do shopping, a tradutora Maria Almeida, de 75 anos, lamentava a decisão da prefeitura:

— Não é o momento de abrir shopping. De terça para quarta-feira, mais de mil pessoas morreram no país.

No Tijuca Shopping e no Madureira Shopping, também houve aglomeração nas entradas. Para acessar o Madureira Shopping, clientes tinham a temperatura medida por funcionários. Na Estrada do Portela, apesar da proibição, lojas de roupas funcionavam normalmente enquanto a fila para o centro comercial dobrava duas esquinas.

Ainda na Zona Norte, no Nova América, em Del Castilho, os clientes foram recebidos por funcionários equipados com máscaras, termômetros e macacões especiais. Na entrada, os consumidores passavam por um tapete de limpeza dos calçados e higienizavam as mãos.

Para a médica Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a decisão de Crivella de autorizar a reabertura dos shoppings é “muito arriscada” e pode intensificar a circulação pelas ruas da cidade, aumentando o número de casos da Covid-19:

— Não era o momento de fazer isso. Para liberar, precisávamos ter mais estabilidade, a segurança de que a curva está caindo. Há necessidade de um amplo planejamento. Ônibus, metrô e trens estão capacitados para um aumento de passageiros agora?

Como no Rio, São Paulo reabriu nesta quinta seus shoppings, e vários ficaram lotados. Lojas de celulares foram as mais procuradas. Clientes também enfrentaram filas nas portas dos estabelecimentos.

Na Ponte Rio-Niterói, a concessionária Ecoponte registrou, às 18h, congestionamento no sentido Niterói. A travessia chegou a durar 44 minutos — sem trânsito, não costuma passar de 13.

 

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Servidores dizem em depoimento que governo toma medidas para prejudicar fiscalização ambiental

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Ministério Público Federal cita os depoimentos de Renê Luiz de Oliveira e Hugo Loss no pedido à Justiça de afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

fiscalização ambiental

Dois servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) disseram em depoimento ao Ministério Público Federal que desde 2019 o governo federal vem tomando medidas com o objetivo de fragilizar a fiscalização ambiental.

Entre essas medidas, eles mencionaram mudança de chefias, diminuição do número de fiscais, reduções orçamentárias e inviabilização da destruição de equipamentos de desmatadores.

Na segunda-feira (6), 12 procuradores da República pediram à Justiça Federal, em Brasília, o afastamento do cargo do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

 Na última segunda-feira, em nota, o ministério disse que a ação movida pelos procuradores “traz posições com evidente viés político-ideológico em clara tentativa de interferir em políticas públicas do Governo Federal. As alegações são um apanhado de diversos outros processos já apreciados e negados pelo Poder Judiciário, uma vez que seus argumentos são improcedentes”.

O MPF acusa o ministro de improbidade administrativa, pelo que consideram “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”. A ação tramita na 8ª Vara da Justiça Federal.

As informações foram prestadas por Hugo Ferreira Netto Loss, ex-coordenador de Operações de Fiscalização do Ibama, e Renê Luiz de Oliveira, ex-coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do órgão, em depoimento conjunto enviado à Justiça Federal.

No depoimento, Renê Luiz de Oliveira, ex-coordenador-geral de Fiscalização Ambiental, disse que as ações e declarações das autoridades geraram retração nos fiscais, que, segundo ele, ficaram com receio de retaliações.

“Para mim, existem três formas de uma força ser aniquilada. A primeira é tirar dinheiro. A segunda é desestruturar de alguma forma, como, por exemplo, não nomear cargos estratégicos ou nomear gente sem afinidade com a causa. A terceira é gerar constrangimento, fazer baixar a guarda de quem está na linha de frente — no caso, os fiscais. As declarações das autoridades criaram uma força antagônica que causa medo ou insatisfação, levando a um estágio de baixa autoestima e consequente baixa na produtividade. É o desestímulo de forma geral”, disse Oliveira, segundo o Ministério Público Federal.

Segundo o MPF, os depoentes informaram diversas ações que geraram a diminuição das ações de combate ao crime ambiental.

Um dos exemplos citado pelos procuradores foi uma “redução enorme” na destruição de maquinário de crimes entre abril e agosto de 2019, por medo de retaliações contra os fiscais.

Hugo Loss, segundo o Ministério Público, descreveu as movimentações para inviabilizar a permanência dos servidores em suas atividades.

“No curso das operações nas terras indígenas Ituna-Itatá, Apyterewa e Trincheira Bacajá a gente percebeu, pela imprensa, uma movimentação muito grande dos envolvidos nos ilícitos que a gente estava investigando junto ao Ministério do Meio Ambiente e à Presidência da República”, disse Loss no depoimento.

“A gente não sabia se essa movimentação era pela nossa saída, pela paralisação das operações, não sabíamos. Mas isso atrapalhou bastante. Começamos a ficar receosos e tivemos que blindar as operações”, completou Loss.

Os dois servidores foram exonerados dos cargos de coordenação em abril. Em 22 de abril, um grupo de 16 fiscais ambientais do Ibama encaminharam uma carta para a presidência do órgão pedindo a suspensão dos processos de exoneração dos servidores.

Segundo funcionários do Ibama, Renê Oliveira e Hugo Loss foram ameaçados de exoneração do cargo após a exibição de uma reportagem no Fantástico da megaoperação realizada pelo instituto para fechar garimpos ilegais e proteger as aldeias de quatro terras indígenas no Sul do Pará: Apyterewa, Cachoeira Seca, Trincheira, Bacajá e Ituna Itatá.

Segundo o Ministério Público Federal, com base no depoimento dos servidores, as seguinte medidas tomadas pelo governo federal enfraqueceram a fiscalização ambiental:

  • mudanças de chefia por pessoas com pouco conhecimento das atividades fiscalizatórias ou demora na definição dos cargos;
  • diminuição do número de fiscais;
  • reduções orçamentárias;
  • inviabilização de atividades estratégicas essenciais, como a destruição de maquinário;
  • processos conciliatórios em vez da imposição de multas;
  • limitação de horas em campo;
  • discursos das autoridades;
  • utilização de remoções com desvio de finalidade.

Pedido de afastamento

No pedido de afastamento, o Ministério Público Federal acusa o ministro Ricardo Salles de improbidade administrativa pelo que consideram “desestruturação dolosa das estruturas de proteção ao meio ambiente”.

Para o MPF, atos de improbidade foram praticados em quatro frentes:

  • Desestruturação normativa
  • Desestruturação dos órgãos de transparência e participação
  • Desestruturação orçamentária
  • Desestruturação fiscalizatória

Segundo os procuradores, a suposta desestruturação normativa ocorreu com a edição de decretos, despachos e portarias.

Eles ainda apontam desestruturação dos órgãos de transparência e participação por meio do que considera “desmonte” do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), das informações da página do Ministério do Meio Ambiente; por constrangimento ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela “censura da comunicação institucional” do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Ainda de acordo com o MPF, houve desestruturação orçamentária a partir da redução de recursos para a fiscalização do Ministério do Meio Ambiente e desestruturação fiscalizatória pelo “desmonte” da fiscalização ambiental.

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Em 30 dias, números da covid-19 no Rio oscilam e preocupam especialistas

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Com a transmissão ainda longe de ter sido interrompida, a preocupação aumenta com bares lotados no Leblon e na Barra e festas em comunidades do subúrbio

“Nem aqui, nem na Europa ou nos países do Oriente tivemos imunidade de rebanho. Há muita gente suscetível à doença. Principalmente nas regiões mais vulneráveis, como as favelas e presídios, que podem ter surtos localizados”, afirma o sanitarista e geógrafo Christovam Barcellos, coordenador do Monitora Covid-19 da Fiocruz, ressaltando que um recrudescimento dos casos de Covid-19 não afetaria apenas essas áreas. “A capital pode ser tornar uma difusora do vírus para outros municípios”.

Aglomerações preocupam

Além da Zona Sul, o isolamento também está em queda em outras áreas da cidade, o que exige ainda maior cuidado com as “regras de ouro” de distanciamento e higienização. De acordo com dados da empresa Cyberlabs, nest terça, na capital, a taxa média de isolamento foi de 30% — a mais baixa já registrada — contra um índice de 74% há um mês. O total de testes positivos para o vírus, que era de 7.522 na semana de 31 de maio a 6 de junho, passou para 5.708 de 7 a 13, mas voltou a crescer para 8.718 de 14 a 20. E, mais uma vez, reduziu para 5.157 de 21 a 27 junho e 4.747 de 28 de junho a 4 deste mês. Nos mesmos períodos, as vítimas fatais foram, respectivamente, 876, 592, 798, 575 e 503.

O infectologista Roberto Medronho, do Departamento de Medicina Preventiva da UFRJ, chama atenção para o momento crucial em que a população deve contribuir para evitar uma retomada do crescimento da transmissão da Covid-19. Ele sugere mais rigor na fiscalização por parte da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Essa preocupação persiste sobretudo por conta da taxa de contágio (R), que já indica uma mudança de tendência. Nos cálculos da UFRJ, a taxa de contágio está hoje em 1,42 — estatisticamente, significa que uma pessoa pode infectar uma pessoa e meia. Antes da retomada de parte das atividades, o índice era de 1,03.

“Felizmente, esse crescimento se mantém lento, e a abertura não impactou até agora o número de casos graves, que precisam de UTI. Mas as cenas dos últimos dias, de bares cheios, são disparadas as mais tensas. Fico chocado. As pessoas debochando da pandemia é de uma falta de empatia assustadora”, diz.

Segundo o painel da prefeitura, a boa notícia é que, na capital, a taxa de ocupação dos leitos de UTI adulta para Covid-19 do SUS vem caindo paulatinamente desde o fim de maio. A primeira semana de junho fechou em 91,6% (média de sete dias). Na semana passada, encerrada em 4 de julho, caiu para 72,8%. Na rede privada, calcula a Associação de Hospitais do Estado do Rio (Aherj), está ainda mais baixa: 53%.

Crescimento horizontal

O infectologista Celso Ramos Filho, da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Medicina, ressalta que nem isso é motivo para relaxar. Ele diz que a popularização do uso de e máscaras, a facilidade de acesso ao álcool em gel e o grande número de pessoas que seguem em
home office
podem ser fatores que ajudam a frear o ritmo da contaminação pela doença, mas há ressalvas.

“Podemos estar vivendo uma fase de crescimento horizontalizado da doença, que chamamos de fase lag (defasagem, em inglês). Depois, pode ocorrer a fase exponencial, com multiplicação mais rápida. Se isso ocorrer, para mim, não seria propriamente uma segunda onda, mas um primeiro ciclo que não foi adequadamente controlado”, observa o médico.

Subsecretário Geral Executivo da Secretaria municipal de Saúde (SMS), Jorge Darze afirma que não se pode ignorar que a progressão da retomada da economia, com mais gente nas ruas, pode ter efeito sobre a curva do coronavírus na cidade. Nessa hipótese, não descarta que seja necessário dar um passo atrás no afrouxamento das restrições:

“Seguimos monitorando se há aumento da demanda de pacientes com síndrome gripal, de sepultamentos e de pessoas à espera de UTI”.

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Bolsonaro veta obrigação do governo em fornecer água e comida a indígenas

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Com vetos, Bolsonaro sancionou nesta quarta (8) lei que garante proteção a indígenas durante a pandemia de coronavírus

(Adriano Machado/Reuters)

O presidente Jair Bolsonaro sancionou com vetos, nesta quarta-feira, a lei que trata de medidas de proteção a povos indígenas durante a pandemia do novo coronavírus. Entre os itens vetados pelo presidente está a obrigatoriedade do governo de fornecer acesso a água potável, materiais de higiene e limpeza, instalação de internet e cestas básicas para as aldeias. O texto, publicado no Diário Oficial da União, cria o Plano Emergencial para Enfrentamento à Covid-19.

Pela lei aprovada, os povos indígenas, comunidades quilombolas, pescadores e demais povos tradicionais passam a ser considerados “grupos em situação de extrema vulnerabilidade” e de alto risco para emergências de saúde pública.

O governo federal fica responsável por viabilizar o acesso a testes para a detecção da doença e a medicamentos “para identificar e combater a Covid-19”. A lei ainda prevê a contratação de profissionais da saúde para reforçar o apoio à saúde indígena, com a construção emergencial de hospitais de campanha nos municípios próximos de aldeias ou comunidades em que há alto nível de contaminação.

Em relação aos vetos, o governo justifica que as decisões foram tomadas após consultas aos ministérios da Saúde, da Justiça e Segurança Púbica, da Economia e da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

O presidente vetou a obrigatoriedade de a União ter que garantir leitos hospitalares e de UTI nas aldeias e de adquirir ventiladores e máquinas de oxigenação. O ponto que previa que a União criasse um programa de crédito específico para povos indígenas e quilombolas e que distribuísse sementes e ferramentas agrícolas também foi vetado.

O projeto de Lei foi aprovado na Câmara dos Deputados no dia 21 de maio e passoi pelo Senado em 16 de junho.

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Inscrições para o Sisu começam nesta terça-feira com mais de 51 mil vagas

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Um dos maiores processos seletivos do Brasil, o Sisu do 2º semestre traz à tona alguns dos desafios que cercam a educação brasileira no restante deste ano

Aplicativo do Enem 2019: alunos do Sisu usam nota do exame do ano passado, mas prova deste ano ainda está sem data definida (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

É em um momento conturbado para o Ensino Superior brasileiro que estudantes vão tentar algumas das 51.000 vagas disponíveis nas instituições públicas nacionais. Começam a partir desta terça-feira, 7, as inscrições para a edição 2020 do segundo semestre do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona para vagas nas universidades públicas por meio da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Além dos cursos presenciais, é a primeira vez que o Sisu vai ofertar vagas na modalidade a distância (EaD). Os estudantes que desejam concorrer a uma dessas vagas devem acessar o site do programa (https://sisu.mec.gov.br).

A inscrição vai até sexta-feira, 10, e o resultado do processo sai em 14 de julho. Caso não seja aprovado, o aluno pode se inscrever em uma lista de espera na sequência. Podem participar da seleção todos os candidatos que fizeram o Enem em 2019 e não tiraram nota zero na redação. Em alguns cursos as instituições exigem uma nota mínima no Enem.

Um dos maiores processos seletivos do Brasil, o Sisu do segundo semestre traz à tona alguns dos desafios que cercam a educação brasileira no restante deste ano. As mais de 8,4 milhões de instituições de Ensino Superior no Brasil ainda não retornaram às aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus e se voltam ao ensino remoto desde março — que precisou ser estruturado ou aperfeiçoado às pressas na maioria das faculdades. Os estudantes que se inscreverem nesta semana para começar a faculdade no segundo semestre possivelmente ainda terão toda ou parte da instrução online.

O país também está sem ministro da Educação desde a saída de Abraham Weintraub no dia 18 de junho. É ao Ministério da Educação (MEC) e suas autarquias subordinadas que compete organizar o Sisu, o Enem deste ano (ainda sem data definida) e comandar as universidades federais.

No último fim de semana, o empresário Renato Feder, atual secretário de Educação do Paraná, usou as redes sociais para declinar o convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro para que ele assumisse o cargo. O presidente não chegou a anunciar formalmente o convite, mas internamente a escolha não agradou às duas principais alas do governo, a dos militares e a ligada ao escritor Olavo de Carvalho. Ambas pressionaram Bolsonaro para retirar o convite.

Na última semana, outro nomeado, Carlos Alberto Decotelli, chegou a ter o nome publicado no Diário Oficial da União, mas não tomou posse após inconsistências em seu currículo.

Bolsonaro pode escolher um ministro ainda nesta semana, mas vem tendo dificuldade em encontrar candidatos ao cargo. Após viagem do presidente a Santa Catarina para sobrevoar as áreas atingidas pelo ciclone-bomba, um nome que passou a ganhar força é de Aristides Cimadon, reitor da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).

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Casal é preso em Petrolina com carro roubado no estado de São Paulo e documentos falsos

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De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, O flagrante foi realizado durante uma fiscalização no quilômetro 184 da BR 428. O veículo foi roubado no dia 19 de junho.

Veículo foi roubado no dia 19 de junho, no estado de São Paulo — Foto: PRF / Divulgação

Um casal foi preso nesta terça-feira (7) na BR 428, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o homem, de 51 anos, e a mulher, de 38, estavam em um carro roubado e portavam dez Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs), oito Certificados de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLVs) e um Registro Geral (RG) com indícios de falsificação.

O flagrante foi realizado durante uma fiscalização no quilômetro 184 da rodovia. Ao abordar um carro com placas de Minas Gerais, os policiais realizaram uma verificação no automóvel e descobriram um registro de roubo do dia 19 de junho, no município de Biritiba-Mirim, em São Paulo.

Ao verificar o interior do veículo foi encontrada a documentação irregular, além de moldes de numeração de vidro e chassi de veículos. O casal foi encaminhado junto com o carro e o material apreendido à delegacia de Polícia Civil de Petrolina, que investigará o caso.

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Menino de 2 anos diagnosticado com Covid-19 se recupera e tem alta após 13 dias internado

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Mãe do pequeno Nicollas, que mora em Itaquaquecetuba, conta que filho teve sintomas de Síndrome de Kawasaki, marcada por inflamação nos vasos sanguíneos. Após deixar o hospital, ele segue precisando de cuidados.

Nicollas, de apenas dois anos, teve diagnóstico positivo de Covid-19 — Foto: Elizeu Junior/Arquivo Pessoal

Nicollas tem apenas dois anos, mas já precisou mostrar a força de um pequeno guerreiro para vencer uma difícil batalha que enfrentou recentemente. Morador de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, ele foi diagnosticado com Covid-19 e teve graves complicações de saúde que o fizeram ficar internado por 13 dias.

Nicollas teve alta há cerca de duas semanas e agora dá sequência à recuperação em casa. De acordo com a mãe, Thamy de Sant’Anna Barros, ele ainda precisa de acompanhamento médico de perto e de algumas medicações. Porém, após longos dias de muita preocupação e de idas e vindas a hospitais, os pais de Nicollas agradecem pela recuperação do filho, considerada por eles um milagre.

“Quero agradecer a todos, a equipe médica, de enfermagem, amigos, familiares. Descobri que havia pessoas orando por ele até fora do Brasil. Fortaleza, Paraná, Pernambuco. A vitória não é só minha. É de todos aqueles que oraram por ele”.

Os primeiros sintomas e a busca pelo diagnóstico

Thamy conta que tudo começou no dia 3 de junho, quando Nicollas apresentou febre. A mãe achou que poderia se tratar de alguma infecção, então o pai, Elizeu Junior, levou o filho a um hospital em Itaquaquecetuba.

“A médica disse que as amídalas estavam um pouco grandes e receitou medicamentos para cortar a febre. Ele voltou para casa. Naquele mesmo dia já começamos a dar os medicamentos. Mas, diferentemente de outras vezes em que ele teve infecção de garganta ou de ouvido, a febre não estava baixando. Demorava muito para baixar e subia muito rápido e tínhamos medo que ele tivesse uma convulsão”, lembra a mãe.

Dois dias depois, Nicollas começou a se queixar de muitas dores na barriga. A mãe imaginou que, por conta da febre, poderia ser infecção de urina, então novamente levou o filho ao hospital, onde foram feitos exames de sangue e de urina.

“O exame de sangue deu um pouco alterado na parte viral. Quando estávamos aguardando sair o resultado, percebi, enquanto ele dormia, que havia umas manchas nas mãos, na barriga, nas costas. Pedi para a enfermeira chamar o médico na sala. Ele examinou, apertou as manchinhas e, como elas sumiam, ele falou que não era preocupante, que poderia ser do sangue, alguma reação, mas não suspendeu nenhum remédio e pediu para a gente voltar para casa e continuar com o antibiótico, porque provavelmente seria garganta mesmo”.

Nicollas precisou ficar internado por 13 dias devido a complicações de saúde — Foto: Elizeu Junior/Arquivo Pessoal

Nicollas precisou ficar internado por 13 dias devido a complicações de saúde — Foto: Elizeu Junior/Arquivo Pessoal

Porém, de acordo com Thamy, a febre continuou subindo muito rápido e demorando para baixar. No mesmo dia, os pais decidiram levar Nicollas a um hospital, desta vez em Arujá.

“Chegando lá, o médico disse que seriam exantemas, que não são uma doença, mas sim um sintoma de algum vírus. Ele disse que a febre fica geralmente por cinco dias e, quando dão cinco dias, essas manchas estouram pelo corpo todo. Só que o Nicollas já tinha tido febre por quatro dias, e as manchas surgiram no segundo dia. Mesmo assim, a gente sabe que um organismo acaba sendo diferente do outro e imaginamos que poderia ser isso mesmo. Por desencargo de consciência, foram pedidos exames de urina e de sangue. Ele colheu e foi medicado”.

A mãe de Nicollas lembra que, como era tarde, foram para casa e voltaram ao hospital no dia seguinte, quando o quadro do garoto se manteve. “Fomos examinados por outro médico. O médico que pegou os exames dele suspeitou de uma possível meningite”.

“Aquele foi o pior momento para mim. Sempre tive muito medo dessa doença. Entrei em desespero, chorava. O médico falou que seria necessário fazer o exame. Fui para fora do hospital e esperei o procedimento acontecer. Quando saiu o resultado, deu negativo para meningite”.

Segundo Thamy, no dia seguinte, Nicollas continuou tendo febre e dor na barriga. Também estava com o olho inchado e com secreção, além de não estar se alimentando e bebendo água. Os pais decidiram levá-lo ao hospital novamente, mas, por recomendação de colegas da farmácia onde trabalha em Itaquaquecetuba, Thamy procurou uma clínica médica em Mogi das Cruzes.

“Ele já tinha mais manchinhas na região genital, os olhos estavam bem inchados e vermelhos. O corpo já tinha mais bolinhas. As mãos e os pés estavam bem gelados. A médica deu o diagnóstico de Síndrome de Kawasaki, mas disse que lá não podia me dar o suporte e que ele precisava ir para o hospital, fazer outros exames e receber soro imediatamente”.

Os pais foram para um hospital perto da clínica e foram informados de que Nicollas precisaria ir para a UTI.

“Aquilo também já foi desesperador. Eu fiquei com muito medo e só falava que não queria perder meu filho. Eles me disseram que eu não perderia meu filho, mas que ele precisava de cuidados intensos, porque estava em um estado grave”.

Nicollas ao lado do pai, Elizeu Junior — Foto: Arquivo Pessoal/Elizeu Junior

Nicollas ao lado do pai, Elizeu Junior — Foto: Arquivo Pessoal/Elizeu Junior

Nicollas foi transferido para um hospital em São Bernardo do Campo, onde havia disponibilidade de leito no convênio. “Chegando lá, o médico deu medicamento para dor abdominal, porque ele estava queixando muito, e pediu exames. Ficamos aguardando a liberação para subir para a UTI. A princípio, surgiu um outro diagnóstico, que era Covid, porque ele não tinha todos os sintomas do Kawasaki. E hoje se fala muito que elas têm uma relação. Não é uma via de regra, mas alguns sintomas nas crianças estão vindo acompanhados dessa síndrome”.

A Síndrome de Kawasaki é uma espécie de vasculite, isto é, uma inflamação nos vasos sanguíneos e que ainda não tem uma causa conhecida. Alguns de seus sintomas são a febre prolongada, o aparecimento de manchas pelo corpo, entre outros. É uma doença rara, que acontece principalmente em crianças com menos de 5 anos.

Em maio, uma rara doença inflamatória em crianças, com quadro semelhante ao da Síndrome de Kawasaki, foi associada ao novo coronavírus, tendo sido observada, na ocasião, em países como Reino Unido, França, Estados Unidos e Itália.

“A gravidade disso era provocar um aneurisma. Isso que os médicos temiam. Foi prescrita imunoglobulina, que ajudava no tratamento da síndrome. Ele não reagiu bem no começo e teve que suspender, mas ele precisava porque o coração já tinha entrado em sofrimento. Os três primeiros dias foram os dias de maior piora na UTI. Só depois de trocar os antibióticos que ele veio a melhorar”.

Segundo Thamy, o primeiro teste feito para Covid-19 em Nicollas deu negativo, mas o médico solicitou outros exames da doença.

“O teste rápido, de imediato, deu positivo. Ficamos aguardando o teste do swab, que deu positivo também. Automaticamente já mudaram a administração de alguns medicamentos. Já no segundo diagnóstico, ele começou a se alimentar. Ele ficou mais ativo. A cada dia era uma melhora gradativa. Nós conseguíamos notar uma melhora significativa. Então aguardamos o organismo dele reagir aos medicamentos”.

Ao todo, Nicollas ficou internado por 13 dias, período em que foi acompanhado de perto por médicos cardiologista e hematologista. Ele teve alta do hospital há cerca de duas semanas. “Tinha uma equipe prontamente voltada para ele o tempo todo. Uma equipe enviada por Deus, que Deus colocou para cuidar dele. Tenho que agradecer a todos”.

“Geralmente as perguntas são de quem ele pegou. A gente não sabe responder porque não tivemos sintomas ou casos na família. Ele não teve contato com ninguém que teve a doença. Essa é uma das dúvidas. Mas o Nicollas está super bem”.

Pais de Nicollas batalharam para que o filho se recuperasse — Foto: Arquivo Pessoal/Elizeu Junior

Pais de Nicollas batalharam para que o filho se recuperasse — Foto: Arquivo Pessoal/Elizeu Junior

Necessidade de acompanhamento e uso de medicamentos

De acordo com Thamy, apesar da alta do hospital, Nicollas precisa continuar sendo acompanhado de perto e tomando medicações.

“O coraçãozinho dele deu uma dilatada na coronária. Eles estavam falando que era uma dilatação discreta, mas o Nicollas teria que fazer acompanhamento com três especialidades até os 4 aninhos dele. E também tomar medicação de uso contínuo, que é o que já estamos fazendo”.

Um dos obstáculos que os pais de Nicollas encontram neste momento é justamente o custo elevado dos medicamentos necessários para o tratamento dele.

“A hematologista deu uma guia para pegarmos o medicamento no alto custo, mas o Governo não libera o medicamento para quem faz tratamento para Covid ou qualquer outra doença, senão grávidas ou pessoas em pós-operatório”.

“Tivemos que arcar com a medicação, que é um pouco cara. Mas Deus tem cuidado e nos ajudado a comprar. E não é só a medicação. Tem seringas, medicamentos para ajudar a fazer a assepsia na hora da aplicação. Além disso, ganhamos três caixas desse medicamento das minhas colegas de trabalho. Temos contato com representantes de laboratório, que vão nos ajudar também. Tem bastante mobilização para ajudar o Nicollas”.

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