Uma audiência pública organizada pelo Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados reuniu especialistas para discutir a relevância do crédito qualificado e a necessidade de educação financeira para prevenir o superendividamento.
Camila Costa, do BNDES, destacou que a instituição apoia pequenos empreendimentos por meio de parceiros que compreendem a realidade das comunidades, especialmente nas 12 mil favelas onde vivem cerca de 16 milhões de pessoas. Ela ressaltou que o acesso ao crédito depende de fundos garantidores, pois os negócios frequentemente começam com recursos próprios.
Sérgio Gusman, presidente da Agência de Fomento do Rio de Janeiro, reforçou que a educação financeira é fundamental para a sobrevivência das pequenas empresas, citando a alta taxa de mortalidade desses empreendimentos no país.
A agência realizou 3.700 operações de crédito em 2025, totalizando R$ 47 milhões com juros anuais de 3%. Contudo, a inadimplência alcançou 30%, motivada por flexibilizações nas regras devido à pandemia e às enchentes.
O deputado Helio Lopes (PL-RJ), relator do estudo, acredita que o empreendedorismo nas comunidades tem grande potencial, destacando a importância das pequenas empresas informais, microempreendedores individuais e iniciativas comunitárias na geração de renda e oportunidades locais, mesmo com restrições de crédito e formalização.
O professor Lauro Gonzalez, da Fundação Getúlio Vargas, observou que o crescimento dos bancos digitais e do sistema Pix tem sido um impulso importante para o desenvolvimento dos pequenos negócios.
