O Ibovespa teve seu segundo dia consecutivo de alta, subindo 1,4% e alcançando 183.447 pontos. Essa melhora foi impulsionada pela redução das tensões no Oriente Médio, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que o conflito entre EUA, Israel e Irã pode estar próximo do fim.
O índice iniciou o dia em 180.921 pontos, atingiu uma mínima de 180.692 e chegou a 185.324 no ponto mais alto. O volume financeiro negociado foi de R$ 31,3 bilhões nesta terça-feira, um pouco menor que os R$ 37,6 bilhões da segunda-feira.
No acumulado da semana, o Ibovespa subiu 2,28%, embora ainda registre queda de 2,83% no mês. No ano, o índice já cresce 13,85%. Essa alta diária foi a mais expressiva desde 24 de fevereiro, quando subiu a mesma porcentagem.
O principal motivo por trás das oscilações tem sido o preço do petróleo, que caiu mais de 11% nas bolsas de Londres e Nova York. As ações da Petrobras tiveram queda moderada, enquanto Vale e os maiores bancos registraram ganhos modestos.
As ações que mais valorizaram foram da Rumo, Magazine Luiza e Cosan, enquanto as maiores quedas foram das empresas Raízen, Braskem e Direcional.
Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, a Rússia, aliada do Irã, parece estar disposta a mediar o conflito, o que tem impacto positivo sobre o preço do petróleo. O principal receio permanece sendo uma interrupção no fornecimento da commodity, o que poderia pressionar a inflação global. As decisões de política monetária que acontecerão na próxima semana, tanto nos EUA quanto no Brasil, também são aguardadas com atenção.
O preço do petróleo recuou após três dias de fortes altas. Os investidores consideraram relatos de trânsito pelo Estreito de Ormuz e uma possível maior oferta de petróleo no mercado mundial anunciada pela Agência Internacional de Energia.
João Duarte, sócio da ONE Investimentos, destaca que a queda do petróleo e a redução das tensões no Oriente Médio ajudaram a aliviar o prêmio de risco que estava embutido nos ativos desde o início da guerra.
Andressa Bergamo, especialista em investimentos, comenta que os sinais de que Israel não pretende prolongar o conflito e que as operações serão coordenadas com os EUA contribuíram para essa calma nos mercados.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam próximos da estabilidade: Dow Jones caiu 0,07%, S&P 500 caiu 0,21%, e Nasdaq subiu 0,01%.
Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, ressaltou que a queda do petróleo pode impactar a inflação global e, consequentemente, a política de juros. O mercado ainda aposta em uma redução de juros pelo Banco Central brasileiro, mas já há quem espere um corte menor.
dólar
O dólar teve uma sessão de quedas, fechando em baixa de 0,13% a R$ 5,1575, após oscilações durante o dia. Essa foi a terceira queda seguida da moeda americana em relação ao real, acumulando perda de 2,45% no período.
O real, apesar do bom desempenho recente, teve comportamento inferior ao de várias outras moedas emergentes nesta terça-feira. Destacou-se o ganho do peso chileno, impulsionado pelo aumento do preço do cobre.
Felipe Garcia, do C6 Bank, explica que a região está afastada da zona de conflito e que o Brasil é exportador de petróleo, o que ajuda a diferenciar o real das outras moedas. O movimento atual no mercado indica que o conflito pode acabar mais cedo que o esperado, o que tem derrubado o preço do petróleo.
A queda do petróleo superior a 10% foi influenciada por informações de trânsito no Estreito de Ormuz e indicação da agência internacional de que a oferta aumentará. A secretária de imprensa da Casa Branca afirmou que o presidente dos EUA Donald Trump está disposto a usar todas as opções relacionadas ao petróleo.
Na segunda-feira à noite, Trump afirmou que a campanha militar contra o Irã avançava mais rápido do que o previsto e poderia terminar em breve, o que contribuiu para a queda do dólar. Trump também indicou disposição para negociar com o Irã, que teria mostrado interesse em abrir conversações.
Robin Brooks, economista do Brookings Institute, comentou que o preço do petróleo caiu após a declaração de Trump e que isso beneficia mercados como o brasileiro.
Os investidores também aguardam a divulgação do índice de preços ao consumidor dos EUA para fevereiro, que ajudará a definir os próximos passos do Federal Reserve. Espera-se que o banco central dos EUA não altere a taxa básica na próxima reunião e que cortes de juros ocorram no segundo semestre.
Felipe Garcia reforça que a tendência de um dólar mais fraco segue, com possibilidade de câmbio próximo a R$ 5,00, dependendo do desfecho do conflito no Oriente Médio.
juros
A perspectiva de que o conflito no Oriente Médio está perto do fim influenciou o mercado de renda fixa no Brasil, com queda nas taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI).
A queda do dólar perde força no final do dia, mas a curva de juros mantém ritmo de queda moderado, acompanhando a baixa do petróleo.
O barril de petróleo Brent caiu 11,2%, sendo cotado a US$ 87,80, enquanto o WTI recuou 11,9%, para US$ 83,45. Esses preços refletem notícias sobre trânsito marítimo no Estreito de Ormuz e maior oferta global de petróleo.
Essa redução no prêmio de risco inflacionário aumentou o otimismo sobre um início de flexibilização monetária pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil, especialmente com uma possível queda de 0,5 ponto percentual na taxa Selic em março.
As taxas do DI para 2027, 2029 e 2031 caíram, seguindo a tendência positiva dos ativos.
Apesar das incertezas geradas pelas notícias sobre o conflito, o mercado reagiu bem nesta terça-feira. O conflito, em seu 11º dia, registra confrontos no Iraque e Líbano, e o Irã não quer cessar-fogo, enquanto Israel mantém a operação contra o país.
Informações recentes incluem possível escolta militar de petroleiros e preparação iraniana para colocar minas na rota de navegação, o que pode impactar os mercados nos próximos dias.
Laís Costa, analista da Empiricus Research, comenta que a notícia de minas pode mudar o cenário de hoje para amanhã e que o mercado está atento aos desdobramentos da guerra.
A aprovação da guerra entre republicanos dos EUA está baixa, o que pode afetar as eleições de meio de mandato. O conflito aparenta estar longe do fim, sendo que as notícias mudam rapidamente.
No curto prazo, a queda do petróleo aumentou a probabilidade de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic em março para cerca de 75%.
A gestora AZ Quest mantém a expectativa de que o Copom cortará juros em 50 pontos-base, mas ressalva que piora na situação geopolítica pode levar a uma decisão mais cautelosa, com corte menor.
Fonte: Estadão Conteúdo
