O Ibovespa deu uma pequena pausa e terminou o dia com uma leve queda de 0,13%, mas conseguiu manter a linha dos 191 mil pontos, apoiado principalmente pelo desempenho da Vale. Durante o pregão, o índice chegou a atingir uma nova máxima intradia, superando os 192 mil pontos, porém recuou até os 190.419 pontos.
Na semana, o Ibovespa acumula alta de 0,37%, enquanto no mês o ganho já é de 5,45% e no ano o índice sobe 18,69%. O setor de commodities, especialmente as ações da Vale, teve um bom desempenho, enquanto o setor financeiro apresentou algumas perdas, com destaque para o Santander, que caiu 3,94% no dia.
Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, comenta que a volatilidade tem sido uma característica do setor financeiro nas últimas sessões. Em Nova York, os principais índices, como S&P 500 e Nasdaq, mostraram recuperação, influenciados por um melhor entendimento do mercado sobre o setor de tecnologia e os investimentos em inteligência artificial.
João Paulo Fonseca, responsável pela renda variável na HCI Advisors, destacou que no começo do pregão a variação do Ibovespa foi de quase 2 mil pontos e que as ações de mineração e siderurgia seguiram o bom desempenho dos preços do minério na Ásia.
A Vale continuou em alta, com a quinta valorização consecutiva, ajudando a conter as perdas do índice naquela sessão, enquanto Petrobras apresentou variação quase nula. No lado negativo, o varejo foi o principal destaque em queda, com ações de empresas como Grupo Pão de Açúcar, Assai e Magazine Luiza sofrendo perdas significativas, esta última com queda de 6,32%.
No cenário internacional, a expectativa está voltada para os resultados trimestrais da Nvidia, que serão divulgados após o fechamento do mercado em Nova York, em um momento de incertezas quanto aos investimentos em inteligência artificial. No âmbito doméstico, os investidores seguem atentos às pesquisas eleitorais, com presidente Lula registrando uma queda nas intenções de voto, o que traz um clima de cautela para o mercado.
dólar
O dólar apresentou a quinta queda consecutiva, fechando abaixo de R$ 5,15, o menor valor desde maio de 2024. A melhora nas pesquisas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro fortalece a tendência de queda da moeda americana em relação ao real.
Apesar de uma leve alta no início da tarde, o dólar continuou em baixa e encerrou o dia cotado a R$ 5,1252. No ano, a moeda americana já recuou 6,63% frente ao real.
Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercados da Azimut Brasil Wealth Management, aponta que o ambiente externo continua favorável ao real, com o dólar em desvalorização global e aumento do interesse por investimentos em ativos de mercados emergentes.
Além disso, medidas como a redução das tarifas recíprocas autorizadas pelos EUA e um aumento recente na entrada de recursos financeiros no país reforçam a valorização do real.
O aumento na desaprovação do presidente Lula e o fortalecimento do candidato da oposição trazem positividade ao prêmio de risco do país, abrindo espaço para um possível impacto positivo na dinâmica dos ativos nacionais.
juros
No mercado de juros futuros, as taxas apresentaram apenas uma pequena alta apesar de um cenário externo mais favorável, influenciado pela pesquisa eleitoral que mostrou um empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Investidores também aguardam o leilão de prefixados do Tesouro Nacional e a divulgação do IPCA-15 de fevereiro para ajustar suas posições. Nos EUA, o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano limitou a queda das taxas aqui.
O gestor de renda fixa de uma grande asset destacou que o movimento do mercado foi mais contido devido à antecipação de pesquisas e à ausência de fatores novos relevantes.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, assinala que a possibilidade de vitória da oposição já era esperada e que dúvidas ainda persistem quanto ao candidato Flávio Bolsonaro, que contrasta com a postura do atual governo.
Enquanto isso, o mercado segue atento aos desdobramentos políticos e às medidas econômicas, com incertezas influenciando as decisões dos investidores.
Em resumo, o cenário econômico e político brasileiro está bastante dinâmico, impactando diretamente o desempenho do Ibovespa, do dólar e das taxas de juros, com o mercado reagindo às movimentações políticas, às variações das commodities e aos indicadores globais.

