CATARINA SCORTECCI
FOLHAPRESS
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, conhecido como Ibama, multou o governo do Paraná em mais de R$ 2,5 milhões devido à poluição no litoral estadual. A multa está relacionada ao uso de sacos plásticos cheios de areia, que foram colocados para conter um desnível de até dois metros na praia de Matinhos, Paraná, ocorrido no início deste ano.
Alguns desses sacos se soltaram e foram encontrados espalhados em vários pontos da costa. O Ibama registrou que sacos chegaram a ser encontrados em Guaratuba, cidade próxima a Matinhos, e até na divisa com o estado de São Paulo, dentro do Parque Nacional do Superagui.
Segundo o relatório do Ibama, a equipe constatou que muitos sacos plásticos foram levados pelo mar e estavam dispersos por diferentes áreas da praia, longe do local onde foram originalmente colocados.
Os fiscais também notaram a morte de pequenos crustáceos na manta usada para fixar os sacos, o que indica um impacto ambiental negativo.
O Instituto Água e Terra (IAT), órgão do governo do Paraná, informou que as denúncias do Ibama estão sendo avaliadas e que vai apresentar uma defesa contra a penalidade imposta.
De acordo com o IAT, mais de 90% dos sacos plásticos que se soltaram foram recolhidos, e a empresa responsável pela instalação, a Zuli Construtora de Obras, recebeu multas estaduais de R$ 300 mil e R$ 30 mil relacionadas ao incidente.
Everton Souza, diretor-presidente do IAT, declarou que a empresa teve uma proposta que parecia eficiente, porém a execução apresentou problemas que foram corrigidos rapidamente.
Por outro lado, os fiscais do Ibama afirmam que a qualidade dos materiais usados e os métodos para fixá-los foram claramente inadequados para a função.
Os sacos plásticos são feitos de materiais não biodegradáveis, como o polipropileno, um tipo de plástico que com o tempo se fragmenta e gera microplásticos, prejudicando o meio ambiente.
O Ministério Público Federal requisitou uma perícia para determinar o tipo exato do plástico utilizado e avaliar os riscos à vida marinha e humana.
O desnível na praia, chamado de “paredão de areia”, estava próximo ao palco montado para shows promovidos pelo governo do Paraná durante a temporada de veraneio.
Há mais de três anos, a faixa de areia em Matinhos foi ampliada com a adição de mais de 3 milhões de metros cúbicos de areia, uma medida contra a erosão costeira.
Além da multa pela poluição plástica, o Ibama aplicou uma penalidade de aproximadamente R$ 30 mil ao governo por danos à restinga, uma vegetação típica da orla, próxima ao local dos shows. A vistoria, realizada a pedido do Ministério Público Federal, constatou a degradação em cerca de 700 metros quadrados da restinga.
Everton Souza destacou que a área estava isolada e sinalizada, mas relatos indicam que a população não respeitou o local durante o primeiro show do DJ Alok, que reuniu mais de 300 mil pessoas. Após esse evento, a segurança na área foi reforçada e não houve mais danos nos shows seguintes.

