BÁRBARA SÁ
FOLHAPRESS
Uma jovem de 20 anos foi agredida com socos pelo ex-companheiro dentro de um elevador em Guarulhos, na Grande São Paulo, na última segunda-feira (16). O agressor foi preso, mas acabou sendo liberado após audiência de custódia.
Segundo informações do Tribunal de Justiça de São Paulo, o homem foi identificado como Ronaldo Ferreira. Na audiência realizada na terça-feira (17), a Justiça concedeu sua liberdade provisória, com algumas condições.
Entre as restrições impostas estão o afastamento da casa da vítima, a proibição de se aproximar a menos de 300 metros, de manter contato com a mulher, seus familiares e testemunhas por qualquer meio, além da obrigação de comparecer aos atos do processo e manter o endereço atualizado.
A polícia e a Justiça não informaram se o acusado tem advogado ou se é assistido pela Defensoria Pública, e a reportagem não conseguiu contato com a defesa.
O Tribunal de Justiça informou que os documentos do caso estão sob segredo de Justiça, por isso mais detalhes não foram divulgados.
Imagens de câmeras de segurança gravaram o ataque. Nas imagens, a vítima é vista passando pela catraca de um prédio e entrando no elevador no esforço de escapar do agressor, que a persegue e alcança antes que a porta se feche.
O homem começa a dar vários socos na mulher, que cai no chão, e o ataque só para quando outra mulher aparece e impede que a violência continue.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 13,1% das mulheres mortas já tinham proteção judicial no momento do crime. O levantamento, divulgado em 4 de março, analisou 1.127 casos de feminicídio em 16 estados entre 2023 e 2025. Em 148 situações, a vítima já tinha uma decisão protetiva, mas isso não impediu que o crime acontecesse.
Esse cenário mostra a distância entre as leis criadas para proteger as mulheres, como a Lei Maria da Penha, que completará 20 anos em 2026, e a verdadeira aplicação dessas leis. Especialistas dizem que a falta de recursos e a má integração entre as instituições responsáveis são causas dessa falha.
