A Casa Branca confirmou nesta terça-feira (27/10) que os Estados Unidos emitirão vistos para o senador Flávio Bolsonaro e seus familiares, permitindo a entrada deles no país. Essa confirmação segue declarações do advogado mexicano Simón Levy, aliado de Trump, que afirmou que o governo republicano autorizou a concessão de asilo político ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma autoridade do Departamento de Estado informou que os vistos foram emitidos para Flávio Bolsonaro e sua família, mas ressaltou que a emissão de vistos não significa que o senador tenha recebido asilo político, pois são procedimentos distintos. Até o momento, não há confirmação oficial sobre um pedido ou concessão de proteção internacional.
Mais cedo, Simón Levy publicou em redes sociais que o governo americano havia autorizado o asilo político para Flávio Bolsonaro e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por conduzir o Brasil rumo a um regime autoritário. No entanto, a Casa Branca não confirmou essa informação, limitando-se a falar sobre a emissão dos vistos.
A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil provocou uma reunião emergencial do Partido Liberal (PL) nesta terça-feira na sede do partido, em Brasília. Nem todos os membros tinham ciência da decisão do senador. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, estiveram envolvidos nas articulações.
Inicialmente, Rogério Marinho negou que Flávio Bolsonaro tivesse deixado o país, mas depois foi informado que o senador embarcou para a Flórida. Essa viagem ocorreu após uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que o senador entregasse seus passaportes em 24 horas e proibiu sua saída do Brasil. Como não cumpriu a ordem, a Polícia Federal cancelou os documentos, mas Flávio não é considerado foragido, pois não há mandado de prisão contra ele.
Flávio Bolsonaro está sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro em um inquérito envolvendo o advogado Willer Tomaz, e nega as irregularidades. A saída do senador ocorre dois dias após a derrota nas eleições presidenciais para Luiz Inácio Lula da Silva, e após o resultado, ele chegou a anunciar que pediria a anulação da eleição, apesar do seu partido ter reconhecido o resultado.
Em texto intitulado “Operação Alba”, publicado na segunda-feira (26/10), Simón Levy declarou que Flávio Bolsonaro deve liderar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos, e afirmou que o senador já está em segurança no país. Também mencionou que o senador contará com apoio político na América Latina para essa missão, mas não entrou em detalhes sobre as ações a serem tomadas.


