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domingo, 07/06/2026

Governo Prioriza Usinas Poluentes em Megaleilão de Energia

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Em Brasília

João Gabriel
Folhapress

O Ministério de Minas e Energia optou por dar mais destaque às usinas termelétricas e hidrelétricas no megaleilão de energia que contratou R$ 515 bilhões para reserva de capacidade, contrariando um estudo técnico feito em 2023 pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) que recomendava priorizar baterias.

Esse leilão tem sido alvo de questionamentos na Justiça Federal e no Tribunal de Contas da União devido à mudança em sua base de cálculo, que fez o custo total da energia contratada dobrar em apenas três dias, e pela preferência por usinas movidas a combustíveis fósseis, como carvão e gás, em lugar de fontes renováveis.

O estudo da EPE, órgão ligado ao ministério, feito em 2023, indicava que o uso de baterias seria uma melhor alternativa, criticando as termelétricas. Em resposta, o ministério explicou que pretende realizar um leilão específico para baterias ainda este ano, considerando que essa tecnologia é relativamente nova e que a demanda por energia, especialmente devido a novos centros de dados, aumentou desde o estudo.

Segundo o ministério, a maior demanda de energia torna necessário incentivar fontes que possam fornecer potência constante ao sistema elétrico. O problema que justificou o leilão é a alta demanda de energia no fim da tarde e início da noite, momentos em que a geração solar e eólica é baixa, exigindo uma reserva de capacidade para ser acionada quando necessário.

O primeiro leilão desse tipo ocorreu em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2023, a EPE já havia planejado uma segunda edição para melhorar a contratação e incluir tecnologias que ajudem na transição para uma economia mais limpa, como o armazenamento por baterias, que captura energia excedente durante o dia para uso nos horários de maior consumo.

Apesar de serem promissoras, as baterias ainda enfrentam desafios como o alto custo de instalação e dependência de componentes importados. A EPE reconhece, entretanto, que esses custos vêm diminuindo e que a tecnologia pode suprir as necessidades de capacidade previstas para o leilão.

No entanto, o leilão realizado em março de 2026 acabou priorizando usinas termelétricas fósseis, que receberam contratos para 17 GW, e hidrelétricas, que ficaram com 2 GW. Uma pequena parte do setor de biocombustíveis foi contemplada em um pregão separado. O custo do leilão pode aumentar a conta de luz em até 10%.

Defensores do leilão afirmam que a preferência pelas termelétricas foi motivada pela urgência devido à situação dos reservatórios das hidrelétricas, que podem causar desabastecimento já em 2026. Usinas a gás estão previstas, mas o certame incluiu também carvão, uma fonte mais poluente e em desuso no Brasil, inclusive importado, com contratos de até 15 anos.

Críticos apontam que a demora do governo em realizar o leilão em 2024 ou 2025 contribuiu para a necessidade de priorizar essas fontes, pois isso teria dado mais tempo para a implantação das baterias.

O estudo da EPE enfatizava a importância de integrar fontes renováveis com sistemas de armazenamento para aproveitar o excesso de energia gerado nos horários de pico. A empresa defende a entrada de novas tecnologias e reconhece que as termelétricas possuem custos altos e elevada taxa de desperdício, além de exigirem tempo mínimo de operação mesmo quando a demanda é menor.

Além disso, a expansão das usinas hidrelétricas é recomendada como fonte limpa, apesar dos impactos ambientais causados pelo alagamento de grandes áreas.

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