CRISTIANE GERCINA
FOLHAPRESS
O governo federal não vai oferecer ajuda financeira para as empresas por causa do fim da escala 6×1, informou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
“Não acho que para a mudança na jornada de trabalho tenha que haver algum tipo de apoio financeiro”, declarou ele durante um encontro com sindicatos patronais do setor de serviços, na sexta-feira (13), na sede do Sescon (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas).
A fala do ministro veio após pedidos dos sindicatos para algum tipo de alívio fiscal para os setores que serão mais afetados pela redução da jornada semanal, que o Congresso discute. A proposta é diminuir de 44 para 36 horas semanais.
O governo apoia a redução para 40 horas. “Não é possível falar em 36 horas agora, em 2026. Podemos pensar em 40 horas e planejar quando podemos chegar às 36”, explicou.
Empresários pedem para adiar as conversas ou buscam alguma compensação, baseados em estudos que indicam aumento de custos.
Pesquisa do FGV-Ibre, feita por Daniel Duque, mostra que diminuir a jornada sem reduzir o salário aumenta o custo por hora trabalhada, fazendo as empresas aumentarem preços e gerando mais desemprego.
Esse estudo prevê perda de cerca de 638 mil empregos formais, com maior impacto em construção, comércio e agropecuária, e queda de 0,7% no PIB. Para o ministro, a redução compensa porque melhora o ambiente de trabalho, diminuindo faltas, doenças e acidentes, além de aumentar satisfação, qualidade e produtividade.
Outro estudo do FGV/Ibre, feito por Fernando de Holanda Barbosa e Paulo Peruchetti, indica queda de 6,2% no PIB se a jornada passar de 44 para 36 horas semanais. Como a produtividade do brasileiro cresce 0,5% ao ano, os custos levariam tempo para serem absorvidos.
Marinho citou esses estudos para defender a redução, afirmando que os custos das empresas subirão 4,7%, enquanto a produtividade crescerá 8,1%.
Ele também não vê problema em votar a redução da jornada em ano eleitoral, respondendo ao pedido de adiamento feito pelos sindicatos. Segundo ele, a decisão está com o Congresso, não com o governo.
“Há uma necessidade e um pedido dos trabalhadores para diminuir a jornada. Por que esperar para o ano que vem se pode ser feito agora? Quem quiser votar contra, que vote contra”, afirmou.
A posição do governo é reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com duas folgas semanais, deixando para negociação coletiva a definição dos dias trabalhados. Já a possível redução para 36 horas seria feita futuramente, de forma gradual.
Marinho disse que empresas que funcionam 24 horas por dia, todos os dias do ano, podem solucionar suas demandas por acordo coletivo.
