O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontra-se isolado após não reconhecer o resultado das eleições presidenciais brasileiras, que deram a vitória ao petista no último domingo (25/10). Auxiliares do Executivo federal afirmam que o resultado da votação é legítimo e apoiado por líderes internacionais, partidos brasileiros — como o PL, partido do candidato derrotado, Flávio Bolsonaro — e representantes dos poderes Legislativo e Judiciário.
Além dos Estados Unidos, países como Argentina e Israel, aliados de Trump, não reconheceram oficialmente a vitória de Lula. O único chefe de Estado sul-americano a não cumprimentar o presidente brasileiro reeleito foi Javier Milei, enquanto outros líderes de direita na região enviaram suas felicitações.
O governo considera que, principalmente devido à ampla vitória de Lula, que somou 64 milhões de votos contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro, não há espaço para dúvidas legítimas sobre o processo eleitoral no Brasil.
A administração do presidente Lula também se sente mais fortalecida em comparação ao ano anterior, quando enfrentou uma crise econômica desencadeada por ações relacionadas à ala bolsonarista. A derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro e suas tentativas de contestar os resultados enfraqueceram sua influência política no exterior.
Após deixar o Brasil em 27 de outubro, Flávio Bolsonaro publicou uma carta nos Estados Unidos na qual se declarava “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas posteriormente modificou o texto para se apresentar apenas como “líder do Brasil”. O documento contém acusações sem provas sobre fraudes eleitorais e críticas ao Judiciário, além de afirmar que pretende liderar a oposição ao governo brasileiro a partir do exterior.
Na quinta-feira (29/10), Donald Trump voltou a criticar as eleições brasileiras, chamando o pleito de “desgraça”. O ex-presidente republicano disse que pretende conversar com Lula, mas evitou dizer quem reconhece como legítimo presidente do Brasil. Até o momento, não há um pedido oficial para uma ligação entre os dois líderes. Eles podem se encontrar durante a Cúpula do G20, prevista para dezembro nos Estados Unidos.
O senador Flávio Bolsonaro saiu derrotado nas eleições com 48,21% dos votos contra 51,79% de Lula. O resultado foi aceito pela oposição, pelo Tribunal Superior Eleitoral e por observadores internacionais. O sistema eleitoral brasileiro é considerado um dos mais seguros do mundo.
Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o presidente Lula não deve comentar o ocorrido para evitar que o assunto desgaste o governo federal. A orientação é que ministros e auxiliares evitem elevar o tom em relação à fuga de Flávio Bolsonaro, que é considerada uma questão da Justiça e da Polícia Federal.
O governo não pretende tomar medidas diplomáticas imediatas e aguarda a eleição de meio de mandato nos Estados Unidos, marcada para 3 de novembro, para avaliar a situação. Apesar das diferenças ideológicas, acredita-se que os dois países mantenham interesses comuns em comércio e segurança, que devem ser prioridade no mandato de Lula. O pragmatismo também deve prevalecer na relação com a Argentina.
Fonte: Metrópoles.

