O jornal americano The Washington Post publicou um editorial destacando que a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos evidencia dificuldades na democracia do Brasil.
Segundo o editorial, perder uma eleição não deveria levar candidatos a fugir do país, mas isso aconteceu com Flávio Bolsonaro, que chegou a Miami poucos dias após sua derrota no segundo turno da eleição presidencial brasileira, temendo uma possível prisão.
O texto, intitulado “Quando juízes se tornam promotores”, afirma que, embora a fuga não comprove a inocência do senador do PL em processos criminais, o fato de Flávio não acreditar que terá um julgamento justo é uma crítica séria à segunda maior democracia das Américas.
O jornal também questiona a concentração excessiva de poder no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ministros acumulam os papéis de investigadores, acusadores e julgadores, principalmente em casos relacionados a ataques à democracia e a desinformação.
É citado nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, responsável pela decisão de apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro. Em 2024, Moraes foi além ao ordenar o bloqueio da rede social X no Brasil, além de exigir que Apple e Google dificultassem o acesso à plataforma por meio de aplicativos que burlassem a proibição.
O editorial classifica essa decisão como um ataque direto à liberdade de expressão, situando o Brasil em uma lista de países com restrições severas, ao lado de China, Irã e Turcomenistão.
Além disso, a concentração de poderes no STF ameaça a confiança no sistema de justiça e gera instabilidade para cidadãos e investidores. O Estado de Direito exige que a autoridade seja baseada em leis, com procedimentos claros, recursos eficazes e punições justas, protegendo os acusados.

