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Governo de Hong Kong estuda limitar acesso à Internet

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Enquanto houver meios de reprimir os distúrbios, o governo não poderá descartar a possibilidade de proibir a Internet”, diz deputado pró-Pequim

Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.
(foto: Philip Fong/AFP)

O governo de Hong Kong planeja limitar o acesso à Internet, afirmou um membro do conselho executivo à AFP nesta segunda-feira (7), três dias depois de o uso de máscaras ter sido proibido nas manifestações, medida que, no entanto, alimentou os protestos.

“Enquanto houver meios de reprimir os distúrbios, o governo não poderá descartar a possibilidade de proibir a Internet”, disse à AFP Ip Kwok-ele, membro do conselho executivo e deputado pró-Pequim.

A Internet é uma ferramenta indispensável para o movimento pró-democracia, que usa fóruns on-line e mensagens criptografadas para organizar suas ações de protesto.

No entanto, Ip, que é membro do órgão consultivo da chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, enfatizou que restringir o acesso à Internet pode ter consequências terríveis para Hong Kong.

“Acho que uma das condições para a implementação da proibição da Internet seria que isso não afete as empresas de Hong Kong”, acrescentou.

O anúncio acontece após três dias seguidos de “flashmobs” (ações relâmpago) e concentrações não autorizadas, das quais milhares de pessoas participaram no território semiautônomo.

Alguns manifestantes radicais vandalizaram escritórios do governo, bem como filiais de vários bancos e estações de metrô da China. Grande parte da rede metroviária foi suspensa por três dias.

Empresas com vínculos com a China também foram atacadas, como agências de bancos chineses.

A mobilização se tornou especialmente violenta depois que, na sexta-feira, Carrie Lam decidiu recorrer a uma lei de emergência para proibir o uso de máscaras nos protestos.

A medida agitou os ânimos, e milhares de pessoas desafiaram a proibição, manifestando-se com o rosto coberto.

Lei injusta

Nesta segunda, as duas primeiras pessoas que tentaram violar a proibição, um estudante e uma mulher de 38 anos, compareceram perante um tribunal em Hong Kong.

A sala estava cheia de militantes, que usavam máscaras. Os dois detidos foram acusados de manifestação ilegal, fato pelo qual podem ser condenados a três anos de prisão, assim como por terem violado a proibição de usar máscara em uma mobilização pública, sujeitos a mais um ano atrás das grades.

Ambos foram soltos sob fiança. Fora do tribunal, os manifestantes entoavam slogans como “usar máscara não é crime” e “a lei é injusta”.

Muitos opositores temem que essa proibição seja o prelúdio para a adoção de novas medidas de emergência por parte das autoridades.

“É uma desculpa para introduzir outras leis totalitárias, e a próxima será a lei marcial”, disse um manifestante, Lo, à AFP em frente ao tribunal.

Tuíte polêmico

Desde 1º de outubro, a mobilização se intensificou. Os piores confrontos até agora ocorreram nesta data, quando a República Popular da China comemorou o 70º aniversário de sua fundação.

Naquele dia, pela primeira vez, um policial disparou uma bala de verdade contra um estudante de 18 anos, que ficou gravemente ferido.

Durante o fim de semana, os manifestantes se concentraram nos bairros do centro da ilha de Hong Kong e, do outro lado da baía, na península de Kowloon, apesar das fortes chuvas.

Na China, a indignação tomou conta do país após um tuíte do gerente da equipe de basquete americana do Houston Rockets, apoiando o povo de Hong Kong.

O tuíte foi removido e, nesta segunda-feira, James Harden, jogador do Houston Rockets, apresentou suas desculpas.

Mesmo assim, a emissora pública chinesa CCTV anunciou que suspenderá a transmissão dos jogos da equipe da NBA.

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Turquia acusa curdos de libertar presos ligados ao Estado Islâmico

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Comunidade internacional se preocupa com a possibilidade de essa ofensiva militar contra as milícias curdas gerar um ressurgimento do Estado Islâmico

Turquia: país invadiu a Síria e atacou cidades curdas que mantinham prisioneiros do Estado Islâmico (Anadolu Agency / Colaborador/Getty Images)

Ancara — A Turquia acusou nesta segunda-feira as milícias curdas – as quais enfrenta desde a quarta-feira passada no nordeste da Síria – de terem esvaziado uma prisão na qual estavam reclusos membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O ministro da Defesa turco, Hulusi Akar, afirmou que as tropas do país encontraram vazia uma prisão de integrantes do EI no território sírio a leste do rio Eufrates. Essa região, que a Turquia já controla, tem aproximadamente 109 quilômetros quadrados.

Em entrevista à concedida imprensa em Ancara, Akar acusou as milícias Unidades de Proteção do Povo (YPG) – que fazem parte das Forças Democráticas Sírias (FDS) – de terem esvaziado essa prisão e levado os reclusos.

“Quando fomos lá, vimos que as YPG a tinham esvaziado e tinham levado os membros do EI. Filmamos, tiramos fotos e discutimos com alguns interlocutores”, declarou o ministro, sem especificar com quem as imagens foram compartilhadas.

A prisão em questão está localizada em Tell Abiad, cidade síria que faz fronteira com a Turquia e desde ontem está sob o controle do Exército turco.

“As forças turcas entraram hoje na prisão de Tell Abiad esperando tomar a custódia dos detidos do EI. As YPG libertaram os militantes do EI em uma tentativa de alimentar o caos na área. Uma análise legista do lugar revela que os internos não romperam nenhuma porta”, explicou a fonte.

As FSD informaram neste domingo a fuga de aproximadamente 800 membros do EI após um ataque turco que atingiu o centro de detenção no qual estavam reclusos no nordeste da Síria.

A comunidade internacional se preocupa com a possibilidade de essa ofensiva militar contra as milícias curdas gerar um ressurgimento do Estado Islâmico.

As YPG foram aliadas da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos no combate ao EI durante mais de quatro anos. No entanto, a Turquia as considera terroristas devido aos vínculos com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha curda que atua em território turco. EFE

 

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Dívida, corrupção e Venezuela dominam debate presidencial na Argentina

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O presidente Mauricio Macri, o peronista Alberto Fernández e outros quatro candidatos participaram do primeiro debate presencial

Eleições: Fernández obteve 17 pontos de vantagem sobre Macri nas primárias em 11 de agosto (Ricardo Ceppi / Correspondente/Getty Images)

A elevada dívida argentina, a corrupção e a crise na Venezuela concentraram os ataques entre o presidente liberal Mauricio Macri e o peronista Alberto Fernández, durante o primeiro debate no domingo entre os seis candidatos à presidência.

“Quando o mandato terminar, ele terá deixado 5 milhões de novos pobres”, atacou o candidato de centro-esquerda Fernández, favorito para vencer as eleições de 27 de outubro.

“Um lugar onde o governo Macri fracassou categoricamente foi na economia”, disse ele em tom ofensivo.

Fernández, cuja vice é a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), obteve 17 pontos de vantagem sobre Macri nas primárias em 11 de agosto e, segundo as pesquisas, expandiu a diferença desde então.

“Sei que no último ano o ônus foi muito grande, especialmente para a classe média. Estamos no ponto de partida para começar a crescer”, defendeu-se Macri, que aspira a um segundo mandato após quatro anos de governo.

Eleições Argentina: primeiro debate presidencial

O presidente encerra seu mandato com uma economia endividada e em recessão, com inflação anual de 30% em agosto e pobreza de 35,4%, o nível mais alto desde o colapso econômico de 2001.

Fernández não deu detalhes sobre qual será seu plano econômico. Ao mesmo tempo, muitos argentinos temem que ele seja um “fantoche” de Cristina Kirchner.

Macri implementou uma política de ajuste fiscal que incluiu demissões, cortes de subsídios, aumento de taxas de serviço público e impostos.

O resultado do ajuste tem sido um aumento do desemprego (10,6%) e da pobreza, com uma inflação anual estimada de 55% para 2019 e uma queda na economia de 2,5% para este ano.

O peso depreciou 68% desde janeiro de 2018 e as taxas de juros superaram 80%, das mais altas do mundo.

“Esses debates são conquistados mais pela atitude do que pelo conteúdo”, disse a analista política Analía del Franco.

Fernández “se destacou mais por ter uma atitude ativa e surpreendeu por ter partido para a ofensiva enquanto Macri acabou nervoso e com raiva”, afirmou.

Dívida e corrupção

Desde que Macri tomou posse, a dívida pública cresceu, incluindo com um empréstimo de 57 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI) que o governo tomou em 2018 e que agora busca refinanciar.

A dívida chega a 383 bilhões de dólares, quase o total da receita bruta nacional, segundo consultorias.

“Dos 39 bilhões de dólares dados pelo Fundo (FMI), 30 bilhões escaparam, os amigos do presidente os levaram e um dia ele terá que explicar à Argentina para onde foram esses dólares que não estão em pontes ou em casas”, afirmou Fernández no debate realizado na Universidade Nacional del Litoral, em Santa Fe. O segundo será no próximo domingo, na capital argentina.

“Fico feliz e surpreso que a Frente de Todos fale de corrupção. E também que Alberto Fernández diga que eu destruí a economia quando, até muito recentemente, dizia que a presidente Kirchner a destruiu”, respondeu Macri.

“Reconhecemos o presidente Juan Guaidó. Ser neutro é sinônimo de apoio à ditadura de (Nicolás) Maduro”, disse Macri.

Guaidó, presidente do Parlamento venezuelano, proclamou-se presidente interino em janeiro e é reconhecido como tal por mais de 50 países que consideram a reeleição de Maduro fraudulenta.

Fernández respondeu: “A Venezuela tem problemas. Mas, ao contrário do presidente, quero que os venezuelanos resolvam o problema. Espero que nenhum soldado argentino acabe nas terras venezuelanas”.

Os demais candidatos são Nicolás Del Caño, da Frente de Esquerda; José Luis Espert, da frente direita Unite; Juan José Gómez Centurión, do direitista Nos, e Roberto Lavagna, do centrista Consenso Federal.

Nas primárias, Fernández obteve 47,78% dos votos e Macri 31,79%. Se em 27 de outubro Fernández exceder 45%, será consagrado o futuro presidente.

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“Sim, é possível”, comemoram indígenas após acordo com governo do Equador

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Depois de 11 dias de intensos protestos, o governo do Equador recuou e elaborará um decreto para substituir o pacote de austeridade

Equador: governo e liderança indígenas fazem acordo após grandes manifestações (Getty Images / Correspondente/Getty Images)

Quito — Milhares de equatorianos lotaram as ruas de Quito na noite de domingo para festejar o acordo entre o governo e os indígenas, que deu fim aos 11 dias de violentos protestos ocasionados pela eliminação do subsídio aos combustíveis.

Famílias inteiras, inclusive com crianças de pijama e com bebês nos braços, saíram às ruas em passeata. No parque de El Arbolito, epicentro dos distúrbios na capital, milhares de manifestantes gritavam insistentemente: “Sim, é possível”.

Ficaram para trás os dias de batalha campal contra as forças de segurança, conflitos marcados por pneus em chamas, cortinas de fumaça e muito gás lacrimogêneo.

Na região que deu lugar à festa, os manifestantes começaram a recolher as barricadas que serviram de proteção, especialmente nos últimos dias, quando os protestos se tornaram ainda mais violentas e com forte repressão policial.

Centenas de indígenas festejaram a “vitória da luta popular” no lado de fora da Casa de Cultura – centro cultural dirigido pelo governo – com bailes nos quais mostravam suas lanças e faziam soar os tambores aos gritos de: “O povo unido, jamais será vencido”.

“Viva a união do povo organizado”, gritavam ao mesmo tempo que tocavam instrumentos ancestrais.

O festejo foi sentido tanto dentro como fora da Casa de Cultura, ponto de encontro dos indígenas desde a segunda-feira passada, quando milhares chegaram do interior do país para protestar contra o aumento dos preços dos combustíveis.

A festa tomou conta das ruas de Quito pouco após o governo anunciar que elaborará um decreto para substituir o 883, que provocou os protestos, em um acordo com o movimento indígena alcançado com a mediação da ONU e da Conferência Episcopal.

 

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