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quarta-feira, 18/03/2026




Governo compra energia equivalente a mais de uma Itaipu em maior leilão do ano

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Em Brasília

PEDRO LOVISI
FOLHAPRESS

O governo federal comprou nesta quarta-feira (18) 19 GW (gigawatts) de energia térmica e hidráulica para garantir o abastecimento do sistema elétrico do país em momentos de baixa geração, especialmente no começo da noite, quando a energia solar deixa de produzir e a demanda aumenta. Essa contratação ocorreu durante o maior leilão de reserva de capacidade realizado este ano no setor.

Desse total, 16,5 GW virão de termelétricas que usam gás natural e carvão mineral, e 2,5 GW de hidrelétricas. No caso das termelétricas, haverá contratação tanto de usinas novas quanto das já existentes. Para as hidrelétricas, toda a energia será proveniente da ampliação de usinas já em operação. O governo deve divulgar em breve o percentual entre usinas novas e existentes.

O investimento previsto para as obras relacionadas ao leilão é de R$ 64,5 bilhões. Por outro lado, a compra dessa energia implicará em um custo de R$ 515,7 bilhões para os consumidores enquanto os contratos estiverem ativos, o que corresponde a cerca de R$ 39 bilhões por ano.

A contratação superou com folga as expectativas dos especialistas, que antes do leilão esperavam algo entre 5 GW e 10 GW. Para comparação, a energia adquirida é 1,4 vezes maior que a capacidade instalada da usina de Itaipu.

O desconto médio obtido no leilão foi de 5,52%, menor que os 15,34% do último leilão de reserva de capacidade realizado em 2021. Analistas acreditam que isso pode ter ocorrido devido à divisão do leilão entre várias fontes, o que tende a reduzir a competição.

O fornecimento da energia contratada começa em agosto deste ano, com termelétricas já em operação. A cada ano, até 2031, mais energia térmica será incorporada ao sistema elétrico do país. De 2028 a 2031, a eletricidade poderá também vir de termelétricas novas movidas a gás natural. No caso das hidrelétricas, a entrega será feita em 2030 e 2031, através da ampliação de usinas já existentes. Os contratos para as térmicas terão duração de dez anos, enquanto para as hidrelétricas serão de 15 anos.

Entre as principais vencedoras do leilão estão a Eneva, ligada ao banco BTG Pactual, e a Petrobras.

Esse leilão é considerado essencial para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro, que atualmente enfrenta excesso de energia em certos períodos do dia e falta em outros. A energia contratada tem o objetivo de suprir essas faltas. Como as termelétricas não dependem das condições climáticas para gerar energia, elas são vistas como uma fonte que traz estabilidade à rede elétrica.

Após o leilão, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou: “Realizamos o maior leilão de térmicas da história do país; é um leilão que assegura não apenas a segurança energética, mas também preços justos, pois, sem o parque térmico contratado, dependemos da contratação emergencial, que é mais cara, como ocorreu em 2021”. Naquele ano, o governo precisou usar termelétricas sem contrato devido a uma seca severa.

Nos meses que antecederam o leilão, houve diversas discussões e até ações judiciais. A competição estava prevista para junho do ano passado, mas foi adiada para abril deste ano após contestações de empresas interessadas.

Uma controvérsia recente ocorreu no mês passado, quando o Ministério de Minas e Energia divulgou os preços máximos para a contratação das térmicas a gás natural. Na ocasião, especialistas consideraram os valores muito baixos em relação ao mercado, o que fez as ações das empresas do setor caírem e levantou dúvidas sobre a concorrência do leilão.

O governo voltou atrás e, três dias depois, aumentou os preços — em alguns casos, até duplicou. Essa mudança chamou a atenção do TCU (Tribunal de Contas da União), que identificou falhas metodológicas nos preços, mas decidiu não alterar a data do leilão.

Este texto está em atualização.




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