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sábado, 14/03/2026




Governo alerta sobre riscos ao mercado financeiro com designação do PCC e CV como terroristas

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Em Brasília

RICARDO DELLA COLETTA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O governo do presidente Lula (PT) está preocupado com a possibilidade dos grupos PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) serem classificados como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos, sob administração de Donald Trump. Essa decisão pode colocar empresas brasileiras e o sistema financeiro nacional sob risco de sanções unilaterais americanas.

Essa classificação é uma ação administrativa dos EUA e não precisa de autorização judicial, o que dá ao governo americano ampla liberdade para agir. Além disso, as regras podem ser aplicadas em áreas fora do território americano, afetando diretamente o Brasil.

Fontes do governo Lula destacam que as leis antiterrorismo dos EUA punem não apenas as organizações em si, mas também pessoas e instituições financeiras que estejam ligadas ou tenham conhecimento de fundos relacionados a essas facções criminosas.

Essa situação pode afetar entidades financeiras brasileiras que, mesmo sem saber da origem ilícita de recursos que movimentaram, podem ser penalizadas pelos Estados Unidos, o que causa preocupação ao governo brasileiro.

O custo para operar no mercado financeiro pode subir, pois as instituições terão que reforçar seus controles para evitar riscos de conexão com essas organizações.

No último dia 8, o portal UOL divulgou que o governo de Donald Trump deve classificar o PCC e o CV como grupos terroristas, o que gerou inquietação no governo Lula. O Planalto está tentando negociar com os americanos para adiar essa decisão, ao menos até uma possível reunião entre os dois presidentes, ainda sem data definida.

O governo brasileiro argumenta que essa designação pode prejudicar vários aspectos da cooperação bilateral entre Brasil e EUA, afetando principalmente a economia e a competitividade do país no cenário global.

Além disso, houve um episódio recente que deixou as relações mais tensas: a decisão do presidente Lula de vetar a entrada de um assessor do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, que desejava se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. Segundo o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, essa visita poderia ser vista como interferência política em ano eleitoral.

Em resposta, o presidente Lula revogou o visto de Darren Beattie até que fosse permitida a entrada do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que está sancionado pelo Departamento de Estado dos EUA por sua ligação com o programa Mais Médicos.

Essa reação do governo brasileiro surpreendeu as autoridades americanas, que podem tomar alguma medida em resposta, ainda indefinida.

Apesar da tensão, Lula mantém a intenção de continuar o diálogo com Donald Trump e aguarda marcar uma reunião, possivelmente em abril, para discutir esse e outros temas importantes para a relação bilateral.




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