Brasília – O ministro Luiz Fux requisitou ao setor técnico do Supremo Tribunal Federal (STF) o acesso a investigações sigilosas que estão sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes. Essas investigações envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Entre elas estão os inquéritos sobre fake news, a participação de grupos digitais ilegais e a trama golpista que resultou na condenação do ex-presidente.
A decisão de Fux foi tomada poucos dias depois de integrantes da liderança da Polícia Federal se reunirem com Moraes no STF. Em 7 de maio, estiveram no gabinete do ministro o diretor geral da PF, Andrei Rodrigues, o diretor da Divisão de Crime Organizado, Dennis Cali, e o diretor de inteligência, Leandro Almada. Nem a Polícia Federal nem o Supremo revelaram o motivo do encontro.
O pedido de Fux ocorreu em resposta a uma ação movida pelo partido Progressistas (PP), que apoia a candidatura do filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro. A ação, apresentada em 2024, questiona a legalidade das investigações sobre a tentativa de golpe promovida pelo ex-presidente. Fux comunicou a seus contatos que não pode tomar uma decisão sem antes analisar os conteúdos das apurações conduzidas por Moraes.
Dependendo do que for encontrado nos inquéritos, Fux poderá solicitar ao presidente do STF, Edson Fachin, que leve a ação do PP ao plenário para julgamento. Fachin já manifestou seu interesse em encerrar o inquérito das fake news. A iniciativa de Fux pode ser um passo importante para essa decisão.
No entanto, Fux afirmou a interlocutores que pretende aguardar o término do segundo turno das eleições antes de tomar qualquer decisão que possa influenciar o momento eleitoral.


