Na última terça-feira, um homem de 26 anos foi preso em flagrante pela 10ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal. O suspeito, que usava tornozeleira eletrônica, estava roubando objetos de carros no estacionamento do Aeroporto Internacional de Brasília. Este caso chama atenção para a reincidência criminal na cidade.
A polícia agiu após receber várias denúncias sobre furtos com arrombamento de veículos no estacionamento do aeroporto. O suspeito atuava no local desde dezembro de 2025 e já tinha 18 registros anteriores por roubo e furto.
No momento da prisão, ele tinha quebrado fechaduras e vidros em três carros para roubar pneus do estepe e aparelhos de som. No total, cerca de 10 veículos foram afetados. O suspeito usava papel-alumínio para bloquear o sinal da tornozeleira eletrônica que deveria monitorá-lo. As investigações indicam a existência de um comparsa, que ainda está foragido.
Reincidência criminal
No Distrito Federal, 31,7% dos presos retornam ao sistema prisional em até um ano, índice superior à média do país, que é de 21,2%. A taxa pode chegar a 43,2% em cinco anos. Um estudo realizado entre 2010 e 2021 analisou dados de 13 estados brasileiros e mostrou que os crimes mais comuns entre reincidentes são uso e tráfico de drogas, roubos, furtos, ameaças e lesões corporais.
No ano de 2025, foram distribuídas 18.365 tornozeleiras eletrônicas no Distrito Federal, com aumento gradual no número de detentos monitorados. Em setembro de 2025, o homem preso no aeroporto foi beneficiado com esse aparato de controle, no mesmo mês em que outros 1.568 detentos também receberam o dispositivo.
De acordo com o Anuário de Administração Pública de 2024, cada detento custa cerca de R$ 2.785,83 ao governo do Distrito Federal, incluindo despesas diversas como transporte, alimentação, saúde e atividades educacionais.
Falhas no sistema
Hannah Gomes, advogada criminal, explica que reincidência ocorre quando uma pessoa comete um crime após ter sido condenada por outro anterior. Se passar mais de cinco anos entre os crimes, a pessoa é considerada primária, mas com maus antecedentes.
Hannah destaca que a reincidência é comum em crimes patrimoniais e tráfico de drogas, frequentemente ligados à dependência química ou à falta de oportunidades de trabalho. Ela alerta que o sistema prisional muitas vezes funciona como uma ‘escola do crime’, onde presos de baixa periculosidade acabam se aliando a facções para sobreviver.
A advogada afirma que falhas estruturais, como superlotação e falta de acesso a trabalho e estudos dentro dos presídios, agravam a reincidência. Ela também menciona que endurecer penas não tem sido eficaz para reduzir a criminalidade.
Hannah recomenda que o investimento em alternativas penais, educação e trabalho dentro dos presídios é o caminho para diminuir a reincidência, citando como exemplo o modelo APAC adotado em algumas regiões.
Preocupação dos usuários
Josué Mota, técnico em ar-condicionado, que usou o estacionamento do aeroporto pela primeira vez, expressou surpresa e insegurança após tomar conhecimento dos furtos. Ele comentou que não percebeu monitoramento e que não se sentiria seguro no local durante a noite.
Júlia Maria Medeiros e Pedro Paulo de Assunção, que também utilizaram o estacionamento pela primeira vez, desconheciam os furtos e acreditavam que o estacionamento pago fosse seguro. Eles sugeriram que a segurança deveria ser reforçada devido ao tamanho do espaço.
Elaine Pires, usuária frequente, relatou surpresa com os furtos e afirmou já estar ciente da ocorrência de crimes, especialmente envolvendo caminhonetes. Para ela, é essencial que a segurança no local seja melhorada.
Resposta das empresas
A empresa Estapar, responsável pelo estacionamento, informou que possui monitoramento 24 horas por dia com câmeras de vigilância e que suas equipes agiram rapidamente para identificar os possíveis responsáveis pelos furtos. Posteriormente, reforçaram as medidas de segurança nos protocolos internos.
A concessionária Inframerica, que administra o Aeroporto de Brasília, também declarou que há câmeras e equipes de vigilância em todo o terminal e áreas externas, incluindo o estacionamento. Ressaltaram que a segurança pública é responsabilidade dos órgãos competentes, aos quais apoiam integralmente nas investigações.
