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França: grupo de deputados deixa partido do governo e Macron perde maioria

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Mudanças deixam sigla com 288 dos 577 assentos na Assembleia Nacional da França; deputados planejam um novo grupo

Macron estende quarentena na França até 11 de maio (Ludovic Marin/Reuters)

Um grupo de 17 deputados franceses decidiu nesta terça-feira (19) deixar o Em Marcha!, partido político do presidente Emmanuel Macron, deixando o chefe do Executivo local sem maioria absoluta na Assembleia Nacional em um momento crítico para tirar a França da crise do novo coronavírus.

As mudanças deixam o partido com 288 dos 577 assentos na Assembleia Nacional da França. Para aprovar uma legislação, Macron agora terá que confiar mais em sua aliança política com o Modem, um partido centrista menor que normalmente se posiciona em sintonia com o presidente.Os deputados anunciaram a mudança em uma videoconferência na terça-feira, dizendo que planejam participar da Assembleia Nacional como um novo grupo chamado “Ecologia democracia solidária”. Fonte: Dow Jones Newswires.

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Portugal e Espanha reabrem fronteira para turismo após três meses

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A suspensão de outras restrições de viagem na União Europeia já tinham sido anunciadas nesta semana

Portugal e Espanha reabriram a fronteira conjunta para todos os viajantes (Palácio Moncloa/Divulgação/Reuters)

Os governos da Espanha e de Portugal reabriram oficialmente nesta quarta-feira (1) sua fronteira conjunta para todos os viajantes após um fechamento de três meses que visava conter a propagação do novo coronavírus.

Na presença do rei Felipe, da Espanha, e do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, os premiês Pedro Sánchez e António Costa abriram solenemente a fronteira. Todas as outras restrições de viagem na União Europeia foram suspensas na semana passada.

“Desta fronteira aberta depende a nossa prosperidade partilhada e um destino comum no projeto europeu”, tuitou Costa nesta quarta-feira. “A pandemia ofereceu-nos uma visão de um passado ao qual não queremos voltar: um continente de fronteiras encerradas.”

Nesta terça, a União Europeia divulgou a lista de países liberados para entrar no bloco. As proibições para a entrada de brasileiros seguirão mesmo com o relaxamento das restrições nas fronteiras.

 

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De espião da KGB ao “11 de setembro russo”: a história de Vladimir Putin

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Para parte dos russos, Putin representa o líder que estabilizou o país após a queda da URSS. Após referendo, o presidente poderá ficar no poder até 2036

Putin em celebração pelos 75 anos do fim da Segunda Guerra: herdeiro soviético (Host Photo Agency/Getty Images)

O referendo de sete dias que terminou na Rússia nesta quarta-feira, 1, fez o mundo novamente olhar para o histórico do presidente russo Vladimir Putin à frente do país, de mais de 144 milhões de habitantes e herdeiro da extinta União Soviética. Os russos na casa dos 20 anos nunca conheceram outro líder no poder, e, para o futuro, há pouca ou nenhuma opção de outros candidatos promissores na oposição ou dentro do partido governista. No século 21, só Putin comandou a Rússia na prática, alternando entre cargos de presidente e primeiro-ministro.

Com os resultados do referendo, a população aprovou por mais de 70% dos votos uma reforma constitucional que permitirá a Putin ficar no poder até 2036 caso siga vencendo as eleições — por mais 12 anos após o fim de seu atual mandato, em 2024.

A mudança já havia sido aprovada pelo Parlamento em março, mas analistas apontam que o desejo do presidente foi levar a votação a referendo para demonstrar apoio popular. Em meio a tudo isso, Putin terá também de lidar com o avanço do coronavírus na Rússia, que já é o terceiro país em número de casos, atrás de Brasil e Estados Unidos — manter o referendo em meio à pandemia foi uma das críticas feitas pela oposição ao presidente.

Na reportagem abaixo, publicada originalmente em 2017, a Exame destrincha parte do histórico do presidente à frente da Rússia, seus feitos no cargo e as críticas a ele.

Putin com a rainha Elizabeth, do Reino Unido, em 2003: presidente está no poder na Rússia desde 1999 (Tim Graham Photo Library/Getty Images)

O homem da KGB

A Rússia está de volta ao jogo da geopolítica nos últimos anos. O país da Europa oriental tem se portado cada vez mais como herdeiro soviético e, apesar de a Guerra Fria ter acabado há mais de 20 anos, novos embates com o Ocidente se delineiam no mapa. Para resgatar seu título de superpotência, o país tem tem feito questão de provar sua influência no tabuleiro, marcando presença nos assuntos que vão da Síria aos Estados Unidos. O mestre nesse xadrez imperialista? Vladimir Putin.

No poder desde 2000, o presidente russo representa, para grande parte da população de seu país, aquele que estabilizou o país após a queda da URSS na década de 90 e que não se curva aos interesses ocidentais. “Ele não é um grande orador, não é um líder carismático, mas chega até o russo médio porque passa credibilidade. Ele representa o que muitos acreditam ser um poder necessário para resgatar a autoridade russa que foi perdida”, diz o historiador Sidney Ferreira Leite, especialista em Relações Internacionais e pró-reitor do Centro Universitário Belas-Artes.

Um homem fisicamente forte, ex-espião do serviço secreto soviético e centralizador, Putin é respeitado por seus conterrâneos, mas seu perfil discreto e ao mesmo tempo incisivo intriga o resto do mundo. Para o senador americano John McCain, Vladimir Putin é um “assassino e um agente da KGB”. Já para Donald Trump, “um líder bem melhor” do que o ex-presidente americano Barack Obama.

Filho de uma operária e de um soldado da marinha que lutou na Segunda Guerra, o homem mais poderoso da Rússia cresceu num subúrbio de São Petersburgo, segunda maior cidade do país — chamada de Leningrado até 1991, herança da Revolução Russa que instaurou o comunismo em 1917. Nascido em 1952, foi criado como filho único, uma vez que os irmãos morreram ainda crianças. “Não posso dizer que éramos uma família muito emocional. Não conversávamos muito”, contou ao documentário The World’s Most Powerful President, da rede americana Freedom TV.

Em 1975, então com 24 anos anos, entrou para o treinamento da KGB, o serviço secreto russo, logo após concluir o curso de Direito pela Universidade de Leningrado. Por seu alemão fluente, trabalhou para a KGB na Alemanha Oriental e viu de perto o início da queda do Muro de Berlim, em 1989. O presidente conta que queimou documentos da KGB, na ocasião, para que opositores não os encontrassem. Putin permaneceria no serviço secreto até 1991.

De volta a São Petersburgo, Putin se aproximou do então prefeito Mayor Sobchak. Em 1994, se tornou vice-prefeito da cidade — e seria o início de sua vida pública. Dois anos depois, já em Moscou, conheceu o alto escalão da política russa. A escalada foi rápida. Passou a integrar a FSP, agência de inteligência que substituiu a KGB após o fim da URSS, foi nomeado diretor da instituição, logo depois garantiu o cargo de secretário do Conselho de Segurança e, em 1999, foi escolhido para ser primeiro-ministro do então presidente Boris Yeltsin — o primeiro líder eleito democraticamente após o fim da URSS.

Para muitos, boa parte da rápida ascensão de Putin se deve ao apoio de Yeltsin, e a relação dos dois é vista como controversa. Circula um boato de que Putin, no comando da FSP, teria chantageado o procurador-geral russo, Yury Skuratov, para impedir que ele investigasse o envolvimento de Yeltsin em um esquema de propina. Por isso, Yeltsin é acusado de ter escolhido Putin para ser seu braço-direito apenas por acreditar que ele, no futuro, o protegeria novamente de outras investigações.

Ninguém pode dizer que Yeltsin não estava certo: talvez por herança dos treinamentos de KGB, Putin tem fama de ser extremamente leal com os amigos. Quando assumiu a presidência pela primeira vez, em 2000, perguntaram qual era seu colega mais digno de confiança. Ele citou cinco pessoas na ocasião e, 17 anos depois, todas elas ainda ocupam cargos do alto escalão do governo.

Putin, em sua primeira vez como primeiro-ministro, em 1999: escolhido por Boris Yeltsin, primeiro líder eleito após o fim da URSS (Laski Diffusion/Getty Images)

O 11 de setembro russo
Yeltsin não só nomeou Putin como primeiro-ministro como anunciou que apostava nele para ser seu sucessor — e o seu pupilo, de fato, venceu as eleições do ano seguinte. Se hoje Vladimir Putin é o nome mais forte da política russa, na época ele era apenas um ex-espião da KGB praticamente desconhecido. Como conseguiu votos suficientes para se eleger presidente? Sua popularidade cresceu logo no início do seu trabalho como premiê, graças a uma ofensiva militar que muitos estudiosos classificam como o “11 de setembro russo”.

No fim da década de 1990, quando o império soviético se desmantelava, um dos territórios em disputa era a Chechênia, que se proclamara independente em 1991. Para retomar o controle da região, Yeltsin iniciou a Primeira Guerra da Chechênia em 1994, e o embate terminou com uma derrota da Rússia. Mas uma nova ofensiva russa liderada por Putin retomou o território. E a nova investida russa, mais dura, foi justificada por um atentado a um prédio residencial no centro de Moscou, que terminou com a morte de dezenas de russos. Segundo o governo, o ataque foi articulado pelos chechenos, mas, para os oposicionistas, Putin forjou o atentado para justificar a guerra e, de quebra, fortalecer seu nome no radar da política nacional. Uma jornalista e um ex-espião russo que tentaram investigar o caso apareceram mortos anos depois.

O fato é que o caso fez mesmo a popularidade de Putin crescer. Em dezembro de 1999, Yeltsin renunciou e Putin se tornou presidente interino. Em 2000, venceu as eleições logo no primeiro turno, com 53% dos votos. Putin está em seu terceiro mandato como presidente (2000, 2004 e 2012). Como a Constituição russa não permite três mandatos seguidos, nas eleições de 2008, ele voltou a ser primeiro-ministro e apoiou Dmitry Medvedev — seu atual premiê e escolhido a dedo para substituí-lo na presidência até que ele pudesse retornar ao cargo em 2012. Na prática, é Putin quem manda no país há mais de 16 anos. E, para as eleições de 2018, seu partido Rússia Unida já aparece com 40% de favoritismo nas pesquisas de intenção de voto.

Uma ajudinha do petróleo
Sua popularidade é inegável. Uma pesquisa de agosto do Levada Center, instituto russo independente e visto como confiável pela comunidade internacional, identificou que o presidente tinha 82% de aprovação. Outra pesquisa, do também confiável Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research, mostrava uma percepção positiva de 81% em 2014. E, na receita do sucesso, um dos ingredientes foi a crise.

Putin assumiu num período economicamente muito difícil para a Rússia: após o fim da União Soviética, os primeiros presidentes, Mikhail Gorbachev e Boris Yeltsin, implantaram um plano de transição para o capitalismo, com privatização desenfreada que beneficiou oligarquias próximas ao governo. O resultado foi desastroso. “Com Yeltsin e Gorbachev, a Rússia perdeu o status de grande potência, e a década de 1990 foi um período de exceção na história de poder do país”, diz o historiador Angelo Segrillo, professor da USP e autor do livro Rússia: Europa ou Ásia.

Enquanto bilhões de dólares da elite russa eram enviados para o exterior, a Rússia se endividava com o Fundo Monetário Internacional, e o PIB caiu 40% só em 1999. “O colapso da União Soviética foi seguido pelo fim da segurança, um descontrole. Então o Putin veio e trouxe algum tipo de estabilidade, de segurança”, diz a historiadora Marci Shore, da Universidade Yale, e autora de The Taste of Ashes: The Afterlife of Totalitarianism in Eastern Europe (“O gosto das cinzas: a vida póstuma do totalitarismo na Europa Oriental”, em tradução livre).

Quando Putin assumiu, implantou algumas reformas, como a desvalorização do rublo russo, para favorecer as exportações. E os preços das commodities voltaram a crescer a partir de 2000. O barril de petróleo, um dos principais produtos russos, passou de 10 dólares para 100, em 2008. Resultado: na era Putin, o PIB subiu cerca de 7% ao ano, a renda e o consumo aumentaram e o número de pessoas abaixo da linha da pobreza caiu de 30% em 2000 para 14% em 2008. “Putin veio logo depois do fundo do poço e recentralizou o Estado”, diz Segrillo. “Muitos gostaram porque acham que ele colocou ordem na casa”. Os líderes centralizadores costumam ser um sucesso na Rússia – uma tradição que se estendeu desde o período dos czares até a Revolução Russa.

Putin e o presidente americano, Donald Trump: embates geopolíticos (Mikhail Svetlov/Getty Images)

O macho-alfa russo

Embora Putin governe a Rússia há mais de uma década, pouco se sabe sobre sua vida pessoal. Do casamento de 30 anos com Lyudmila Shkrebneva, de quem se divorciou em 2013, vieram duas filhas, cujas identidades são guardadas a sete chaves. Uma reportagem da agência de notícias Reuters apurou, embora sem conseguir confirmar a informação, que ambas são pesquisadoras e não usam o sobrenome Putin para não serem identificadas. Ora ou outra, o assunto volta à tona. “Eu nunca disse onde exatamente minhas filhas trabalham, o que elas fazem, e não pretendo fazê-lo agora por muitas razões, incluindo por uma questão de segurança”, declarou o presidente em dezembro passado.

De qualquer forma, Putin não é uma exceção entre os líderes russos, e que a discrição é quase uma característica cultural. “Nos Estados Unidos, tudo é muito público. Os candidatos fazem campanha com suas famílias, todo mundo conhece Michele Obama ou Jackie Kennedy. Mas na Rússia, eles quase nunca falam sobre isso”, diz a cientista política Valerie Sperling, professora da Universidade Clark e membro do Davis Center para Estudos da Rússia e da Eurásia.

Mas a discrição não impede que a imagem pessoal de Putin seja explorada — e trabalhe a seu favor. Principalmente nos primeiros anos de mandato, circulavam fotos do presidente cavalgando sem camisa, praticando esportes ou caçando animais selvagens. E esse é um dos fatores que o fazem reforçar a imagem de liderança e transmitir confiança aos russos. No artigo Capitalismo, autocracia e masculinidades na Rússia, a pesquisadora Tatiana Zhurzhenko estudou como Putin representa o típico homem soviético, o chamado muzhyk — independente, forte, trabalhador, patriota e leal. “O país inteiro sabe a lista de hobbies heróicos do presidente. Isso inclui lutar judô, andar a cavalo, mergulhar, pilotar uma Harley-Davidson ou um avião de caça, resgatar animais selvagens”, escreve Zhurzhenko.

Putin e o presidente americano, Donald Trump: embates geopolíticos (Mikhail Svetlov/Getty Images)

Cerco fechado à oposição

No começo, embora sempre controlador, Putin tentava administrar uma oposição relativamente plural. Mas, com o crescimento dos movimentos contrários ao seu governo, ele vem se tornando cada vez mais autoritário, controlando a imprensa, divulgando estatísticas estatais imprecisas e perseguindo inimigos políticos — são mais de 100 pessoas presas por orientação ideológica na Rússia, segundo a ONG de direitos humanos russa Memorial. Nas eleições de 2012, observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa alegaram que faltou aos adversários de Putin “acesso genuíno” à mídia.

As investidas mais autoritárias do presidente não deixam de ser uma forma de manter o controle frente às ameaças. Para a historiadora e cientista política russa Lilia Shevtsova, pesquisadora da organização Chatham House de Londres e autora do livro A Rússia de Putin, “mais da metade da população já diz que a Rússia precisa de uma oposição. E essa oposição vai crescer, inevitavelmente. Mas é difícil dizer quando”. Com a queda nos preços do petróleo e outras commodities desde 2014 e as sanções econômicas do Ocidente, devido à anexação da Crimeia, o PIB russo caiu mais de 50% entre 2014 e 2015.

E os problemas não estão só dentro de casa. A aproximação da Ucrânia com a Europa Ocidental e com a Otan, aliança militar ocidental, preocupa Putin. E o discurso da organização de que precisa proteger os países bálticos da influência russa, ex-territórios soviéticos, também. “Putin recupera a visão de que a Rússia é o poder central da Eurásia, e que tem o direito de exercer hegemonia sobre os países da região”, diz Sidney Ferreira Leite, da Belas-Artes. Por isso foi tão importante para Putin anexar a Crimeia em 2014: o episódio serviu para mostrar ao Ocidente quem manda na região.

Para conseguir manter sua popularidade alta, é fundamental manter a postura bélica. De acordo com a pesquisadora Lilia Shevtsova, o presidente usa “um conflito político atrás do outro” para se “re-energizar” com o eleitorado. E para realçar sua principal força – a militar – para o resto do mundo. O principal território de influência da Rússia, hoje, é a Síria. Aliado de Bashar al-Assad e com atuação relevante do país, Putin conseguiu mostrar que, se o mundo quiser frear a maior crise de refugiados da história e combater o Estado Islâmico, a conversa vai precisar passar por ele. “Se envolver com a Síria foi o jeito do Putin de voltar para a mesa”, diz Valerie Sperling, da Clark University.

À distância, Putin também se tornou protagonista das eleições presidenciais americanas, se posicionando como aliado do republicano Donald Trump, após anos de sucessivos embates com o democrata Barack Obama. Mas as polêmicas não podiam ficar de lado: há suspeitas de que a Rússia teria tentado interferir no processo eleitoral e o FBI confirmou que hackers russos vazaram e-mails do Partido Democrata – não se sabe de a mando do governo ou não.

Assim que o novo presidente assumiu, ficou acertado que os dois países – historicamente inimigos – normalizariam as relações. Mas, ao lidar com um estrategista como Putin, é sempre difícil saber quais suas reais intenções. Em janeiro, um espião britânico também vazou um dossiê afirmando que a Rússia supostamente teria dados comprometedores sobre Trump – e que eles seriam usados para chantageá-lo no futuro. “Putin faz questão de deixar claro que ninguém vai tirar vantagem do seu país”, analisa Sperling. “Ele é o cara que quer fazer a Rússia great again”.

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Trump aposta em “muro virtual” para vigiar parte da fronteira com o México

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O muro na fronteira foi uma das grandes promessas eleitorais do republicano em 2016 e depois se tornou um eixo de seu governo

Donald Trump: o muro na fronteira é uma promessa de campanha do republicano (Foto/AFP)

O governo americano anunciou nesta quinta-feira, 2, que vai apostar em um sistema de inteligência artificial para inspecionar áreas despovoadas da fronteira com o México, usando torres de vigilância para estabelecer um “muro virtual.”

O Departamento de Alfândegas e Proteção Fronteiriça (CBP) destacou em um comunicado que este sistema de radares detecta o movimento e analisa os dados usando algoritmos para identificar se vale a pena alertar as patrulhas.

O muro na fronteira foi uma das grandes promessas eleitorais de Donald Trump em 2016 e depois se tornou um eixo de seu governo.

O presidente entrou em uma dura disputa com o Congresso e depois declarou emergência nacional com a finalidade de conseguir recursos para construí-lo.

Durante seu governo, mais de 322 quilômetros de barreiras físicas foram erguidas e o presidente prometeu que até o fim do ano estarão prontos cerca de 724 quilômetros.

As autoridades têm planejado instalar 200 destas torres de vigilância até 2022 e destacaram que esta tecnologia opera com energias renováveis.

“Estas torres dão aos agentes no terreno uma vantagem significativa ante as redes criminosas que facilitam as atividades de travessia ilegal da fronteira”, disse o chefe da CBP, Rodney Scott.

 

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Jovens americanos se divertem e aceleram propagação de covid-19

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Menor faixa etária dos infectados – que tem mais propensão de ser assintomática e facilitar avanço do coronavírus -, tem dado trabalho para as autoridades

Jovens em bar de Tucson, Arizona, 11 de maio. (Cheney Orr/Bloomberg)

A Covid-19 é cada vez mais uma doença dos jovens. Nos Estados Unidos, a mensagem de ficar em casa por causa dos idosos se desgasta à medida que a pandemia avança.

A menor faixa etária dos infectados se torna um dos problemas mais prementes para autoridades locais, que na quarta-feira continuaram impondo toque de recolher e o fechamento de locais onde jovens se reúnem. Especialistas em saúde dos EUA dizem que os jovens têm mais propensão de serem ativos e assintomáticos, facilitando o avanço do coronavírus, que matou quase 130 mil pessoas no país.

No Arizona, metade de todos os casos positivos são de pessoas de 20 a 44 anos, de acordo com dados do estado. A idade média na Flórida é de 37 anos, abaixo dos 65 anos em março. No Condado de Hays, no Texas, jovens na faixa dos 20 anos representam 50% das vítimas.

No início da pandemia, os jovens foram instruídos a ficar em casa como um ato de altruísmo: faça isso por seu pai. Por sua avó. Por seu vizinho. Então, os estados começaram a reabrir e, quase instantaneamente, fotos começaram a circular em clubes e restaurantes lotados. Houve protestos em massa nas ruas pela violência policial e injustiça racial. A contagem de casos subiu para níveis recordes.

“Iniciamos a reabertura muito cedo”, disse Ian Grimes, de 27 anos, de Austin, sede da principal universidade do Texas, dezenas de empresas de tecnologia e uma cultura de festa. “Especialmente nós, de Austin, somos impacientes quando se trata de nos divertirmos.”

Grimes, que trabalha no setor imobiliário, senta-se do lado de fora quando toma uma cerveja e usa máscara. Mas sua consciência contrasta com outros jovens indisciplinados que fogem do confinamento.

“Há um desgaste total”, disse Sandy Cox, prefeita de Lakeway, nos arredores de Austin. Na semana passada, Cox postou uma live no Facebook alertando moradores de que estudantes do ensino médio haviam realizado uma “festa muito grande” nos arredores da cidade. Desde então, vários dos que participaram testaram positivos para a Covid-19, de acordo com o departamento de saúde pública de Austin.

“Você é jovem, invencível, não acha que isso vai acontecer com você e, se acontecer, acha que vai ficar bem”, disse Cox em entrevista. “A mensagem é cuidar do próximo, mas é difícil chegar às pessoas.”

(Com a colaboração de Joe Carroll, Michelle Cortez, Jonathan Levin, Aysha Diallo, Renata S. Geraldo, Drew Hutchinson e Catherine Leffert).

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Putin tem vitória em referendo que o autoriza a ficar no poder até 2036

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Referendo na Rússia decidiu que o presidente Vladimir Putin fique mais 12 anos no cargo após o fim do mandato. A oposição questiona os resultados

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Centenas de autoridades do governo republicano Bush rejeitam voto em Trump

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Essa é a mais recente de uma série de ações do partido a se opor à reeleição de Trump, mais um sinal de que ele alienou parte de seus correligionários

Joe Biden usa máscara de proteção após discursar em Wilmington, Delaware 30/06/2020 (Kevin Lamarque/Reuters)

Centenas de autoridades que trabalharam para o ex-presidente republicano norte-americano George W. Bush devem declarar seu apoio ao candidato presidencial democrata Joe Biden, disseram pessoas envolvidas na iniciativa –mais um grupo de liderança republicana a se opor à reeleição de Donald Trump.

Os funcionários, que incluem secretários de gabinete e outros membros do alto escalão do governo Bush, formaram um comitê de ação política, o 43 Alumni for Biden, para apoiar o ex-vice-presidente na disputa do dia 3 de novembro, disseram três organizadores do grupo à Reuters. Bush foi o 43º presidente do país.

O Super PAC lançará nesta quarta-feira um site e uma página de Facebook, planeja publicar “depoimentos em vídeo” de republicanos destacados elogiando Biden e realizará esforços para incentivar o voto nos Estados mais competitivos, disseram.

O grupo é o mais recente de uma série de organizações do partido governista a se opor à reeleição de Trump, mais um sinal de que ele alienou parte de seus próprios correligionários, ultimamente por causa de sua reação à pandemia de coronavírus e dos protestos nacionais contra a injustiça racial e a brutalidade policial contra os negros norte-americanos.

“Sabemos o que é normal e o que é anormal, o que estamos vendo é altamente anormal. O presidente é um perigo”, disse Jennifer Millikin, uma dos organizadores do 43 Alumni que trabalhou na campanha de reeleição de Bush em 2004 e mais tarde na Administração de Serviços Gerais.

Os outros dois membros que conversaram com a Reuters são Karen Kirksey e Kristopher Purcell. Purcell atuou como autoridade de comunicação na Casa Branca de Bush, e Kirksey participou da campanha de Bush em 2000 e mais tarde trabalhou nos departamentos da Agricultura e do Trabalho.

Millikin disse que o grupo ainda não está pronto para identificar todos seus membros e doadores, mas terá que fornecer uma lista de doadores iniciais à Comissão Eleitoral Federal até outubro.

O escritório de Bush foi informado sobre o grupo, mas o ex-presidente não está envolvido e não indicou se aprova suas metas, disse ela.

Freddy Ford, porta-voz de Bush, disse que ele se aposentou e “não se meterá nesta eleição”.

Bush, que ainda é admirado por republicanos moderados, foi elogiado por dizer que a morte de George Floyd, um homem negro desarmado, sob custódia da polícia de Mineápolis no dia 25 de maio refletiu um “fracasso chocante” e pediu que se dê ouvidos aos manifestantes.

Apesar das diferenças políticas, “centenas” de ex-funcionários de Bush acreditam que Biden tem integridade para enfrentar os desafios da América, disseram membros do 43 Alumni.

(Texto de Tim Reid)

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