Nossa rede

Mundo

França entra em alerta máximo após o ataque terrorista em Nice

Publicado

dia

Presidente Emmanuel Macron reforça as tropas nas ruas do país depois que tunisiano de 21 anos invadiu a Basílica de Notre-Dame, em Nice, e matou três pessoas, entre elas uma brasileira. Atentado coincide com nova polêmica sobre caricaturas de Maomé

(crédito: Valery HACHE/CB/D.A Press)

Aos gritos de Allahu Akbar (“Alá é grande!”, em árabe) e armado com uma faca, o tunisiano Brahim Aouissaoui, 21 anos, invadiu a Basílica de Notre-Dame, em Nice (sul), por volta das 9h (5h em Brasília). Perto da pia de água benta, decapitou uma idosa que rezava no local. Também degolou o sacristão do templo, Vincent Locques, 45 anos, casado e pai de dois filhos. A brasileira Simone Barreto Silva, 45, mãe de três filhos, ficou ferida gravemente e tentou se refugiar em uma cafeteria próxima, onde morreu. A polícia chegou ao local rapidamente e disparou várias vezes contra Aouissaoui. Segundo o prefeito de Nice, Christian Estrosi, mesmo medicado, o assassino repetia a expressão muçulmana, chamada de Takbir. Estrosi também citou a ameaça do “islamofascismo”. As autoridades divulgaram que Aouissaoui entrou no país no início deste mês, por meio da ilha italiana de Lampedusa, no Mediterrâneo.

O presidente Emmanuel Macron visitou a cidade da Riviera Francesa, no fim da manhã, e avisou: “Não cederemos nem um milímetro” (na defesa dos valores franceses). “A França está sob ataque”, admitiu. O chefe de Estado elevou o nível de segurança em todo o país para o mais alto patamar e aumentou de 3 mil para 7 mil os militares que patrulham as ruas na Operação Sentinela. “Se somos atacados mais uma vez, é por valores que são nossos: a liberdade, a possibilidade de acreditarmos livremente e de não cederemos a nenhum espírito de terror”, declarou. Os líderes dos 27 países-membros da União Europeia (UE) repudiaram a barbárie de ontem e apelaram por “diálogo e compreensão entre comunidades e religiões, em vez de divisão”. Em comunicado conjunto, externaram sua unidade e firmeza na solidariedade à França e na luta comum contra o terrorismo e a violência extremista.

O atentado em Nice ocorreu um dia depois de o governo da Turquia ameaçar Paris depois da publicação, por parte do Charlie Hebdo, de uma caricatura em que o presidente Recep Tayyip Erdogan aparece de cueca, com cerveja na mão, levantando o hijab (véu islâmico integral) de uma mulher e gritando: “Oh! O profeta!”. O líder turco também acusou o colega francês de islamofobia. Ontem, a Turquia condenou “firmemente” o ataque “selvagem” e externou sua solidariedade.

O triplo assassinato de ontem também coincide com o julgamento de cúmplices da carnificina na redação do semanário satírico — em 7 de janeiro de 2015, os irmãos franceses Amedy e Chérif Kouachi invadiram a sede do Charlie e executaram quatro jornalistas, quatro cartunistas, dois policiais, um visitante e a recepcionista do prédio. Em 14 de julho de 2016, Nice foi alvo de um massacre perpetrado pelo também tunisiano Mohammed Lahouajej Bouhlel. Ele usou um caminhão para atropelar e matar 86 pessoas, além de ferir cerca de 300.

Testemunha

O agente de segurança aeroportuária Florent Boyssou, 31 anos, relatou ao Correio os momentos de pânico que vivenciou quando caminhava rumo a uma drogaria, na manhã de ontem. “Por volta das 9h, eu passava pela rua de trás da Basílica de Notre-Dame, quando escutei gritos de pavor e vi pessoas correrem. Não sabia o que tinha acontecido. Nessas horas, a gente não pensa. Então, comecei a correr o mais rápido que pude”, contou. “Todo mundo estava amedrontado e tentava fugir. Vi uma mulher carregar o filho nos ombos, enquanto corria e chorava. Eu e outros tentamos nos esconder atrás dos carros ou na entrada dos prédios.”

Boyssou disse que, na noite de ontem, uma multidão caminhou até a Basílica de Notre-Dame, acendeu velas em memória dos mortos e entoou a Marselhesa, o Hino Nacional da França. Entre os presentes, estavam vários muçulmanos. “Nós, franceses, desejamos ser ouvidos. Então, tomamos as ruas para mostrar que somos mais fortes do que o terrorismo”, afirmou.

Repercussão

O mundo reagiu com forte indignação ao triplo assassinato em Nice. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu o fim imediato dos atentados. “Nossos corações estão com o povo da França. Os Estados Unidos estão com nosso mais antigo aliado nesta luta”, escreveu Trump no Twitter. “Esses ataques terroristas islâmicos radicais precisam parar imediatamente. Nenhum país, a França ou qualquer outro, consegue aguentar por muito mais!” Por sua vez, o democrata Joe Biden, rival de Trump nas eleições de 3 de novembro, prometeu que o seu eventual governo “trabalhará com aliados e parceiros para evitar a violência extremista de todas as formas.”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, “condenou veementemente o ataque atroz” e reafirmou a solidariedade das Nações Unidas com a população e o governo da França”. A Turquia condenou “firmemente” o ataque “selvagem” a Nice e manifestou sua “solidariedade”, apesar das tensões diplomáticas entre os dois países.

» Consternação papal

O papa Francisco pronunciou-se sobre a tragédia. Por meio do Twitter, o pontífice afirmou estar próximo da comunidade católica de Nice e em luto “após o ataque que semeou a morte num lugar de oração e de consolação”. “Rezo pelas vítimas, por suas famílias e pelo querido povo francês, para que possam responder ao mal com o bem”, declarou.

» Eu acho…

“É claro que ataque à minha cidade foi uma vingança contra as charges do Charlie Hebdo. A França é um país muito culto, onde existem regulamentações para tais caricaturas. Então, confio totalmente no meu governo em relação à temática desses desenhos.” Florent Boyssou, 31 anos, morador de Nice e testemunha do atentado.

“Diga aos meus filhos que eu os amo”

 (crédito: Reprodução/Facebook)

crédito: Reprodução/Facebook

A imagem de Jesus Cristo na capa de seu perfil do Facebook e a mais recente mensagem postada apontam para uma pessoa religiosa. “Onde estiveres, Deus te guarde. Onde andar, Deus te guie. O que decidir Deus te ilumine”, publicou, em julho passado. Dois meses antes, ela tinha escrito: “Que a flecha do amor penetre a humanidade”. O ódio e os golpes de faca desferidos pelo tunisiano Brahim Aouissaoui selaram tragicamente o destino de Simone Barreto Silva. A baiana de 45 anos, mãe de dois meninos e de uma menina, tentou buscar ajuda na cafeteria L’Unik, mas não resistiu aos ferimentos. “Ela atravessou a rua, toda ensanguentada, e meu irmão e um dos nossos funcionários a recuperaram, a colocaram no interior do restaurante. (…) Ela dizia que havia um homem armado dentro da igreja”, disse à TV France Info, ainda em estado de choque, Brahim Jelloule, um dos proprietários da L’Unik. Segundo testemunhas, pouco antes de morrer, Simone pediu: “Diga aos meus filhos que eu os amo”.

Natural de Salvador, ela vivia em Nice havia três décadas, onde organizava atividades culturais e cuidava de idosos. Na França, não perdeu as raízes e ajudou a organizar a Festa e Iemanjá de Nice. A família de Simone somente teria sido avisada quase seis horas depois do atentado.

A soteropolitana Ivana Gomes, 46, conhecia Simone desde 1995. “Nós nos conhecemos em Salvador. Viemos trabalhar em um grupo de dança do qual a irmã dela era diretora artística, aqui em Nice. Éramos muito amigas, super cúmplices, nos entendíamos superbem e tínhamos aquela coisa de signos. Éramos librianas. Ela era superanimada, feliz com a vida, divertida, sorridente e brincalhona, uma moleca”, contou ao Correio a assistente escolar. A vida as separou quando Ivana mudou-se para Paris. “Nós nos encontramos para comemorar o 45º aniversário dela, no último dia 10.” Ivana confirma a versão sobre as últimas palavras de Simone.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, ontem, que soube de “notícias tristes mundo afora, de decapitação de pessoas”. “De pessoas, não, de cristãos, na França. Parece uma brasileira também foi esfaqueada. O mundo tem que se preocupar com isso. Falei na ONU, agora, sobre a tal da cristofobia”, afirmou. “Nós admitimos qualquer religião, mas não podemos admitir a intolerância, ainda mais desta forma. (…) Tem bairros na França que parece que tem uma religião dominando lá, e alguns países também”, acrescentou.

Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro deplorou e condenou veementemente o “atroz atentado” em Nice. “O presidente Jair Bolsonaro, em nome de toda a nação brasileira, apresenta suas profundas condolências aos familiares e amigos da cidadã assassinada em Nice, bem como das demais vítimas, e estende sua solidariedade ao povo e ao governo franceses”, afirma o texto. Segundo o comunicado, “o Brasil expressa seu firme repúdio a toda e qualquer forma de terrorismo, independentemente de sua motivação, e reafirma seu compromisso de trabalhar no combate e na erradicação desse flagelo, assim como em favor da liberdade de expressão e da liberdade religiosa”. “Neste momento, o governo brasileiro manifesta, em especial, sua solidariedade aos cristãos e pessoas de outras confissões que sofram perseguição e violência em razão de sua crença”, acrescenta.

Clique para comentar

You must be logged in to post a comment Login

Comentar

Mundo

China reforça munição na batalha de semicondutores com os EUA

Publicado

dia

Por

Xi Jinping escolheu um de seus homens fortes no governo para conduzir uma grande iniciativa para ajudar fabricantes a superar as sanções impostas pelos EUA

(Kevin Lamarqu/Reuters)

O presidente chinês, Xi Jinping, está retomando um esforço de anos para alcançar a autossuficiência em tecnologia. Ele escolheu um de seus homens fortes no governo para conduzir uma grande iniciativa para ajudar fabricantes de semicondutores do país a superar as sanções impostas pelos EUA.

Liu He é o czar econômico de Xi que cuida de uma ampla variedade de segmentos — do comércio exterior a finanças e tecnologia. Foi ele o convocado para comandar o chamado desenvolvimento de chips de terceira geração, além de uma série de medidas de apoio público e financeiro para essa tecnologia, de acordo com pessoas com conhecimento do assunto e pediram anonimato para falar com a imprensa.

Trata-se de um ramo nascente que depende de novos equipamentos e materiais que vão além do silício tradicional. É uma arena que nenhuma empresa ou nação domina ainda, proporcionando a Pequim uma grande chance de contornar os obstáculos colocados a suas fabricantes de chips pelos EUA e seus aliados. As sanções, que vieram durante a presidência de Donald Trump, já sufocaram a operação de smartphones da Huawei Technologies e impedem fabricantes de semicondutores — incluindo a HiSilicon, da Huawei, e a Semiconductor Manufacturing International — de avançar na direção de tecnologias mais avançadas de fabricação de wafers, ameaçando as ambições tecnológicas da China.

“A China é quem mais usa chips no mundo, então a segurança da cadeia de abastecimento é alta prioridade”, disse Gu Wenjun, analista-chefe da firma de pesquisas ICwise. “Não é possível para nenhum país controlar toda a cadeia de abastecimento, mas o esforço de um país é definitivamente mais forte do que o de uma única empresa.”

O envolvimento de um dos indivíduos de maior confiança de Xi destaca a importância que Pequim atribui à iniciativa, que ganha urgência à medida que EUA, Japão e Coréia do Sul agem para apoiar seus fabricantes domésticos. O presidente chinês há muito tempo pede apoio de seu conselheiro formado em Harvard para lidar com questões de alta prioridade. Ele foi escolhido para ser o principal representante nas negociações comerciais com os EUA e presidente do Comitê de Desenvolvimento e Estabilidade Financeira, onde conduz o programa para reduzir os riscos no setor financeiro do país, que movimenta mais de US$ 5 trilhões.

Em maio, Liu comandou o encontro da força-tarefa de tecnologia que discutiu a expansão de tecnologias de semicondutores de última geração. Aos 69 anos, o vice-premiê, que encabeça a força-tarefa da renovação tecnológica do país desde 2018, também supervisiona projetos capazes de alavancar a fabricação tradicional de semicondutores, incluindo o desenvolvimento de software nacional de design de chips e máquinas de litografia ultravioleta extrema, segundo uma das fontes.

O Conselho de Estado e o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação não responderam às solicitações de comentário da reportagem.

Ver mais

Mundo

Com eficácia de 47%, vacina da CureVac contra covid-19 falha em teste

Publicado

dia

Por

Estudo foi feito com 40 mil voluntários na Europa e América Latina

CureVac’s© REUTERS/Yves Herman

A empresa de biotecnologia alemã CureVac NV informou nessa quarta-feira (16) que sua vacina contra covid-19 foi só 47% eficaz em um teste de estágio avançado, ficando aquém do objetivo principal do estudo e causando dúvidas sobre a possível entrega de centenas de milhões de doses à União Europeia (UE).

A baixa eficácia da vacina, conhecida como CVnCoV, foi mostrada em uma análise provisória baseada em 134 casos da doença, em estudo com cerca de 40 mil voluntários na Europa e na América Latina.

As apostas para a CureVac e para possíveis compradores europeus da vacina aumentaram depois que limites de idade foram impostos no uso dos imunizantes da Johnson & Johnson e da AstraZeneca, devido a problemas de coagulação extremamente raros, mas potencialmente fatais.

Também se esperava que a vacina da CureVac ajudasse países de renda baixa e média, que estão muito atrás de nações mais ricas no esforço global de imunização.

Firmando os únicos acordos grandes de suprimento com a CureVac, a UE garantiu em novembro até 450 milhões de doses da vacina, das quais 180 milhões são opcionais. O negócio veio após um memorando de entendimentos firmado com a Alemanha para a entrega de mais 20 milhões de doses.

Negociadas na bolsa dos Estados Unidos, as ações da CureVac caíram 50,6% e ficaram em US$ 46,81 após o pregão, na esteira da publicação dos dados.

A empresa disse que ao menos 13 variantes do vírus respondem pelas infecções na população estudada. Agência Brasil

Ver mais

Mundo

Pandemia teve impacto na deterioração da paz mundial, diz relatório

Publicado

dia

Por

Levantamento é do Instituto de Economia e Paz, divulgado hoje

Policiais atuam na instável região de Jawzjan, no Afeganistão© Radio France Internationale – Reuters

A pandemia covid-19 teve “impacto significativo” nos níveis de conflito e violência no mundo, resultando em mais agitação civil e instabilidade política, diz a organização não governamental (ONG) Instituto de Economia e Paz (IEP) em relatório publicado hoje (17)

Segundo a edição de 2021, com dados relativos a 2020, o “Índice Global de Paz” caiu 0,07% comparado ao ano anterior, com melhorias identificadas em 87 países e deteriorações em 73.

“A pandemia de covid-19 teve impacto significativo no nível de paz em todo o mundo em 2020”, diz o relatório, acrescentando que os confinamentos e outras restrições ajudaram a diminuir crimes violentos e homicídios no início, mas os níveis voltaram ao normal.

A violência doméstica também aumentou em todo o mundo, mas conflitos e crimes de ódio parecem ter caído.

“No início da pandemia covid-19, houve uma série de indicadores que melhoraram, como os crimes, homicídios e a instabilidade social, mas voltaram a aumentar, incluindo 5 mil manifestações violentas relacionadas com a pandemia entre janeiro de 2020 e abril de 2021 por todo o mundo”, afirmou hoje o fundador e diretor do IEP, Steve Killelea, em apresentação à imprensa.

O empresário australiano disse que a pandemia “exacerbou tensões em alguns países” e que, “se a situação económica difícil persistir, é provável que agitação social e instabilidade política aumentem”.

Portugal desceu uma posição no índice, para quarto lugar, atrás da Islândia, Nova Zelândia e Dinamarca, que usa vários indicadores sobre conflitos em nível nacional e internacional, segurança da sociedade e militarização.

O Timor-Leste, na 56ª posição da tabela, a Guiné Equatorial (62ª), Angola (80ª), Guiné-Bissau (99ª), Moçambique (103ª) são os outros países lusófonos incluídos na 15ª edição do Índice, que cobre 163 países e territórios independentes, equivalentes a 99,7% da população.

Cabo Verde e São Tomé e Príncipe não estão incluídos..

O Afeganistão é o país menos pacífico pelo quarto ano consecutivo, seguido pelo Iêmen, a Síria, o Sudão do Sul e Iraque.

A Europa é a região mais pacífica, enquanto a América do Norte registrou a pior deterioração regional devido à agitação civil e manifestações violentas nos Estados Unidos relacionadas com a conjuntura política, como as eleições presidenciais e protestos antirracismo.

O relatório identifica ainda a Guiné Equatorial, o Timor Leste e Angola entre os dez países com maior risco de aumento da violência nos próximos cinco anos devido ao elevado “déficit de paz positiva”.

Ver mais

Mundo

Biden e Putin se reúnem nesta quarta em busca de “reaproximação estratégica”

Publicado

dia

Por

Primeira cúpula entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia tem como objetivo uma “reaproximação estratégica”, após retórica inflamada dos dois lados. Direitos humanos, Ucrânia e ataques cribernéticos devem dominar a agenda

Joe Biden se diz “preparado” para conversa com Putin – (crédito: Nicholas Kamm/AFB).

A ausência de um banquete de Estado e de uma entrevista coletiva dão o tom nervoso da cúpula entre os presidentes Joe Biden (EUA) e Vladimir Putin (Rússia). Os dois líderes debaterão temas espinhosos na Villa La Grange, uma edificação do século XVIII situada às margens do Lago Genebra, na capital da Suíça. Nos últimos dias, as relações entre Washington e Moscou se tensionaram, e Biden prometeu “avisar” a Putin quais são as “linhas vermelhas” que ele não poderá cruzar. Entre os assuntos mais sensíveis, estão a perseguição ao opositor russo Alexey Navalny, a ofensiva russa na Ucrânia, o apoio do Kremlin ao regime da Bielorrússia e os ataques cibernéticos que ameaçaram as eleições de 2016 nos Estados Unidos. “Sempre estou preparado”, respondeu Biden a jornalistas, quando perguntado se estava pronto para a reunião. “Não procuro um conflito com a Rússia, mas responderemos se a Rússia continuar com suas atividades prejudiciais”, acrescentou.

Por sua vez, Putin afirmou à emissora NBC esperar que Biden se mostre menos impulsovo do que o ex-presidente norte-americano Donald Trump e chegou a chamar o republicano de “homem talentoso”. A cúpula em Genebra deve durar apenas cinco horas, com início às 13h (8h em Brasília). As sessões de trabalho contarão com as presenças de Anthony Blinken e de Serguei Lavrov, respectivamente os chefes da diplomacia dos EUA e da Rússia.

A relação entre Biden e Putin apresenta desgastes desde 5 de fevereiro, quando o norte-americano declarou que “o tempo em que os EUA se sujeitavam aos atos agressivos da Rússia” acabou. Na ocasião, o norte-americano acusou o Kremlin de “envenenar cidadãos” — alusão a Navalny, que sobreviveu à ingestão do agente nervoso Novichok, em 20 de agosto de 2020. Em entrevista televisiva, Biden respondeu afirmativamente ao ser questionado se achava que Putin é um assassino. Em 15 de abril, depois que Biden impôs sanções a Moscou, ele defendeu o momento de uma “desescalada”. Hoje, em Genebra, ambos buscarão ensaiar uma aproximação estratégica. Especialistas consultados pelo Correio admitem que o encontro de hoje ocorrerá “sob baixa expectativa”.

Resultados

Um dos mais renomados estudiosos sobre a Rússia, Robert Legvold — professor de ciência política da Columbia University (em Nova York) — acredita que Biden e Putin se empenharão em fazer da cúpula um sucesso. “Eu prevejo passos, ainda que limitados, demonstrando que ambos compartilham os objetivos de transformar um relacionamento bastante danificado (e potencialmente perigoso) em uma base mais estável e previsível. Isso significa levar a sério o lançamento de um ‘diálogo de estabilidade estratégica’ projetado para reparar algumas das grades de proteção perdidas, como a necessidade do controle de armas nucleares, e a restauração das linhas de comunicação, possivelmente com mecanismos de gerenciamento de crise”.

Questionado sobre possíveis “resultados finais” da cúpula, ele cita o possível retorno de embaixadores, a reativação das missões diplomáticas, um acordo mútuo para a extradição recíproca de cibercriminosos, além de passos concretos de cooperação sobre o Ártico. Professor de política comparativa da Universidade de Kiev-Mohyla, Olexiy Haran descarta um grande avanço entre os EUA e a Rússia. “Os dois lados precisam dar passos realistas em alguns pontos, como mudanças climáticas, combate à pandemia, conflitos regionais e temas ligados ao Irã. Poderemos ver uma abordagem comum em relação a Teerã, pois Putin e Biden não têm interesse em que o regime tenha armas nucleares”, disse à reportagem.

Para Haran, Putin começa a cúpula como vitorioso, pois precisa se mostrar como um grande líder — uma percepção ampliada pelo fato de que Biden aceitou se encontrar com ele. No campo dos direitos humanos, o especialista ucraniano aposta que o norte-americano mecionará o caso de Navalny. “Mas, não penso que Putin fará qualquer concessão, pois teme a oposição e tentará esmagá-la. E a oposição, aqui, não é apenas Navalny, mas se refere a protestos em massa”, comentou, ao advertir que Putin é um especialista em barganha. Como efeito da cúpula, Haran vê a possibilidade de os EUA e o Ocidente aumentarem a ajuda à Ucrânia em diferentes esferas. “Em resposta, a Rússia pode começar uma agressão militar contra a Ucrânia, o que pode levar ao aumento drástico das sanções. Mas, Putin não tem recursos para confrontar o Ocidente.”

» Eu acho…

“A cúpula em Genebra envolverá a sensação de que tanto Biden quanto Putin levou o outro a sério e lidou com a contraparte de uma maneira direta. O encontro dará ao norte-americano e ao russo a confiança de que ambos compreendem os pontos de perigo no relacionamento, bem como as áreas de cooperação em potencial.” Robert Legvold, professor de ciência política da Columbia University (Nova York).

“Putin pode tentar usar ações de aliados em diferentes conflitos para complicar a vida dos Estados Unidos. Também deverá manter ataques cibernéticos contra os EUA e o o Ocidente. Pode haver um progresso limitado em alguns campos, mas não um grande avanço. O fato de os dois líderes não participarem de uma entrevista coletiva, ao fim do encontro, é algo simbólico.” Olexiy Haran, professor de política comparativa da Universidade de Kiev-Mohyla.

Ver mais

Mundo

Candidato reformista se retira da eleição presidencial no Irã

Publicado

dia

Por

Dos sete candidatos, cinco ultraconservadores e dois reformistas, Mehralizadeh era o único que não superava 1% nas intenções de voto, segundo o instituto de pesquisas iraniano Ispa

(crédito: MORTEZA FAKHRI NEZHAD)

Um dos dois candidatos reformistas, Mohsen Mehralizadeh, decidiu sair da eleição presidencial do Irã, que acontecerá na próxima sexta-feira (18/6), anunciou a imprensa do país.

Um porta-voz da campanha de Mehralizadeh confirmou a decisão do candidato sem explicar as razões e disse que nas próximas horas será divulgado um comunicado, informou a agência de notícias ISNA.

Dos sete candidatos, cinco ultraconservadores e dois reformistas, Mehralizadeh era o único que não superava 1% nas intenções de voto, segundo o instituto de pesquisas iraniano Ispa.

O ultraconservador Ebrahim Raissi, presidente da Autoridade Judicial, é o grande favorito da eleição.

De acordo com as poucas pesquisas divulgadas até o momento, a taxa de abstenção pode bater o recorde de 57% registrado nas eleições legislativas de 2020.

Ver mais

Mundo

China confirma lançamento de astronautas para nova estação espacial

Publicado

dia

Por

O país investiu bilhões de dólares ao longo de décadas para alcançar potências espaciais, enviando humanos ao espaço, sondas à Lua e, no mês passado, colocou um robô em Marte.

(crédito: GREG BAKER / AFP)

A China confirmou o lançamento de três astronautas, nesta quinta-feira (17/6), às 9h22 locais (22h22 em Brasília), para sua nova estação espacial, em construção, para uma primeira missão de três meses.

Os três astronautas, todos homens, decolarão da base de Jiuquan, no deserto de Gobi (noroeste), anunciou a agência espacial encarregada dos voos tripulados (CMSA) em entrevista coletiva.

O trio embarca a bordo da espaçonave Shenzhu-12, impulsionada por um foguete Longa Marcha 2F, que irá atracar em Tianhe (“Harmonia Celestial”). Por enquanto, este é o único módulo da estação posta em órbita terrestre baixa em 29 de abril (350-390 km de distância).

A bordo, os astronautas se dedicarão a trabalhos de manutenção, instalação, saídas para o espaço, preparação de futuras missões e de próximas estadas de outros tripulantes.

A missão Shenzhu-12 é o terceiro dos 11 lançamentos que serão necessários para a construção da estação entre 2021 e 2022. Ao todo, estão previstas quatro missões tripuladas.

Os três astronautas, todos homens, decolarão da base de Jiuquan, no deserto de Gobi (noroeste), anunciou a agência espacial encarregada dos voos tripulados (CMSA) em entrevista coletiva.

O trio embarca a bordo da espaçonave Shenzhu-12, impulsionada por um foguete Longa Marcha 2F, que irá atracar em Tianhe (“Harmonia Celestial”). Por enquanto, este é o único módulo da estação posta em órbita terrestre baixa em 29 de abril (350-390 km de distância).

A bordo, os astronautas se dedicarão a trabalhos de manutenção, instalação, saídas para o espaço, preparação de futuras missões e de próximas estadas de outros tripulantes.

A missão Shenzhu-12 é o terceiro dos 11 lançamentos que serão necessários para a construção da estação entre 2021 e 2022. Ao todo, estão previstas quatro missões tripuladas.

 

Ver mais
Publicidade

Escolha o assunto

Publicidade
Publicidade

Viu isso?