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Flexibilidade e arrecadação: Academias mais baratas fortalecem o segmento

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Embora o faturamento tenha ficado estável em US$ 2 bilhões, alta dos investimentos sinaliza que o mercado deve ganhar musculatura com o avanço das redes de baixo custo

A Smart Fit foi a primeira rede de academias de baixo custo do Brasil, inaugurada em 2009
(foto: Monique Renne/CB/D.A Press)

São Paulo — Governo novo, reformas encaminhadas e perspectiva de retomada dos investimentos. A chegada de 2019 trouxe bons ares para grande parte dos setores produtivos da economia brasileira. Um deles é o setor fitness. O faturamento do mercado ficou estável em US$ 2 bilhões nos últimos dois anos, mas a taxa de penetração cresceu de 4,6%, em 2017, para 5% no ano passado, segundo cálculos da Associação Brasileira de Academias (Acad Brasil).

Em número de estabelecimentos, o país também se manteve na vice-liderança mundial, com 34,5 mil unidades, atrás apenas dos Estados Unidos, com 38,4 mil. Já em clientes, o Brasil está na quarta colocação, com 9,6 milhões de praticantes. “A boa notícia de que as academias que já estão em funcionamento deverão se recuperar positivamente com mais facilidade do que alguns outros setores, uma vez que os investimentos maiores já foram feitos em infraestrutura”, diz Gustavo Borges, ex-nadador, medalhista olímpico e presidente da Acad Brasil.

Em 2019, o chamado modelo low cost (baixo custo), importado dos Estados Unidos e que reúne academias que cobram preços acessíveis e oferecem serviços simples, completa 10 anos no mercado brasileiro. O primeiro estabelecimento low cost do Brasil foi inaugurado em 2009 com a criação da Smart Fit, do Grupo Bio Ritmo.

Flexibilidade

Desde então, as academias low cost se tornaran febre no Brasil, transformaram completamente o setor e atraíram uma legião de clientes que, antes, não tinham acesso à prática esportiva ou disposição para malhar. Atualmente, são raras as cidades brasileiras que não têm pelo menos uma unidade desse tipo.

Entre outros benefícios, os clientes desfrutam de serviços padronizados (as grandes redes oferecem os mesmos planos e pacotes em diferentes regiões) e é possível frequentar qualquer um dos diferentes endereços espalhados pelo Brasil e até no exterior.

Nenhuma rede avançou tanto nos últimos anos quanto a Smart Fit. A rede conta com mais de 2,2 milhões de alunos matriculados e está presente em 11 países: além do Brasil, México, Guatemala, República Dominicana, Chile, Peru, Argentina, Colômbia, Equador, Paraguai e Panamá.

Os números superlativos fizeram da Smart Fit a maior rede de academias da América Latina e a ideia é não parar por aí. Em 2019, deverão ser abertos 200 estabelecimentos no continente, dos quais 100 serão inaugurados no Brasil. No total, o mercado brasileiro conta atualmente com 400 unidades Smart Fit espalhadas em todos os estados.

Na América Latina, uma das grandes apostas da rede brasileira é o México. Atualmente, operam no país 125 lojas e a intenção é inaugurar outras 40 nos próximos meses. A Colômbia é outra prioridade da Smart Fit, com a previsão de abertura de 100 unidades naquele que tem se revelado um dos mercados mais promissores da América do Sul.

O negócio é tão bem-sucedido que a rede decidiu investir em outros nichos, como o de micro-academias. O grupo já conta com duas marcas desse tipo: a Race Bootcamp, focada em circuitos com esteira, e a Vidya, exclusiva para praticantes de Yoga. Ambas são academias com no máximo 500 metros quadrados e também com preços acessíveis.

O segmento low cost, sempre com mensalidades em torno de R$ 100, cresce tanto no Brasil que tem atraído aportes de fundos de private equity. “Esse modelo veio para ficar e está atraindo a atenção do mercado financeiro”, diz Gustavo Borges. “Muitos dos investimentos aportados na nossa indústria têm gerado escala, o que facilita a operação e o gerenciamento do negócio.”

Promoções

A lógica é simples: com mais recursos disponíveis, as empresas investem na abertura agressiva de unidades, o que atrai cada vez mais clientes. Quanto maior for o número de matriculados, maior a chance de a rede reduzir os valores cobrados nas mensalidades.

A Smart Fit também cresce com uma estratégia ousada de promoções. Um cliente que indicar outro ganha desconto —  às vezes, até isenção — na mensalidade e regularmente a empresa ofereça matrículas gratuitas.

Desde o início, o mercado se referia a este modelo como LCLP (low cost, low price), ou simplesmente “baixo custo, baixo preço”. Há três anos, essa percepção mudou, e os analistas de mercado passaram a usar a sigla HVLP (high volume, low price), ou “alto volume, baixo preço.”

Embora pareça casual, a mudança é significativa. O baixo custo operacional, que ainda é importante nas academias deste modelo, não é o principal fator que gera um preço baixo para o consumidor, mas sim o alto volume de clientes que frequentam a academia. “Aqueles que não tiveram a capacidade de acompanhar as mudanças, dificilmente continuarão no mercado, mas esse movimento certamente dará um novo fôlego aos negócios”, completa Borges.

Mesmo se a economia brasileira não decolar em 2019, o futuro do setor está garantido. Borges lembra que a preocupação com a saúde e o bem-estar é uma característica marcante das novas gerações, o que tem provocado profundas transformações na indústria de alimentos. Nesse contexto, cada vez mais pessoas malham — e provavelmente por toda a vida.

Entrevista

Gustavo Borges fala sobre as perspectivas do setor fitness e conta como anda a disposição dos brasileiros para malhar e cuidar da saúde.

 

(foto: D Brasil/Divulgação)
(foto: D Brasil/Divulgação)

 

Como tem sido a performance do setor de academias em 2019?

Ainda não há resultados a serem comemorados, justamente porque a economia não se recuperou. Apenas 5% da população brasileira experimenta a vivência em uma academia, o que é uma taxa de penetração muito baixa quando comparamos esse indicador com mercados internacionais, inclusive com os de países da própria América Latina.

Os brasileiros malham pouco?

De 65 países pesquisados em estudo recente, o Brasil ocupa a 27ª posição em termos de percentual de praticantes em relação à população total. Ficamos atrás até de países como Egito, Bahrein e Kuwait, com pouquíssima tradição no segmento de fitness.

Quais são as perspectivas para o mercado brasileiro, considerando que a retomada econômica é lenta?

A boa notícia de que as academias que já estão em funcionamento deverão se recuperar com mais facilidade do que outros setores, uma vez que os investimentos maiores já foram feitos em infraestrutura. Mesmo assim, não deve acontecer um grande crescimento na indústria brasileira de fitness em 2019.
Como foram os últimos anos?

Cerca de 80% das academias são pequenas empresas e os últimos anos foram bem difíceis para o setor em geral. O corte nas linhas de financiamentos e a queda do poder aquisitivo do brasileiro acertaram em cheio a maioria das empresas do segmento de fitness. As academias que apresentaram bom desempenho são aquelas que receberam capital estrangeiro ou investimento de grupos financeiros, uma modalidade que está ajudando a dar fôlego ao setor.

O crescimento do setor está concentrado em academias independentes ou em novas unidades de grandes redes?

Podemos dizer que vivemos um cenário de estabilidade, porque há novas unidades de grandes redes sendo inauguradas e também o que chamamos de microgyms, como estúdios de pilates, crossfit e outras especializadas que estão movimentando o mercado. Mas, em contrapartida, há o fechamento de empresas que não suportaram a desaceleração da economia, com cortes de créditos e falta de consumidores, assim como em vários setores. O número de academias praticamente se manteve estável nos últimos anos, levando em conta as que fecharam e as novas entrantes.

Qual é o potencial do mercado brasileiro, visto que o país, embora seja um dos maiores do mundo em número de academias, ainda está longe da liderança em horas de atividade física per capita?

Há potencial, claro. Mas precisamos, como empresários e profissionais da indústria do fitness, compreender onde está esse potencial. Um fator a ser observado é que o público com maior chance de crescimento é aquele que está em casa, no sofá, sem praticar nenhuma atividade física. Talvez a melhor estratégia não seja baixar preços para disputar clientes entre os 5% da população que já praticam exercícios em academias atualmente, e sim criar condições, instalações, programas, aulas e campanhas capazes de trazer para o mercado essa multidão de sedentários. Queremos o público que está no sofá.

O que é preciso fazer para o mercado decolar?

Quando a sociedade como um todo se conscientizar que academia é uma grande promotora de saúde, esse mercado vai decolar. Como associação representante de mais de 34 mil academias, a Acad tem trabalhado nesse sentido. Acabamos de fechar uma parceria com a Organização Mundial da Saúde para fazer uma campanha contra o sedentarismo. Seremos o piloto e a força na América Latina para esse esforço global. A OMS entendeu o papel significativo de promotores de saúde que as academias representam.

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ONU critica Bolsonaro por defender política de mineração na Amazônia

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Relatório do Conselho de Direitos Humanos aponta ainda a restrição a demarcar terras indígenas e o enfraquecimento das proteções e agências ambientais

Protesto: faixa de protesto exposta pelo Greenpeace em Jerusalém diz “Bolsonaro, pare com a destruição da Amazônia” (Greenpeace/Divulgação)

São Paulo — Relatório do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) citou o Brasil como exemplo de nação que tem tomado medidas no sentido oposto ao necessário para enfrentar as mudanças climáticas. A promessa do governo Jair Bolsonaro de liberar partes da Amazônia para mineração, a restrição a demarcar terras indígenas e o enfraquecimento das proteções e agências ambientais são alvo de críticas.

O documento, assinado pelo relator sobre pobreza extrema do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Philip Alston, tem foco nos efeitos do aquecimento global principalmente sobre a parcela da população que já é mais vulnerável. O mundo está caminhando para um “apartheid climático”, onde os ricos compram saídas para os piores efeitos do aquecimento global enquanto os pobres têm de suportar o peso, diz o relatório.

Ainda em 2018, o Brasil anunciou ter desistido de ser sede da Conferência do Clima da ONU neste ano. A justificativa oficial foi a falta de verba para receber o evento, mas Bolsonaro sempre foi crítico de discussões sobre o aquecimento global.

O documento diz que as empresas têm papel vital nas questões da mudança climática, mas não podem ser confiadas a observar as condições dos mais pobres. “Uma dependência excessiva do setor privado poderia levar a um cenário de apartheid climático em que os ricos pagam para escapar de superaquecimento, fome e conflitos, enquanto o resto do mundo é deixado a sofrer”, escreveu.

O relatório criticou governos – incluindo Estados Unidos e China – por fazer pouco mais que enviar representantes para conferências para discursar, apesar de cientistas e ativistas estarem realizando alertas desde os anos 1970. Só os Estados Unidos sofreram, desde a década de 1980, 241 desastres climáticos, o que custou mais de US$ 1 bilhão.

Governo

Procurada pelo Estado, a Presidência da República disse que não iria se manifestar sobre o relatório. Já o Ministério do Meio Ambiente não se posicionou até as 22h45 desta terça. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Rio espera tirar 3 bilhões de sacolas plásticas de circulação por ano

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Com a proibição, mercados passarão a oferecer novas sacolas, produzidas com pelo menos 51% de fontes renováveis

Segundo a Associação de Supermercados fluminense, o consumo atual das sacolas convencionais, produzidas 100% com petróleo, é de 4 bilhões por ano (LUHUANFENG/Getty Images)

Rio — O Rio espera reduzir em nada menos que 3 bilhões por ano o número de sacolas plásticas em circulação no Estado. Entra em vigor nesta quarta-feira, 26, uma lei que proíbe a distribuição e a venda de sacolas descartáveis em estabelecimentos comerciais. Segundo a Associação de Supermercados fluminense, o consumo atual das sacolas convencionais, produzidas 100% com petróleo, é de 4 bilhões por ano.

Com a proibição, os mercados passarão a oferecer novas sacolas, produzidas com pelo menos 51% de fontes renováveis, como milho e cana, que poderão ser reutilizadas por até 50 vezes. “Atualmente, são 20 bilhões de sacolas em apenas cinco anos”, frisou o deputado estadual Carlos Minc (PSB), autor da lei. “É claro que o meio ambiente não aguenta.”

Até dezembro, os mercados vão distribuir gratuitamente duas sacolinhas recicláveis para cada cliente. Quem quiser usar mais terá de pagar R$ 0,08 por unidade. A partir de janeiro, todas serão cobradas. E mesmo essas sacolas deverão ter seu uso gradualmente reduzido já a partir do próximo ano.

A meta é melhorar situações como a da Baía de Guanabara, como destaca o diretor do AquaRio, o biólogo marinho Marcelo Szpilmann. “Hoje, o maior problema é o lixo descartado de forma incorreta nos rios que desembocam na baía, onde temos verdadeiras ilhas de plástico”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Defesa quer anulação da confissão do filho de Flordelis na morte de pastor

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O advogado Anderson Rollemberg, que defende o filho biológico da deputada, Flávio dos Santos, disse que seu cliente contou não ter confessado o crime

A defesa dos dois filhos da deputada federal Flordelis (PSD-RJ) deve pedir a transferência de seus clientes, Flávio dos Santos, 38 anos, e Lucas dos Santos, 18 anos, para um presídio e pode solicitar a anulação dos depoimentos prestados à polícia.
Os dois estão com a prisão temporária decretada por 30 dias pela Justiça, mas permanecem detidos na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo desde o dia seguinte ao assassinato do pastor Anderson do Carmo, 41 anos, registrado na madrugada do último dia 16.
O advogado Anderson Rollemberg, que defende o filho biológico de Flordelis, Flávio dos Santos, disse que seu cliente contou não ter confessado o crime. Questionado pela imprensa se poderia pedir a anulação do depoimento, o advogado respondeu: “Não tenha dúvida”.
“Ele falou pra mim que não confessou. Não existe confissão. A autoridade diz que houve confissão, mas [ele] disse pra mim que não confessou [o crime]”, justificou. Rollemberg também contesta o vídeo que a polícia diz ter gravado com a confissão de Flávio sobre o assassinato. “Vocês viram o vídeo? Eu não vi o vídeo”.
“Se ela [a confissão] existe, eu estou dizendo desde já que ela não é idônea. Quem nos garante que ele [Flávio] assinou [o depoimento] de livre e espontânea vontade”, questionou. Ele afirma também que Flávio não prestou depoimento formal à polícia.
Já Flávio Creller, advogado do filho adotivo de Flordelis, garantiu que, até agora, não teve acesso ao inquérito policial e que o documento só será disponibilizado à defesa depois que todos os filhos de Flordelis prestarem depoimento.
Creller informou que também vai pedir a transferência de seu cliente, em conjunto com o advogado de Flávio, para a Cadeia Pública de Benfica, na zona norte do Rio.
Segundo ele, os dois acusados estão “abalados, consternados, não têm informação do que está acontecendo com eles, que ficam isolados na delegacia”.

Depoimentos

Além de Flordelis, que presta depoimento à polícia na condição de testemunha, cerca de 25 pessoas, entre filhos e parentes, estão sendo ouvidas em salas separadas na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.
A tomada de depoimentos não tem hora para encerrar. Flordelis já confirmou que falará, nesta terça-feira (25/6), com jornalistas sobre o assassinato de Anderson.
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