O senador Flávio Bolsonaro alterou a expressão usada em uma carta publicada em sua conta no X, substituindo “presidente eleito” por “líder do Brasil”. A carta passou por várias versões, mas as duas últimas foram publicadas pelo próprio senador.
Inicialmente, versões divulgadas por aliados o apresentavam como “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mesmo após a derrota para Lula nas eleições. Uma dessas versões possuía o brasão com a palavra “Brazil” escrita com z, enquanto a outra trazia o brasão com a inscrição “República Federativa do Brasil”.
Nas versões posteriores publicadas por Flávio ele se intitulou “verdadeiro presidente” e depois “líder do Brasil”. Na última carta, ele afirma que vai liderar a oposição brasileira do exterior e reforça acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas. Além disso, critica o Supremo Tribunal Federal (STF) e agradece ao presidente americano, Donald Trump, por acolher sua família nos Estados Unidos.
Flávio chegou a Miami após sair do Brasil pela fronteira com a Argentina e pegar um avião privado que fez escala no Equador. A viagem ocorreu depois que o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinou que ele entregasse seus passaportes em uma investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. O senador nega qualquer irregularidade.
A declaração na carta é uma surpresa, pois no dia anterior ele havia dito que desistiria de tentar anular a eleição e que não fugiria do país.
Nas eleições, Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Embora os dois principais candidatos tenham pedido a prorrogação da votação por duas horas no dia da eleição, Flávio contestou a medida posteriormente.
Ele afirmou que não pretendia sair do país, mas decidiu viajar para escapar do que chamou de perseguição política, mencionando estar acompanhado da família nos Estados Unidos e agradecendo ao governo americano pela segurança jurídica.
O presidente americano confirmou que permitiria a entrada do senador e seus familiares no país. Flávio também agradeceu ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela coragem e defesa da justiça.
Flávio voltou a questionar o resultado das urnas, concentrando críticas na decisão judicial que permitiu estender o horário de votação, acusando o STF de influenciar o TSE e favorecer Lula. Ele alegou que houve uma “impossibilidade matemática” e um aumento inexplicável dos votos de Lula, sem apresentar provas.
O senador também acusou a campanha de Lula de abuso de poder político e econômico, além do uso da máquina pública para reeleição, justificando a cassação da chapa, mas não apresentou evidências.
Ele atacou o Judiciário, que acusou de silenciar a oposição, e afirmou que as medidas judiciais contra ele fazem parte de uma perseguição política. Negou que exista mandado de prisão contra si e disse que a apreensão dos passaportes seria o início de uma série de medidas que poderiam incluir tornozeleira eletrônica e prisão domiciliar.
A medida judicial de Moraes não é uma ordem de prisão, mas envolve uma investigação contra Flávio relacionada a um advogado.
O senador traçou paralelos com líderes históricos que passaram pelo exílio e afirmou que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos, convocando aliados para continuar a luta política, mesmo estando fora do país.
Ele prometeu se comunicar regularmente com o povo brasileiro e apresentar uma estratégia para mobilizar a oposição, sem detalhar quais medidas serão adotadas ou mencionar um possível pedido de asilo político.
No encerramento, Flávio Bolsonaro enfatizou que sua saída do país não significa o fim de sua atuação política, afirmando que “esta luta não terminou e só termina quando o Brasil for livre novamente”.


