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Brasil

Flávio Bolsonaro, o futuro líder da direita conservadora

Vittor Sales

Flávio Bolsonaro (PL) se mostra mais moderado que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas ainda defende as ideias da direita conservadora — um jeito que o colocou entre os principais candidatos à presidência.

Com menos explosões que seu pai e um sorriso jovem, Flávio conquistou uma base forte de eleitores conservadores, além de atrair pessoas que estavam cansadas do presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ele ganhou mais de cinco milhões de votos a mais que seu pai em 2022 e surpreendeu ao ficar à frente de Lula no primeiro turno, em 4 de outubro.

Em um comício em São Paulo, Flávio afirmou: “Vocês verão Jair Messias Bolsonaro passar a faixa presidencial para o filho dele”.

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Ele promete ajudar a libertar o pai, que está cumprindo uma pena de 27 anos em prisão domiciliar após ser condenado por tentar um golpe de Estado depois de perder a eleição para Lula.

“Posso ser mais calmo, sorridente e tranquilo, mas trago o sangue Bolsonaro”, garantiu o senador.

Apesar de Jair Bolsonaro estar em casa preso, ele participou da campanha. Sua imagem apareceu em camisetas, cartazes, e foi usada em um vídeo com técnicas de inteligência artificial criado por Flávio. A multidão em São Paulo cantava: “Volta, Bolsonaro!”

Flávio contou que o pai estava feliz com os resultados do primeiro turno e contente por ser ouvido pela maioria das pessoas. Ele comentou que oferecer um cargo para Jair em um possível governo não está nos planos.

O analista político Thomas Traumann disse que Flávio age como a continuação do pai e que, se for eleito, não há dúvida de quem terá a palavra final.

Estilo carioca e controvérsias

Flávio, nascido no Rio de Janeiro, é o mais velho dos cinco filhos do ex-presidente e se parece muito com ele.

Seus irmãos Carlos e Jair Renan também são políticos, assim como a madrasta Michelle. Juntos, formam uma forte família na política, apesar de algumas divergências.

Flávio costuma usar terno e óculos finos, mas na campanha frequentemente vestiu a camisa da Seleção Brasileira, como o pai costumava fazer.

Casado, pai de duas filhas e evangélico, ele cultiva a imagem de um homem devoto. É advogado e começou na política aos 21 anos como deputado estadual no Rio de Janeiro.

Na campanha, mostrou um jeito descontraído e usou expressões típicas do Rio. Durante o único debate com Lula, foi chamado de “malandro carioca” pelo presidente.

Em setembro, ficou público que ele está sendo investigado por corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre seu pai.

Quando era deputado, foi acusado de criar um esquema para receber parte dos salários de seus assessores, mas o caso foi arquivado.

Seus críticos dizem que ele teria ligações com milícias do Rio, grupos que controlam bairros populares, o que ele nega.

Visão sobre a ditadura

Seus discursos focam em críticas a Lula e em promessas duras contra o crime e de reduzir gastos públicos.

Em vídeos com inteligência artificial, ele se apresenta como um herói que vem salvar o Brasil, mostrando cenas de combate a criminosos.

Diz que quer fortalecer a relação com os Estados Unidos, e seus comícios têm bandeiras americanas e bonecos do ex-presidente Donald Trump.

Mas não é claro quais são suas reais convicções. Criticou uma proposta de Lula para diminuir a semana de trabalho, mas depois votou a favor antes do segundo turno. Também tem se dedicado a conquistar o voto feminino mais do que o pai.

Em uma biografia do pai que escreveu em 2017, Flávio mostrou um lado mais conservador. Defendeu o golpe militar de 1964, dizendo que foi uma ação necessária para evitar que os comunistas tomassem o poder.

Ele chamou o regime militar, que durou até 1985, de “um período que alguns chamam de ditadura”. Também chamou o coronel condenado por tortura Carlos Alberto Brilhante Ustra de “herói nacional” e “um homem íntegro que cumpriu seu papel de proteger o país”.

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