Pular para o conteúdo
Dólar R$ 5,08 ▼ 0,57% Euro R$ 5,87 ▼ 0,00% Libra R$ 6,84 ▼ 0,18% Bitcoin R$ 333.134 ▲ 0,34%
Publicidade
Brasil

Lula e sua jornada na política brasileira

Ricardo Stuckert

Durante muitos anos, Lula evitou usar o celular. Prestes a completar 81 anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agora se chama de “rei da selfie”.

O líder da esquerda teve que mudar seu jeito depois de ter ficado atrás do candidato conservador Flávio Bolsonaro no primeiro turno da eleição.

Desde então, Lula tem compartilhado muitos vídeos para incentivar seus apoiadores.

Essa mudança mostra que ele percebeu a importância das redes sociais, dominadas pela direita, e decidiu aprender, inclusive com deputados mais jovens.

Publicidade

Isso também mostra o quanto ele estava desatualizado em um país que está muito conectado e dividido.

Depois de quase 12 anos no governo, o “homem do povo” quer um quarto mandato e enfrenta o senador Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Lula tenta provar que ainda tem força, mesmo com o desgaste dos anos.

Depois de tratar um câncer de pele, ele passou a usar um chapéu Panamá. Seu cabelo, antes preto e cheio, está grisalho e ralo, assim como a barba, que é sua marca registrada.

Mas ele insiste que está melhor do que nunca.

– Uma vida incrível –

Na campanha, ele falou muito sobre sua vida, que chamou de “trajetória épica”, como disse seu ex-ministro Fernando Haddad.

“Tudo que aconteceu na minha vida foi um milagre”, contou Lula.

Ele nasceu em 27 de outubro de 1945 em uma família pobre de agricultores em Caetés, Pernambuco. Para escapar da fome, a família se mudou para o litoral de São Paulo, no Guarujá.

Começou a trabalhar como operário aos 14 anos e perdeu um dedo em uma fábrica. Foi líder sindical e organizou grandes greves durante a ditadura militar.

Depois de três tentativas sem sucesso de ser eleito, assumiu a presidência em 2003.

Foi reeleito em 2006 e saiu do cargo com alta popularidade, graças a programas sociais financiados pelo bom momento das exportações.

No cenário mundial, ficou conhecido como líder dos países do Sul e apoiador do multilateralismo.

Porém, suas relações com governos autoritários da esquerda, como o do Hugo Chávez na Venezuela, geraram críticas.

– 580 dias na prisão –

Lula também é lembrado pelos dois primeiros mandatos. Ele disse recentemente que não quer ser visto só como o presidente do Bolsa Família.

Esse programa, que ajuda famílias pobres, é seu maior legado, mas já tem mais de 20 anos.

Em 2022, venceu por pouco o ex-presidente Jair Bolsonaro, que depois foi preso por tentar um golpe contra ele.

Lula retomou políticas sociais enfraquecidas e parou o avanço do desmatamento da Amazônia.

Seu terceiro mandato parece uma repetição, sem muitas novidades.

Carrega ainda a pena de corrupção que resultou em 580 dias na prisão em 2018 e 2019, anulada depois por problemas no processo e parcialidade do juiz Sérgio Moro. Mesmo assim, opositores continuam a chamá-lo de “Lula ladrão”.

– Sem um herdeiro político –

Por que Lula quer mais um mandato?

Ele não escolheu ninguém para continuar seu trabalho e diz que quer proteger a democracia da extrema direita.

Para Flávio Bolsonaro, o que importa é só o poder.

“Quem vê Lula não vê futuro”, afirma Flávio.

Mas Lula mostra vitalidade, fazendo exercícios e com a ajuda da terceira esposa, a feminista Rosângela da Silva, conhecida como “Janja”.

Ela, com 60 anos, foi criticada por aparecer muito na campanha depois de um resultado ruim no primeiro turno.

Se perder o segundo turno em 25 de outubro, Lula sai discretamente, mas sua importância na história já está garantida: nenhum presidente eleito democraticamente governou o Brasil por tanto tempo.

Em 2024, com confiança, declarou para a imprensa: “Ninguém nesse país tem mais experiência como presidente do que eu”.

Publicidade
Boletim Imprensa Pública

Comece o dia bem informado

O essencial do DF, do Entorno e do Brasil, de graça, no seu e-mail.