Após perder a eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil acompanhado da esposa e das duas filhas em um avião particular operado pela Baires Fly S.A., que está sendo investigada por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a contratos públicos de medicamentos e materiais médicos na Argentina.
O suposto esquema fraudulento provocou um escândalo no governo de Javier Milei em 2025 e levou à saída de Diego Spagnuolo, ex-diretor de um órgão público e aliado próximo do presidente argentino.
A saída do senador do Brasil foi confirmada pela Direção Nacional de Migrações da Argentina. Ele e sua família entraram no país pela Ponte Internacional Tancredo Neves na noite de terça-feira, 27, e logo depois embarcaram em um voo privado com destino a Guayaquil, no Equador, conforme registrado pelas autoridades. De lá, seguiram para Miami, nos Estados Unidos.
A Baires Fly está envolvida em uma investigação judicial que apura possíveis irregularidades em contratos públicos para compra de medicamentos, com suspeitas de que a empresa recebeu valores oriundos de fontes ilegais e emitiu faturas por serviços que podem ter sido fictícios.
Documentos indicam que o empresário Sergio Mastropietro, ligado à Baires Fly, pode ter ajudado a mascarar esses recursos, emitindo as faturas usadas como justificativa para as transações.
O caso gerou forte repercussão na Argentina, culminando na demissão de Diego Spagnuolo em agosto de 2025. Gravações reveladas mostram conversas sobre supostos pedidos de suborno a laboratórios que forneciam medicamentos para a agência pública responsável por políticas para pessoas com deficiência, a Andis. Os áudios também mencionam Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência.
O avião usado pelo senador é um Gulfstream G400, de fabricação americana, avaliado entre 7 e 9 milhões de dólares, com mais de 9 mil horas de voo.


