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Brasil

Flávio Bolsonaro foge para os EUA e militares passam a apoiar Tarcísio

Sergio Barzaghi/Governo de São Paulo de SP

Muitos militares ficaram desapontados quando Jair Bolsonaro foi aos Estados Unidos sem aceitar sua derrota na eleição de 2022. Desde 2018, grande parte desses militares votava em peso nele, e alguns até participaram de ações para impedir a posse de Lula. Mesmo assim, quatro anos depois, mesmo aqueles que criticaram Bolsonaro começaram a apoiar massivamente a candidatura de Flávio Bolsonaro para 2026, pois continuavam contra Lula.

Após a campanha de 2026, quando outro integrante da família Bolsonaro fugiu aos Estados Unidos sem reconhecer os resultados eleitorais e divulgou declarações incertas, muitos militares ficaram ainda mais críticos. Ao mesmo tempo, o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que já era um nome favorito entre os militares para a presidência, começou a se distanciar do bolsonarismo. Ele mencionou em entrevista que pode tentar a presidência em 2030.

Esse contexto fez com que muitos militares apoiassem com entusiasmo a campanha de Tarcísio, que é um capitão da reserva do Exército e tem experiência no governo desde 2018. Oficiais de diferentes forças falaram, sob condição de anonimato, expressando sua indignação com a fuga de Flávio Bolsonaro, que foi vista como um ato de abandono.

Para muitos, a reação não é apenas política, mas ligada a valores de caráter, honra e lealdade. Tarcísio é visto como mais alinhado aos valores conservadores dos militares, além de ter um histórico militar respeitável, diferente do que aconteceu com Bolsonaro, que saiu do Exército em condições controvertidas.

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Mesmo entre os militares, opiniões podem divergir, mas a expectativa é de que, se houver uma divisão, a maioria apoiará Tarcísio. Esse movimento ocorre em meio a críticas à atuação do STF durante o julgamento das investigações de 8 de janeiro, que alguns militares julgam severa demais, enquanto outros acham injusta a punição aplicada.

Além disso, Tarcísio tem buscado aproximar-se da defesa dos interesses militares e prezar pela estabilidade política, elogiando o atual ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. A militarização da política tem aumentado nos últimos anos, refletida no número crescente de militares e policiais eleitos.

Por fim, enquanto no Congresso ainda se discute uma proposta para impedir que militares da ativa sejam candidatos políticos, a maioria dos militares continua dividida entre apoiar Bolsonaro ou apostar no caminho que Tarcísio poderá abrir no futuro.

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