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Economia

Fim da escala 6×1 aumenta produtividade e melhora vida dos trabalhadores

A mudança do sistema de trabalho da escala 6×1 para a escala 5×2, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, tem sido muito bem recebida pelos trabalhadores. Apesar de alguns setores econômicos temerem que essa alteração possa impactar a produtividade, estudos realizados no Brasil e em outros países indicam que essas mudanças podem aumentar a produtividade ou, no mínimo, não causar prejuízos significativos.

Uma pesquisa feita pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que em 7 em cada 10 países onde houve redução da jornada de trabalho ou adoção de horários flexíveis, a produtividade cresceu. No Brasil, um estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontou um aumento de 12% na produtividade entre 2012 e 2024, além de crescimento econômico de 25%, o que garante condições favoráveis para a implantação da nova jornada sem redução salarial.

Para facilitar a adaptação, a emenda constitucional 141, promulgada em 16 de junho, oficializou a redução da jornada e a adoção da escala 5×2. Além disso, estudos indicam que o custo da mão de obra no Brasil é menor que o de países desenvolvidos, o que pode ajudar a compensar eventuais perdas. Por exemplo, o custo por hora trabalhada no Brasil em 2020 foi de 6,31 dólares, enquanto no Chile, que também reduziu a jornada recentemente, foi de 13,65 dólares em 2022.

Experiências internacionais, como a da Inglaterra, que testou a semana de trabalho com quatro dias e 36 horas, apontaram aumento ou manutenção da produtividade em quase metade das empresas envolvidas.

Mais tempo livre e melhor qualidade de vida para os trabalhadores

Um levantamento feito pela fintech Meutudo em março com 6.000 pessoas que já trabalharam na escala 6×1 mostrou que 92% acreditam que o fim dessa escala melhora a qualidade de vida. Entre os principais problemas apontados estavam a falta de tempo para descanso e para conciliar vida pessoal com trabalho.

Trabalhadores de diferentes áreas destacam que o novo dia de folga permitirá resolver tarefas pessoais, descansar e estar mais presente na família. Isadora Valverde, atendente de loja, ressalta que agora poderá cuidar de assuntos que antes não conseguia fazer aos domingos. Reginaldo Lopes, que trabalha de segunda a sábado, espera participar de momentos importantes com seu filho e aliviar a rotina desgastante do deslocamento diário.

Bianca Santos, que também já enfrentou a escala 6×1, considera que a mudança deixou as condições mais justas para os trabalhadores e que será mais fácil organizar a casa, estudar e aproveitar o tempo livre.

Adriana Alves, que trabalhou por muitos anos na escala antiga, relata dificuldades que enfrentou, como a falta de convívio com os filhos, problemas de saúde causados pelo esforço prolongado e a sobrecarga das tarefas domésticas nos dias de folga escassos.

Apesar do otimismo, algumas pessoas estão céticas em relação à efetiva implementação da mudança. Estela Ferreira Silva, que está perto de se aposentar, acredita que o dia extra de descanso pode não ser suficiente para muitas pessoas que precisam trabalhar para complementar a renda e teme que a alteração possa afetar suas comissões por reduzir dias de venda.

Por sua vez, Bruno Ferreira da Silva, vendedor do varejo, pretende aproveitar inicialmente o novo descanso para recuperar energias, mas planeja buscar uma renda extra futuramente. Letícia Amaral, gerente de lanchonete, afirma que equipes mais descansadas são mais produtivas e que a empresa já se comprometeu a adaptar os horários de acordo com a legislação, sem redução salarial.

Entre os empregadores, Marcelo Pereira da Silva, dono de farmácia, acredita que a mudança beneficiará o negócio, pois funcionários descansados produzem mais, e considera o prazo de adaptação de 60 dias adequado.

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