A moeda digital B22, que pediu votos para Flávio Bolsonaro, caiu 86% em valor seis dias depois de ser lançada. Quem criou a moeda anunciou que vai parar as operações e divulgou um vídeo pedindo desculpas por ter ligado o projeto à política para ganhar atenção.
O projeto oferecia moedas digitais para quem compartilhasse mensagens a favor do candidato do PL. A divulgação envolveu o grupo Hypers Kids Africa, de crianças e jovens de Uganda, que apareceu em vídeos incentivando o voto em Bolsonaro. A iniciativa dizia que ajudaria a construir uma casa para essas crianças.
Após o caso ser revelado, a campanha do Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha de Flávio negou envolvimento com o projeto e anunciou ações judiciais contra os responsáveis. A ministra Estela Aranha ordenou o bloqueio do site e a suspensão das recompensas por publicações, identificando possíveis pagamentos por propaganda eleitoral.
Uma investigação foi aberta para analisar a participação do B22 e de Pablo Marçal em apoio a Flávio. A defesa da campanha do PL e de Marçal precisa ser apresentada em cinco dias.
No site do B22, um vídeo afirma que a polêmica aumentou a visibilidade para a construção da casa em Uganda, nega participação de políticos e compra de votos, e pede desculpas pela utilização inadequada do momento.
O encerramento das atividades foi atribuído à decisão do TSE. Os criadores dizem que o erro foi associar o projeto à política, e agora vão focar no HypersKids Token, moeda antiga ligada ao grupo africano, e na construção da casa.
O grupo Hypers Kids Africa disse que vai devolver os 120 milhões de B22 e pediu desculpas ao público brasileiro, afirmando que quer terminar a casa e não se envolver com partidos políticos.
Nos grupos de WhatsApp usados para divulgar a moeda, houve discussões e cobranças por prejuízos. Um dos principais divulgadores, Kevim Flores, pressionou os participantes a manter o valor da moeda, sugerindo mudar a narrativa política para evitar maiores perdas.
Apesar disso, um comprador vendeu seus tokens com prejuízo de 50%, ou cerca de US$ 350, achando que o projeto seria abandonado. Flores negou que o projeto seria deixado de lado e culpou o comprador pela interpretação errada.
