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Brasília

Fim da 6×1 altera funcionamento do comércio do DF no Natal

A rotina dos trabalhadores do comércio do Distrito Federal passará por mudanças a partir de dezembro. Com o fim da escala 6×1, os funcionários terão direito a dois dias de descanso remunerado por semana. Além disso, a jornada de trabalho semanal será reduzida gradualmente de 44 para 42 horas, sem que haja redução salarial. Essa alteração começará a valer no dia 16 de dezembro, período em que as lojas se preparam para o movimento intenso das compras de Natal.

Durante o Natal, o comércio do Distrito Federal costuma ter mais movimento, com aumento nas vendas e necessidade de reforço no atendimento. A partir de 16 de dezembro, a nova jornada substituirá a escala 6×1 por dois descanso remunerados semanais e reduzirá a carga semanal máxima para 42 horas, sem mexer nos salários. Como consequência, as empresas precisarão reorganizar folgas e horários para manter o atendimento durante as festas.

Essa mudança exigirá que o comércio reorganize os dias de trabalho e os descansos para garantir serviço ao público, inclusive nos finais de semana. A Fecomércio-DF valoriza a melhoria das condições de trabalho, mas alerta que a transição requer planejamento, principalmente para estabelecimentos com equipes reduzidas.

Fecomércio-DF ressaltou que é essencial que a implantação seja equilibrada, com diálogo e segurança jurídica. As principais preocupações envolvem a reorganização das escalas, o aumento dos custos e a preservação dos empregos, especialmente nas pequenas empresas.

A federação recomenda que os empresários revisem as escalas de trabalho e dialoguem com os sindicatos para melhor organizar as equipes. Em alguns casos, pode ser necessário contratar mais funcionários para manter o atendimento durante os períodos de maior movimento.

Até o momento, não há uma estimativa definitiva sobre o impacto financeiro desta mudança no comércio do DF. A redução da jornada sem diminuir o salário aumenta o custo da hora trabalhada e, caso haja necessidade de novas contratações, as despesas com a folha podem subir.

Essa adaptação no Natal merece atenção, já que coincide com o aumento das vendas e na demanda do atendimento, mas ainda não foi calculado o custo total dessa mudança para o setor.

Como se adaptar

De acordo com o economista e professor do Centro Universitário do Distrito Federal, José Pagnussat, adaptar as equipes não deve ser um grande problema operacional, pois muitos locais já usam rodízios e folgas alternadas para garantir funcionamento aos fins de semana.

José destaca que o principal impacto será financeiro, pois o comércio poderá precisar de mais funcionários e horas extras para manter o atendimento. Parte desses custos tende a ser repassada para o consumidor, embora o impacto nos preços não deva ser muito grande.

Ele também aponta que a transição gradual da jornada de 44 para 42 e depois para 40 horas semanais pode ajudar a amenizar os impactos.

Contratações para o final do ano

A mudança na jornada de trabalho acontece em um momento em que o comércio tradicionalmente contrata para reforçar as equipes no fim do ano. Pesquisa da Fecomércio-DF, feita entre 10 e 21 de setembro com 122 empresas, mostra que 47,54% pretendem contratar temporários em 2026, com cerca de 4,5 mil oportunidades, número maior que no ano passado.

Essas contratações sazonais são para as vendas do fim de ano, não relacionadas exclusivamente à mudança na jornada. Entre os que contratarão, 69% consideram efetivar os temporários após o período.

José afirma que o calendário sazonal pode facilitar essa transição e que o setor já está acostumado a contratar empregados temporários para datas comemorativas como o Natal.

A Fecomércio destaca que eventuais mudanças nos horários de funcionamento dependerão da realidade de cada empresa. Além disso, não haverá aumento automático nos preços, já que os repasses dependerão dos custos e das condições do mercado.

Para o economista, a mudança exige atenção, mas pode trazer mais benefícios que custos para o setor e trabalhadores a longo prazo.

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