Com as tradicionais bandeirinhas coloridas, os ensaios de quadrilha e o aroma de comidas típicas, as festas juninas já começaram a movimentar o comércio e as famílias no Distrito Federal. A expectativa é alta entre os lojistas, pois uma pesquisa do Instituto Fecomércio-DF revelou que 96% dos empresários dos setores relacionados às festividades esperam ver um crescimento nas vendas este ano, um número maior do que os 77% registrados em 2025.
De acordo com o estudo, 55% dos empresários prevêem um aumento nas vendas entre 10% e 20%, enquanto 20% esperam um crescimento entre 20% e 30%. O gasto médio esperado para o período é de R$ 116,95. Entre os setores que mais devem se beneficiar estão os calçados, com gasto médio de R$ 192,38, fantasias e adereços (R$ 122,50), roupas (R$ 107,12) e alimentos e bebidas (R$ 73,46).
O presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, destaca que esses resultados mostram um ambiente mais favorável para os negócios. “Isso indica que o setor está mais otimista e preparado para aproveitar as tendências da temporada. Os empresários têm observado o comportamento dos consumidores e procurado tornar o ambiente de compra mais atraente”, afirmou.
Aluguel de Trajes Está em Alta
Um dos setores que mais cresce nessa época é o aluguel de fantasias e roupas típicas. Na empresa Camarim Fantasias, a procura por trajes juninos deve aumentar em cerca de 70% nas próximas semanas, segundo a gerente Alcileide Lima da Silva.
Os itens mais requisitados são vestidos e saias com várias estampas, além de trajes completos para apresentações em escolas e festas comunitárias. Uma novidade deste ano é a procura por figurinos nas cores da bandeira brasileira. Para atender a essa demanda sem afugentar os clientes, a empresa ampliou a variedade dos trajes sem aumentar os preços. “Mudamos os modelos, mas mantivemos os valores. Queremos atrair mais pessoas oferecendo mais opções”, explicou.
Escolas Impulsionam o Consumo em Vários Setores
Parte importante desse ciclo de consumo começa nas escolas. Aline Brito, coordenadora pedagógica de Educação Infantil e Anos Iniciais do Colégio Sigma, comenta que as famílias costumam se preparar com antecedência para as apresentações.
“As festas juninas envolvem toda a comunidade escolar e muitas famílias se organizam para comprar ou adaptar fantasias, acessórios e outros itens para as crianças”, relatou.
Ela explica que o impacto vai além da compra de roupas, abrangendo a contratação de serviços de som, decoração, montagem de estruturas, fotografia, alimentação, confecção de materiais e apoio geral. “Esses eventos ultrapassam os muros da escola e geram efeitos positivos em vários setores da economia local”, acrescentou.
A coordenadora também observou uma mudança no comportamento dos consumidores, com o aumento do reaproveitamento e compartilhamento de roupas entre famílias, refletindo tanto o cuidado com o orçamento quanto um consumo mais consciente.
Gastos Planejados pelas Famílias
A movimentação econômica é sentida também dentro das casas. Daniela Furtado de Lima, mãe da estudante Yasmin, estima gastar cerca de R$ 350 para participação da filha na festa junina da escola, incluindo figurino, acessórios e alimentação no evento.
Ela explicou que essa despesa já está integrada ao planejamento financeiro anual da família. “Esses gastos fazem parte do nosso orçamento porque é um evento tradicional que ocorre todo ano nessa época”, destacou.
Este ano, a família optou por comprar um novo traje, pois o tema será Catira. O figurino precisava ser diferente dos anos anteriores, então não foi possível reutilizar roupas antigas.
Tradição que Gera Oportunidades de Negócio
Enquanto as crianças se preparam para as danças e apresentações, os comerciantes se organizam para um dos períodos mais movimentados do primeiro semestre. A pesquisa Fecomércio-DF mostra que 92% dos lojistas têm estoques preparados para atender à demanda e 97% planejam investir em promoções, publicidade e vitrines temáticas para impulsionar as vendas.
O setor espera que as festas juninas continuem não só como uma das manifestações culturais mais tradicionais do Brasil, mas também como uma importante fonte de renda e movimentação econômica para diversos segmentos do comércio no Distrito Federal.

