GABRIELA CECCHIN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
O Feirão Limpa Nome da Serasa termina nesta quarta-feira (1º) e oferece descontos que chegam a 99% para quem quer renegociar suas dívidas. Essa é a maior campanha do tipo no país, com mais de 2.200 empresas participantes e parcelas que começam em R$ 9,90.
Há uma tenda física no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, mas quem preferir pode usar os canais digitais e telefônicos para participar. O atendimento está disponível pelo site, aplicativo, WhatsApp ou nas agências dos Correios.
A organização espera alcançar mais pessoas do que nas edições anteriores, com atendimento presencial e online reforçado.
Eduardo Martinelli, gerente executivo de marketing da Serasa, comenta que a estrutura montada em São Paulo tem atraído muitos consumidores.
“Desde novembro do ano passado, montamos essa tenda que, além da renegociação, oferece palestras e workshops sobre educação financeira. A participação está maior”, diz ele.
Ele explica que o movimento já ultrapassou as edições anteriores. “No ano passado, em novembro, atendemos mais de 12 mil pessoas e agora esperamos atingir 20 mil. Em média, fechamos 2 mil acordos por dia, e em um dia chegamos a 3 mil só na tenda”, conta.
Como participar do feirão?
O Feirão Limpa Nome pode ser acessado de várias formas, todas com as mesmas condições de negociação. A participação é gratuita.
Quem prefere negociar pela internet pode usar o site, aplicativo ou WhatsApp da Serasa:
- acessar a plataforma usando CPF e senha (ou se cadastrar);
- verificar as dívidas disponíveis;
- escolher uma oferta e definir como pagar;
- confirmar o acordo e realizar o pagamento.
Também há atendimento por telefone no número 0800-5915161, disponível durante o feirão. É possível negociar presencialmente em mais de 7.000 agências dos Correios em todo o Brasil, ou na tenda no Anhangabaú, que funciona das 9h às 18h.
Dívidas antigas e inadimplência alta
O evento acontece em um momento de grande endividamento da população. Dados da Serasa mostram que 42% dos inadimplentes estão com dívidas há mais de 10 anos, o que evidencia a dificuldade para regularizar as finanças no país.
Em fevereiro de 2026, havia 81,7 milhões de inadimplentes no Brasil, com mais de 332 milhões de dívidas acumuladas. Nos últimos 10 anos, o número de pessoas com contas atrasadas cresceu 38,1%. O aumento da inadimplência está ligado tanto a fatores econômicos, como juros altos e inflação, quanto ao uso de crédito para complementar a renda.
Para muitos, o feirão é uma chance de reorganizar as finanças após enfrentar problemas recentes.
É o caso de Elisângela Lima Pereira, 50 anos, que busca negociar dívidas acumuladas depois de problemas de saúde. “Passei por uma cirurgia de câncer no cérebro e fiquei com R$ 20 mil em dívidas no cartão de crédito. Agora que voltei a trabalhar, vou tentar um acordo”, diz ela.
Na tenda do Anhangabaú, consumidores relatam alívio após conseguirem reduzir muito suas dívidas. Francisco de Assis Alves de Souza, 60 anos, afirma ter conseguido 96% de desconto, de R$ 4.000 para R$ 185. “Fiquei muito satisfeito. Antes, recebia ligações de cobrança o tempo todo. Agora, não vão mais ligar”, conta.
A cuidadora de idosos Regina Benevides, 55 anos, também quitou dívidas com mais de 90% de desconto. “Tinha pouco mais de R$ 3.000 de dívida e paguei R$ 155. Era um peso, agora estou muito feliz”, relata.
A professora Rosângela Nascimento, 45 anos, obteve descontos menores, mas está satisfeita com a experiência. “Um desconto foi de 28% e outro de 15%. Fiquei tranquila, resolvi tudo no momento e gostei.”
A Serasa alerta para que os participantes fiquem atentos a golpes durante o feirão. A recomendação é usar somente os canais oficiais e desconfiar de cobranças antecipadas ou contatos suspeitos.
Especialistas recomendam que o consumidor avalie sua capacidade de pagamento antes de fechar um acordo e priorize as dívidas com juros mais altos.
Depois do pagamento, a regularização do nome pode acontecer em até cinco dias úteis, tempo que a empresa credora tem para informar a quitação aos órgãos de proteção ao crédito.

