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quinta-feira, 12/03/2026




Facções criminosas cv e pcc fizeram acordo pelo whatsapp, revela investigação

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BRUNA FANTTI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)

No início de 2025, os grupos criminosos Comando Vermelho e PCC (Primeiro Comando da Capital) tentaram formar uma aliança, negociada por meio de mensagens no WhatsApp entre os líderes das organizações.

Essa união temporária foi descoberta pela Polícia Civil do Rio de Janeiro durante uma investigação realizada em 11 de março. O acordo durou cerca de dois meses, após o qual foi desfeito, porém, os dois grupos ainda mantêm um pacto para evitar conflitos, embora ocorram alguns episódios isolados de violência.

Do lado do Comando Vermelho, a negociação foi conduzida por Edgar Alves, conhecido como Doca, considerado o chefe da facção nas ruas. O representante do PCC nas conversas é chamado apenas de “São Paulo”. A reportagem teve acesso aos documentos da investigação.

Doca, apontado como a pessoa mais procurada no Rio de Janeiro, não possui advogado constituído, conforme informações de um defensor de traficantes da facção. No sistema do Tribunal de Justiça não há defensor registrado para ele.

As mensagens entre os líderes mostram que em 25 de fevereiro do ano passado houve uma ligação de 4 minutos e depois o representante do PCC enviou a seguinte mensagem para Doca: “Hoje é um dia histórico, meu parceiro. Só nós sabemos o bem que estamos fazendo para as próximas gerações. Sem palavras. Orgulho de você, conte conosco sempre.”

Doca respondeu por áudio: “É nós, irmão, estamos juntos.”

Durante a conversa, Doca compartilhou um estatuto atualizado da facção, que agora inclui regras de não agressão contra o PCC. O artigo 2 destaca valores como liberdade, respeito, justiça, união e o respeito pelas organizações rivais com as quais mantêm relações.

O estatuto afirma: “Nestes princípios básicos está resumida a nossa convivência harmoniosa entre irmãos e todos que merecem consideração.” A reportagem verificou que 93% do texto foi produzido com ajuda de inteligência artificial.

O documento também descreve a hierarquia do conselho do Comando Vermelho, formado por 13 membros. O presidente seria Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, atualmente preso em presídio federal, cuja defesa nega o comando da facção.

Marcinho é pai do cantor Oruam, que a polícia acredita ter ligação com o Comando Vermelho, o que o cantor nega.

O estatuto inclui um “Código de Conduta e Proibições”, onde o artigo 8 detalha comportamentos proibidos, como agressões entre membros, desrespeito ao comando, apoderamento de áreas alheias e assassinatos sem autorização do conselho.

As punições variam de advertência verbal até a pena máxima, que é a morte.

O Comando Vermelho é descrito como uma “instituição progressista” e “família unida” que combate a opressão e o autoritarismo, exceto quando optam pelo crime para garantir o progresso às futuras gerações.

Nas conversas, foi anunciado o fim da guerra entre os dois grupos, resumido na frase: “o crime fortalece o crime”. Essa mensagem foi disseminada por todo o país, conforme informou a polícia.

De acordo com a polícia, o acordo encerrou quase uma década de falta de diálogo entre as facções. As desavenças tiveram início após a morte do traficante Jorge Rafaat Toumani em 2016, atribuída ao PCC.

A aliança durou apenas até o final de abril do ano passado. Advogados relataram que o PCC desaprovou as práticas violentas do Comando Vermelho, como o assassinato de um turista de Brasília, que teria sido forçado a comer partes do próprio corpo por portar fotos ligadas a uma facção rival no celular. Conflitos pelo controle de rotas de drogas também contribuíram para o rompimento.




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