LUIS EDUARDO DE SOUSA
FOLHAPRESS
O ex-integrante da banda de rock Rajar, Ronaldo Cohin, de 42 anos, mudou o caminho da sua carreira após o declínio do rock no Brasil e se dedicou à tecnologia. Ele desenvolveu uma ferramenta baseada em inteligência artificial para apoiar a saúde e a educação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Nascido no Espírito Santo, Cohin fez muito sucesso com a banda entre os anos 2000, chegando a abrir shows para artistas como Demi Lovato e Eagle-Eye Cherry, além de participar de grandes festivais e programas de TV. Após a banda perder visibilidade nos anos 2010, ele voltou para a Universidade de São Paulo (USP) para fazer um MBA em ciência de dados.
Foi aí que, em 2017, ele criou a Jade, uma plataforma que usa jogos educativos para coletar dados cognitivos de crianças com autismo ou síndrome de Down. No início de 2026, o projeto recebeu um importante reconhecimento internacional ao vencer o Zayed Sustainability Prize, um dos maiores prêmios de inovação do mundo.
A plataforma avalia as dificuldades específicas de cada criança e fornece aos profissionais envolvidos um relatório detalhado das capacidades cognitivas do usuário. Isso permite que tratamentos e métodos educacionais sejam adaptados para atender melhor às necessidades de cada criança.
Cohin explica: “O jogo é composto por desafios que, baseados nas decisões da criança, ajudam a entender onde ela tem dificuldades”.
A Jade já foi testada em um estudo na USP com 650 crianças, mostrando que o aprendizado acelerou em 43% após o uso da plataforma personalizada.
Para os profissionais de saúde, a ferramenta é útil para ajustar tratamentos que corrigem problemas cognitivos e também ajuda no diagnóstico do autismo. Segundo Cohin, “A memória auditiva, por exemplo, é fundamental para o aprendizado em sala de aula, e a Jade identifica déficits nessas funções”.
A ferramenta está disponível como aplicativo para celulares na Play Store e Apple Store e também como software educacional para escolas, sendo utilizada em nove municípios. Psicólogos também fazem uso da plataforma.
Mais de 200 mil crianças já usaram a Jade no mundo, beneficiando diretamente cerca de 600 mil pessoas, incluindo familiares e cuidadores, segundo o criador. Pai de uma criança autista, Cohin destaca que o objetivo da ferramenta é ajudar pessoas de baixa renda com pouco acesso à saúde e educação.
O nome Jade, sigla para Jogos de Aprendizagem para Desenvolvimento Educacional, foi escolhido durante a pesquisa na USP, inspirado no fato de a maioria dos acompanhantes das crianças serem mulheres.
Além do prêmio em Abu Dhabi, a Jade também foi premiada no Web Summit Rio em 2023 e no GITEX, um dos maiores eventos de tecnologia em Dubai.
