VITOR HUGO BATISTA
FOLHAPRESS
A Eurofarma anunciou uma queda nos preços das doses de 1,7 mg e 2,4 mg do medicamento Poviztra, que contém semaglutida, usado no tratamento da obesidade e sobrepeso com outras doenças associadas.
Essa redução acontece em um momento de alta demanda por produtos similares vindos do Paraguai e com a chegada de novos medicamentos após a patente da semaglutida ter expirado no Brasil.
Com a nova tabela de preços, a dose de 1,7 mg está 39% mais barata, custando R$ 829, e a dose de 2,4 mg caiu 29%, passando a custar R$ 1.169, através do programa de apoio ao paciente EuroCuida. Anteriormente, os preços eram R$ 1.364 e R$ 1.637, respectivamente. A empresa quer ajudar os pacientes a continuarem seu tratamento.
Em junho, a Eurofarma já tinha reduzido os preços das doses de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg, para R$ 445 e R$ 490 respectivamente, mas as doses maiores ainda não tinham recebido desconto até então.
A empresa vende o Poviztra desde outubro de 2025, em parceria com a Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos Ozempic e Wegovy, sendo o Poviztra idêntico ao Wegovy.
Além do tratamento da obesidade, esse medicamento ajuda a diminuir o risco de morte, infarto e AVC em adultos com doenças cardíacas.
Com o fim da patente da semaglutida em março de 2026, mais empresas começaram a pedir registros de produtos com essa substância, incluindo opções sintéticas e biológicas, como Ozivy da EMS e Extensior da Eurofarma.
Em julho, a Anvisa aprovou cinco novas canetas de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema, e recentemente o primeiro genérico foi aprovado no país.
Os medicamentos com semaglutida imitam o hormônio natural GLP-1, que ajuda a controlar a fome e o metabolismo, favorecendo a perda de peso.
Já a tirzepatida, presente no Mounjaro, age em dois hormônios, GLP-1 e GIP, por isso é chamada de duplo agonista, mas isso não quer dizer que seja mais potente.
Leandro Safatle, presidente da Anvisa, afirmou que até o fim de 2026 podem ser aprovadas mais oito canetas para emagrecimento. O governo acompanha essas aprovações pensando em incorporá-las ao SUS.
Safatle também incentiva que novas empresas peçam o registro no Brasil.
Enquanto isso, cresce a procura por remédios para emagrecer produzidos no Paraguai, que são vendidos a preços mais baixos, porém entram no Brasil de forma irregular e não possuem aprovação da Anvisa.
Essa demanda aumentou com a popularidade de Mounjaro e Ozempic, que são caros no mercado nacional. Por exemplo, um frasco de 2,5 mg do Mounjaro custa cerca de R$ 1.422 e o de 15 mg chega a R$ 3.499. No Paraguai, a versão de 15 mg custa cerca de R$ 430.
Reportagens mostram que muitos brasileiros buscam essas canetas paraguaias, embora a fiscalização na fronteira tenha intensificado as apreensões.
Em Foz do Iguaçu, as apreensões desses medicamentos aumentaram 860,8% em um ano, saltando de 7.479 para 71.860 unidades, segundo a Receita Federal.
