Leonardo Vieceli
Folhapress
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 75,6 bilhões em empréstimos nos primeiros seis meses de 2026, um aumento de 31,2% em relação ao mesmo período de 2025.
Esses números são baseados em valores ajustados pela inflação disponibilizados pelo banco.
Esse valor é o maior para os meses de janeiro a junho desde 2015, durante o segundo mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff.
Alguns especialistas acreditam que esse aumento pode dificultar o controle da inflação pelo Banco Central (BC), mas o BNDES discorda dessa visão.
O dinheiro liberado pelo banco ajuda diferentes setores da economia.
O maior valor foi destinado à infraestrutura, com quase R$ 28,5 bilhões, representando 37,6% do total. Outros setores que receberam recursos foram agropecuária (R$ 17,7 bilhões), indústria (R$ 15,6 bilhões) e comércio e serviços (R$ 13,8 bilhões), todos com crescimento em relação ao primeiro semestre de 2025.
Os recursos para infraestrutura cresceram 48,3%, especialmente para transporte rodoviário, que recebeu quase R$ 15 bilhões, um aumento de 190,4%.
Nelson Barbosa, diretor de planejamento e relações institucionais do BNDES, afirma que os investimentos em infraestrutura estão voltando a crescer por causa de concessões, principalmente de rodovias. Ele também destaca programas para renovar a frota de caminhões e ônibus.
Barbosa menciona ainda a influência da política industrial do governo Lula, os empréstimos após tarifas impostas pelos EUA, as enchentes no Rio Grande do Sul, financiamentos à Embraer e apoio a pequenas e médias empresas.
O número de aprovações de crédito também aumentou, totalizando R$ 111,7 bilhões nos primeiros seis meses de 2026, um crescimento de 44,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este é o maior valor para o primeiro semestre desde 2014, no primeiro mandato da ex-presidenta Dilma.
Embora o volume de aprovações tenha crescido, o estímulo do BNDES à economia ainda é menor que em gestões passadas do PT. As aprovações equivalem a 2,1% do PIB e os desembolsos a 1,4%, valores abaixo dos picos observados entre 2009 e 2012.
Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, destaca que o aumento do crédito pelo BNDES traz alguma preocupação, pois contrasta com a política do Banco Central, que usa juros altos para controlar a inflação.
Vale observa que o BNDES está estimulando a economia enquanto o BC tenta esfriá-la.
Nelson Barbosa considera essas preocupações exageradas e afirma que o impulso do banco é distribuído em quatro anos e não é suficiente para pressionar a taxa Selic.
Ele destaca que o BNDES complementa o mercado privado, ajudando a aumentar a produção de bens e serviços, o que pode colaborar para baixar a inflação a longo prazo.
Quase dois terços dos recursos liberados pelo banco têm taxas de mercado, mostrando que o BNDES é mais afetado pela política monetária do que o contrário, segundo Barbosa, que também foi ministro da Fazenda e do Planejamento no segundo governo Dilma.
Luis Miguel Santacreu, analista da Austin Rating, ressalta que o financiamento de infraestrutura de longo prazo é uma marca histórica do BNDES.
Nos últimos anos, debêntures incentivadas, que são títulos emitidos por empresas para captar recursos, ganharam importância como alternativa ao crédito do banco.
Santacreu destaca que, enquanto o BNDES tinha papel predominante no passado, o mercado privado e as debêntures passaram a ser opções relevantes, complementando, mas não substituindo o banco.
