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EUA temem segunda onda de Covid-19 por conta de protestos

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Com mais de 100.000 mortes, o país é o mais afetado no mundo pela doença; aglomerações e gases usados por policiais podem ajudar a propagar o vírus

Manifestantes entram em confronto com a polícia próximo à Casa Branca, em Washigton, capital dos Estados Unidos; os protestos se espalharam pelo país contra a violência policial que tirou a vida de George Floyd Evan Vucci/AP/Veja.

Os protestos nos Estados Unidos contra a morte de George Floyd, afrodescendente asfixiado por um policial branco quando já estava sob custódia, entraram no seu sexto dia consecutivo nesta segunda-feira, 1. Os atos ocorrem em paralelo à pandemia de Covid-19 e aumentam os temores de novos surtos da doença no país.

Segundo especialistas ouvidos pelo jornal americano The New York Times, a aglomeração de pessoas nas manifestações deve levar a uma propagação do coronavírus. É comum ver a máscara sendo usada como forma de proteção nos atos, mas muitos manifestantes perdem a noção do distanciamento social em meio à adrenalina.

O vírus se espalha por meio de gotículas de saliva, expelidas por espirros, tosse e até pela fala. Apesar das máscaras oferecerem certa proteção – por impedir que a maioria dessas partículas se espalhem –, gritos, palavras de ordem e até o gás lacrimogênio e spray de pimenta usado pelos policiais para dispersar os manifestantes também aumentam a possibilidade de infecção.

Segundo William Schaffner, especialista em doença infecciosas da Universidade Vanderbilt, e Howard Markel, historiador especialista em pandemias, os gases utilizados pela polícia para conter as manifestações podem provocar tosse nas pessoas atingidas e fazer com que seus olhos lacrimejem, aumentando os meios de propagação do coronavírus.

Os Estados Unidos são o país mais afetado pela doença, com quase 1,8 milhão de infectados e mais de 100.000 mortos. O vírus, no entanto, tem afetado mais a população afrodescendente, justo aquela que está em massa nas ruas desde a morte de Floyd.

Alguns estados americanos começaram a reabrir após meses de isolamento social. Prefeitos e governadores já pediram publicamente que os manifestantes cumpram as regras de distanciamento e usem máscaras.

No Twitter, a conta oficial do Departamento de Saúde e Higiene de Nova York – estado mais atingido pela pandemia –, deu algumas dicas para quem quiser ir às ruas se manifestar. Dentre elas, está o uso da proteção facial e álcool em gel e a recomendação de se manter sempre hidratado e em grupos pequenos, mantendo cerca de três metros de distância de outros grupos.

Floyd foi morto sob custódia policial na terça-feira 26 após ser asfixiado por um policial branco, que se ajoelhou sobre seu pescoço. No terceiro dia após sua morte, o Estado do Minnesota indiciou o agora ex-policial Derek Chauvin pelo assassinato.

A decisão do governo não foi suficiente para acalmar os manifestantes e os confrontos se intensificaram e se espalharam por todo o país. O presidente, Donald Trump, se refugiou em um bunker na noite de sábado 30 enquanto a Casa Branca era cercada por manifestantes.

 

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Tribunal sul-coreano ordena que Kim Jong-un indenize dois ex-prisioneiros de guerra

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Dois homens foram capturados durante a Guerra da Coreia de 1950-53, mas não foram repatriados após o fim do conflito. Decisão pode estabelecer um precedente legal de grande alcance na península.

Kim Jong Un em vídeo divulgado na quinta-feira (3). — Foto: KCNA via REUTERS

Um tribunal da Coreia do Sul ordenou ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, a pagar indenização a dois ex-prisioneiros de guerra que passaram décadas como trabalhadores forçados. A decisão pode estabelecer um precedente legal de grande alcance na península.

A decisão constitui a primeira vez que um tribunal da Coreia do Sul reclama jurisdição sobre a Coreia do Norte ou emite uma ordem de compensação contra seu líder, de acordo com um grupo de ativistas que respalda os dois demandantes.

Os dois homens, que tiveram apenas os sobrenomes divulgados (Han, 87 anos, e Ro, de 90), afirmam que foram capturados durante a Guerra da Coreia de 1950-53, mas não foram repatriados após o fim do conflito.

Eles afirmam que foram obrigados a trabalhar em minas de carvão e outras instalações durante décadas, até que escaparam do Norte através da fronteira com a China.

Ro voltou para a Coreia do Sul em 2000 e Han um ano depois. Ambos apresentaram a demanda em 2016, alegando que sofreram “danos mentais e físicos enormes” no Norte.

O Tribunal do Distrito Central de Seul ordenou à Coreia do Norte e a Kim o pagamento a cada ex-prisioneiro do equivalente a 17,5 mil dólares (R$ 94 mil), informou uma porta-voz do tribunal à AFP.

Após a decisão, os ativistas que apoiam os dois demandantes anunciaram que pretendem adotar medidas legais para confiscar os ativos da Coreia do Norte sob controle de Seul, com as tarifas de direitos autorais para a televisão estatal de Pyongyang.

Ao final dos combates, 170 mil norte-coreanos e chineses estavam nos campos de prisioneiros de guerra das forças da ONU lideradas pelos Estados Unidos, enquanto 100 mil soldados sul-coreanos e das Nações Unidas estavam no Norte, de acordo com dados do Monumento às Vítimas na Coreia.

Após o armistício, Pyongyang repatriou 8.343 sul-coreanos, de acordo com o governo de Seul.

Desde então, a Coreia do Sul apresentou a questão em várias oportunidades, mas o Norte sempre afirmou que nenhum ex-soldado do Sul estava retido contra sua vontade.

Ativistas, no entanto, afirmam que quase 80 prisioneiros de guerra sul-coreanos escaparam do Norte e retornaram ao Sul em 2000 e 2001.

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EUA chegam a 3 milhões de casos de coronavírus – entenda a alta no país

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Os Estados Unidos vêm registrando entre 40.000 e mais de 50.000 novos casos diários nas últimas semanas, mais do que no antigo auge da pandemia, em abril

Trabalhador de saúde em testagem do coronavírus em Houston, no Texas: estado é um dos epicentros da alta recente de casos nos EUA (Callaghan O’Hare/Reuters)

Os Estados Unidos chegaram a 3 milhões de casos do novo coronavírus, segundo contagem feita pela agência Reuters junto às secretarias de saúde locais. A informação foi atualizada às 23 horas de terça-feira, 7.

O país tem hoje 3,01 milhões de casos e 131.317 mortes, de acordo com o monitoramento da Reuters. Na contagem oficial do governo, que foi atualizada mais cedo na terça-feira, há 2,9 milhões de casos, segundo os dados do Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), do Departamento de saúde americano.

Os EUA vêm registrando entre 40.000 e mais de 50.000 casos diários, mais do que no primeiro pico da pandemia, em abril. Ao menos 40 dos 50 estados americanos teve alta em casos nas últimas duas semanas.

O total de casos cresceu mais de 78% no período em meio à reabertura do país e a maior circulação de pessoas durante as férias de verão no hemisfério norte.

Parte significativa dos novos casos vem de estados da costa oeste, como a Califórnia, do centro-sul, como o Texas e o Arizona, e do sul da costa leste, como a Flórida (veja no mapa abaixo).

Casos do coronavírus nos últimos sete dias (quanto mais escuro, mais contágios recentes): alta de casos na última semana vêm sobretudo dos estados do Sul (CDC/Governo dos EUA/Reprodução)

A título de comparação, o Brasil, que tem 1,7 milhão de casos (e é o segundo com mais casos no mundo, atrás dos EUA), tem registrado entre 30.000 e mais de 40.000 casos ao longo do mês de junho.

Estados americanos mais impactados no começo da pandemia, e que demoraram mais a reabrir as atividades, além de terem acumulado mais imunidade entre a população, vêm registrando menor número de novos casos nas últimas semanas.

É o que aconteceu em Nova York, que ainda lidera em número de mortes e casos no país, com mais de 402.000 casos e 31.900 mortes, mas tem tido menos casos diários nas últimas semanas. Nova York é também o segundo estado em mortes por 100.000 habitantes, atrás de sua vizinha, Nova Jersey.

Com a alta recente de casos, os estados mais impactados têm voltado atrás no processo de reabertura. A Flórida, onde estão atrações como os parques da Disney, anunciou nesta semana o fechamento de academia, bares e restaurantes.

Ao todo, os Estados Unidos têm 894,7 casos a cada 100.000 habitantes. No Brasil, essa taxa é de 794 casos a cada 100.000 habitantes, segundo dados de terça-feira do Ministério da Saúde.

Novos casos de coronavírus nos EUA por dia, segundo a CDC: mais de 40.000 casos diários na última semana

Novos casos de coronavírus nos EUA por dia, segundo a CDC: mais de 40.000 casos diários na última semana (CDC/Governo dos EUA/Reprodução)

Reação do governo

Em meio à crise, o presidente americano, Donald Trump, formalizou na terça-feira, 7, a saída dos EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS). Trump vem sendo questionado por autoridades locais nos EUA por minimizar a alta de casos e não obrigar o uso de máscaras nacionalmente.

O presidente chegou a argumentar que a mortalidade por coronavírus nos EUA é de 1%, dado falso segundo o próprio governo, que aponta mortalidade de 4,5%.

Considerado um dos maiores especialistas em epidemias no mundo, o epidemiologista Anthony Fauci afirmou que os EUA “ainda estão até os joelhos na primeira onda” do coronavírus.

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Reino Unido pressiona UE, diz que sairia sem acordo e seria nova Austrália

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Britain’s Prime Minister Boris Johnson reacts as he leaves Downing Street, in London, Britain, July 8, 2020. REUTERS/Hannah McKay

O referendo em que parte dos britânicos decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia fez três anos no último mês de junho, mas a novela ainda continua. Nesta quarta-feira, 8, a chanceler alemã Angela Merkel disse em pronunciamento ao Parlamento Europeu que o bloco precisa se preparar para um futuro sem acordo com o Reino Unido pós-Brexit.

A declaração vem um dia depois de o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ter pressionado Merkel em uma ligação na terça-feira, 7, dizendo que o Reino Unido está pronto para deixar a União Europeia sem condições especiais de comércio caso as negociações não avancem.

O progresso das negociações tem sido pequeno, para dizer de modo diplomático”, disse Merkel, embora tenha dito que continua defendendo a negociação para um acordo. “Devemos nos preparar para a possibilidade de um cenário em que não haja acordo”.O acordo inicial para a saída do Reino Unido foi finalizado em janeiro deste ano — concluindo o chamado Brexit, nome que se deu à saída britânica. Agora, o Reino Unido e o bloco europeu precisam chegar a um acordo comercial que usarão quando os britânicos não forem mais parte do bloco. O prazo termina no fim deste ano, e sucessivas reuniões sobre o tema entre as partes vêm sendo infrutíferas.

“Na relação futura, o primeiro-ministro reforçou o comprometimento do Reino Unido em trabalhar duro para encontrar um acordo rápido para finalizar o intensificado processo de conversas”, disse um porta-voz de Johnson sobre o telefonema a Merkel, segundo a agência Reuters. “Ele também notou que o Reino Unido estaria, da mesma forma, pronto para deixar o período de transição em condições como as da Austrália se um acordo não puder ser alcançado”.

A Austrália não tem um acordo comercial especial com a União Europeia, somente acordos específicos para algumas mercadorias. No geral, a maior parte do comércio entre os países transcorre segundo as regras globais da Organização Mundial do Comércio, com os australianos pagando as mesmas tarifas que os demais países do globo para vender aos europeus.

Merkel em discurso no Parlamento europeu: chanceler admitiu que negociações estão falhando

Merkel em discurso no Parlamento europeu hoje: chanceler admitiu que negociações estão falhando (Francois Lenoir/Reuters)

O custo do Brexit

Os britânicos exportaram para a UE em 2019 300 bilhões de libras, segundo o governo, sendo a maior parte das exportações em serviços. O bloco é o maior parceiro comercial britânico. Em compensação, importaram 372 bilhões de libras, ficando com déficit comercial, parte do argumento que motivou a saída do bloco, opção escolhida pela população em referendo em 2016.

O custo de sair sem acordo para o Reino Unido ainda não é oficial. Mas estimativa das Nações Unidas em fevereiro deste ano aponta que o prejuízo para o Reino Unido, caso saia sem um acordo comercial, pode ficar em 32 bilhões de dólares por ano — em dez anos, seria o equivalente a 14% do produto interno bruto do ano passado.

Por fazer parte do bloco europeu, o Reino Unido deixou de pagar tarifas que são, em média, de 5,4% para vender as mercadorias aos países europeus do bloco (as tarifas variam de produto a produto, mas a média foi de 2,7% para produtos não-agrícolas e 8,1% para agrícolas em 2018, segundo a Organização Mundial do Comércio). Ainda que possa cobrar essas tarifas dos outros países se saísse do bloco sem acordo, o Reino Unido também teria de pagá-las. Também podem haver impactos na cadeia de produção, com insumos importados ficando mais caros.

Centro financeiro de Londres durante a pandemia: impacto do Brexit nos negócios pode ser acentuado em meio ao coronavírus

Centro financeiro de Londres durante a pandemia: impacto do Brexit nos negócios pode ser acentuado em meio ao coronavírus (Henry Nicholls/File Photo/Reuters)

Qual é o impacto nos negócios?
No começo deste ano, as partes chegaram a um consenso: ter algum tipo de acordo entre os países quando o Reino Unido deixar o bloco, embora um acordo menor do que o existente atualmente. Mas as negociações estão emperradas justamente em decidir os termos exatos destes benefícios.

A própria oficialização da saída do Reino Unido no começo do ano veio após episódios que envolveram a troca de dois premiês antecessores a Johnson (David Cameron, que era anti-Brexit, saiu após perder o referendo em 2016, e Theresa May deixou o cargo no ano passado, ao não conseguir concluir o acordo de saída).

A demora na negociação do acordo ganhou ainda novos desafios em meio à pandemia do novo coronavírus. Em carta ao premiê Boris Johnson no fim de junho, empresários no Reino Unido afirmaram que não há tempo hábil para se habituar a mudanças comerciais até o fim do ano. “Os negócios simplesmente não têm tempo ou capacidade para se preparar para grandes mudanças nas regras comerciais até o fim do ano — em especial dado que já estamos lutando com a agitação causada pelo coronavírus”.

Uma estimativa da Bloomberg Economics também aponta que, mesmo antes dos impactos futuros para um possível acordo, o Brexit pode já estar custando ao Reino Unido quase o mesmo valor do que os criticados pagamentos que os britânicos fizeram à União Europeia para se manter no bloco.

Até agora, o custo de sair da UE atingiu 130 bilhões de libras, entre insegurança jurídica, empresas deixando o país e outros impactos. Mais 70 bilhões devem ser perdidos até o fim do ano.

A projeção é que a economia britânica poderia ter crescido 3% a mais desde 2016, não fosse pelo referendo.

Enquanto isso, nos últimos 47 anos, o Reino Unido pagou 215 bilhões de dólares para ficar na União Europeia, se ajustada a inflação.

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Casa Branca anuncia saída formal dos EUA da OMS

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A OMS tem sido uma das maiores entidades à frente do combate à pandemia do novo coronavírus

Trump: Estados Unidos se retiraram formalmente da OMS, afirmou nesta terça-feira, 7, uma autoridade do governo americano (Amanda Voisard for The Washington Post/Getty Images)

Os Estados Unidos se retiraram formalmente da Organização Mundial de Saúde (OMS), afirmou nesta terça-feira, 7, uma autoridade da Casa Branca. A notificação foi enviada ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas, segundo a fonte, e a retirada entrará em vigor em 6 de julho de 2021.

Em maio, o presidente americano, Donald Trump, havia anunciado que retiraria os EUA da agência da ONU, pelo que ele qualificou como um viés favorável à China. A OMS tem sido uma das entidades à frente da coordenação de uma resposta global à pandemia do novo coronavírus.

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Pequim não registra novos casos de covid-19 pela 1ª vez desde novo foco

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No total, 335 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus desde o surgimento do foco no mercado atacadista Xinfadi

Coronavírus na China: Pequim não registra novos casos de covid-19 pela 1ª vez desde novo foco (Kevin Frayer/Getty Images)

Pequim anunciou nesta terça-feira (7) que não registrou novos casos de contaminação do novo coronavírus pela primeira vez desde o surgimento de um foco de contágios na capital da China em junho, que chegou a provocar temores de uma segunda onda doméstica de contágios.

No total, 335 pessoas foram infectadas desde o surgimento do foco no mercado atacadista Xinfadi, em Pequi, no início de junho.

A Comissão de Saúde da capital chinesa informou nesta terça-feira que detectou apenas um caso assintomático na véspera, que a China não inclui no balanço de casos confirmados.

As autoridades chinesas ainda investigam a causa do último foco, mas foi revelado que o vírus teria sido detectado em tábuas utilizadas para cortar salmão importado no mercado de Xinfadi, o que provocou a proibição de importação de alguns produtos e um maior rigor com os fornecedores de alimentos estrangeiros.

O governo de Pequim testou mais de 11 milhões de pessoas para COVID-19 desde 11 de junho, quase metade da população, informaram as autoridades da cidade.

Moradores formaram longas filas em pleno verão diante dos locais que organizavam os exames em toda a cidade no mês passado, com centenas de milhares de mostra coletadas a cada dia.

Os confinamentos localizados em toda a cidade foram flexibilizados nos últimos dias. As pessoas que moram em áreas da cidade consideradas de “baixo risco” agora podem viajar de maneira livre novamente.

O foco de Pequim está “estabilizando e melhorando”, afirmou Pang Xinghuo, subdiretor do Centro para Controle de Doenças de Pequim.

A China controlou em grande medida a epidemia antes de detectar o novo foco em Pequim.

Desde então, o governo impôs um bloqueio rígido para quase meio milhão de pessoas na província vizinha de Hebei para conter um novo foco, incluindo as mesmas medidas rígidas adotadas no pico da pandemia no epicentro da cidade de Wuhan no início do ano.

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Em primeira viagem ao exterior, presidente do México encontrará Trump

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Apesar das críticas do republicano aos latinos, López Obrador optou pelo pragmatismo para lidar com o imprevisível Trump

Andres Manuel Lopez Obrador: objetivo da visita será celebrar a entrada em vigor do novo acordo de livre-comércio norte-americano T-MEC (ou USMCA, na sigla em inglês) (Hector Vivas/Getty Images)

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, visita nesta quarta-feira (8) seu colega americano, Donald Trump, conhecido por sua dura retórica antimexicana, em um ponto crítico da pandemia e no calor da campanha presidencial de novembro nos EUA.

É a primeira viagem de López Obrador ao exterior em 18 meses de governo, na qual ele optou pelo pragmatismo para lidar com o imprevisível Trump. Na campanha eleitoral de 2016, o então candidato americano chamou os mexicanos de “estupradores” e “criminosos” e insistiu na construção de um muro na fronteira.

Segundo AMLO, amanhã, o objetivo será celebrar a entrada em vigor do novo acordo de livre-comércio norte-americano T-MEC (ou USMCA, na sigla em inglês) e agradecer a Trump por facilitar a compra de equipamentos para enfrentar a COVID-19.

Com mais de 30.000 mortos, o México é o segundo país com mais vítimas fatais pela doença na América Latina.

“Não é surpreendente que AMLO faça sua primeira viagem para fora do país, como presidente, à Casa Branca. Sua política para os Estados Unidos sob Trump tem sido (…) evitar qualquer conflito”, e ele conseguiu, disse à AFP o diretor do “think tank” Inter-American Dialogue, Michael Shifter, com sede em Washington.

O presidente mexicano, que embarca hoje e retorna na quinta-feira, concentra no T-MEC suas esperanças de recuperação da economia mexicana, que poderá cair até 8,8% este ano, devido à crise da saúde.

Para além do acordo comercial, que também envolve o Canadá, a visita de López Obrador ocorre a quatro meses da eleição presidencial.

Críticas à visita

Os congressistas democratas hispânicos pediram a Trump que cancele o encontro, alegando que “politiza” a relação bilateral.

Em nota divulgada ontem, porém, a Casa Branca disse que o presidente receberá López Obrador “como parte de sua aliança contínua sobre comércio, saúde e outros assuntos fundamentais para a prosperidade e a segurança da região”.

Diante da insistência dos comentários de que Trump poderá usar a reunião para fins eleitorais, López Obrador alega que não viaja para “fazer política partidária”, mas para uma “reunião de trabalho”.

Ele afirma, porém, que “a política é como andar na corda bamba, é preciso correr riscos”.

Hoje, vivem nos EUA cerca de 12 milhões de pessoas nascidas no México e 26 milhões de segunda, ou terceira, gerações. Em 2019, suas remessas para sua terra natal somaram US$ 36,045 bilhões.

Superado nas pesquisas de opinião por seu concorrente democrata Joe Biden, o presidente dos EUA lida com os efeitos devastadores da COVID-19, que fez dos Estados Unidos o país com mais mortes (130.000) e infectados (2,8 milhões).

O presidente mexicano descartou uma reunião com Biden, argumentando que “não seria correto (…) falar com candidatos”.

Na opinião do ex-ministro das Relações Exteriores Jorge Castañeda (2000-2003), a visita de López Obrador é “desnecessária”, apresenta “muitos riscos e nenhuma vantagem para o México” – além de não agregar nada ao T-MEC.

Castañeda questiona que o presidente possa acabar dando um impulso eleitoral a Trump, sem sequer poder abordar temas urgentes para o país, como o envio dos Estados Unidos para o México de demandantes de refúgio, enquanto aguardam uma resposta dos órgãos competentes, uma medida imposta por Washington.

Também não está na pauta a crescente deportação de mexicanos que vivem há anos nos Estados Unidos, ou o cancelamento de vistos de trabalho sob o pretexto da crise deflagrada pela pandemia.

Castañeda sustenta que outras questões deveriam estar sobre a mesa, como os danos sofridos pelas comunidades fronteiriças mexicanas pelas restrições de trânsito, devido à COVID-19, assim como o tráfico de drogas e armas que causa milhares de mortes no país latino-americano.

“Mas agora Trump se dedica exclusivamente à sua reeleição, à pandemia e à economia … Não parece um momento muito favorável”, acrescenta.

Para o internacionalista Hernán Gómez, o encontro ajuda Trump a “reforçar sua narrativa de que alcançou sucesso nas promessas de campanha”, ao substituir o NAFTA (na sigla em inglês) pelo T-MEC.

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