18 C
Brasília
segunda-feira, 27/07/2026

EUA têm grande parte das importações sujeitas a risco de trabalho forçado

Brasília
chuva fraca
18 ° C
18 °
18 °
57 %
2kmh
0 %
seg
29 °
ter
30 °
qua
31 °
qui
31 °
sex
29 °

Em Brasília

FOLHAPRESS

Os Estados Unidos são responsáveis por uma parcela importante das importações globais de produtos que podem ter sido feitos com trabalho forçado, segundo relatório de 2025 do Centro de Análise Operacional de Segurança Interna (HSOAC), financiado pelo governo americano.

Em 2021, os EUA representaram 23% das compras desses bens, embora respondam por apenas 13% do total das importações do país, conforme aponta o estudo encomendado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS).

Para avaliar o risco do mercado americano em relação ao trabalho escravo, os pesquisadores usaram o conceito de “bens de risco”, baseado em dados do Bureau of International Labor Affairs (ILAB), do Departamento do Trabalho dos EUA. Essa classificação inclui produtos que provavelmente foram fabricados com trabalho forçado.

O governo do ex-presidente Donald Trump anunciou, em 23 de julho, a imposição de uma nova tarifa de 12,5% sobre importações do Brasil, como parte de uma investigação sobre possível uso de trabalho forçado, que se soma aos 25% iniciados em 22 de julho.

Em algumas categorias, a participação dos EUA nas vendas globais é ainda maior: por exemplo, cerca de 92% dos tomates suspeitos de uso de trabalho forçado foram vendidos nos EUA em 2021, e 65% dos fogos de artifício também.

Os pesquisadores afirmam que, devido ao uso frequente e muitas vezes oculto do trabalho forçado, muitos produtos consumidos nos EUA podem ter sido fabricados nessas condições.

O relatório destaca que quase todos os continentes enviam mercadorias sob suspeita, com maior volume vindo da Ásia, liderada pela China, seguida por Índia, Vietnã e Malásia.

Apesar desse cenário, o estudo aponta avanços recentes, como a Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado Uyghur (UFLPA), em vigor desde 2022, que proibiu a entrada no país de bens produzidos na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, na China, a menos que o importador prove o contrário.

Como resultado, as importações diretas dessa região para os EUA caíram bastante no início de 2023, e o valor unitário dos produtos importados da China aumentou cerca de 4%, indicando que empresas americanas passaram a buscar fornecedores mais caros para evitar problemas com a alfândega.

No entanto, o estudo alertou que o trabalho forçado pode continuar presente nas etapas menos visíveis das cadeias de suprimentos, como na fabricação de componentes e insumos, mantendo os riscos altos para empresas americanas.

Os pesquisadores recomendam que o DHS amplie a fiscalização, com mais transparência e diálogo com empresas e ONGs, além de combinar proibições de importação com investigações e divulgação pública.

Legislação americana

Embora exista desde 1930 a Seção 307, que proíbe a importação de bens produzidos com trabalho forçado, a fiscalização tem sido irregular, dependendo de investigações que exigem muitas provas.

Os EUA utilizam a falta de legislação semelhante em outros países para justificar novas tarifas. Um relatório divulgado em junho afirmou que compromissos internacionais do Brasil não impedem legalmente a importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Baseado nisso, os EUA classificaram o Brasil junto com dezenas de países que não têm proibição nem fiscalização eficaz dessas importações.

O governo brasileiro, por sua vez, contesta as acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou em junho que eventuais sanções unilaterais seriam injustas e que o Brasil é referência no combate ao trabalho escravo.

Especialistas e o setor privado veem a investigação do governo Trump como uma maneira de substituir as tarifas globais de 10% aplicadas em fevereiro, que expiram nesta sexta-feira, após decisão da Suprema Corte que derrubou o tarifaço anterior.

Veja Também