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EUA: Sob zombaria dos guardas, crianças choram e gritam pelos pais

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Áudio mostra o saldo da “tolerância zero” dos EUA contra a imigração: crianças em jaulas de metal, chorando desesperadamente pelos pais. Ouça

Uma gravação em áudio que parece captar as vozes de crianças pequenas falando em espanhol e chamando por seus pais em uma instalação de imigração nos Estados Unidos é o centro das atenções no crescente tumulto causado pelas separações de famílias de imigrantes.

“Papai! Papai!”, diz uma criança na gravação, chorando. Em outro momento, muitas crianças são ouvidas desesperadas e um dos guardas diz, em espanhol e em tom de zombaria, que as lamentações mais parecem uma sinfonia, “só falta um maestro”.

O áudio foi inicialmente divulgado pela organização sem fins lucrativos ProPublica. A advogada de direitos Humanos Jennifer Harbury disse ter recebido a fita com a gravação feita na semana passada, mas não forneceu detalhes do local onde o áudio foi captado. Ouça abaixo:

O áudio veio à tona no momento em que políticos e defensores públicos se reúnem na fronteira entre Estados Unidos e México para visitar os centros de detenção de imigrantes e aumentar a pressão sobre o governo Trump para encerrar a política de “tolerância zero” contra a imigração. Até mesmo a primeira-dama, Melania Trump, se manifestou sobre o tema, numa tentativa de se distanciar das ações do governo.

Condições desumanas

O deputado democrata Ben Ray Lujan, do Novo México, disse que o local no qual a maioria dessas crianças se encontra era um antigo hospital convertido em alojamento, com quartos divididos por faixa etária. Havia um pequeno quarto para os mais novos, com duas cadeiras altas, onde dois bebês estavam sentados, usando roupas iguais.

Outro grupo de legisladores visitou, no domingo, 17, um antigo depósito em McAllen, também no Texas, onde centenas delas são mantidas em jaulas de metal. Uma das celas no local tinha 20 menores. Mais de 1,1 mil pessoas estavam dentro da instalação, ampla e escura, dividida em alas para crianças desacompanhadas, adultos sozinhos e pais e mães com filhos.

No Vale do Rio Grande, o corredor mais movimentado para os que tentam atravessar a fronteira ilegalmente, funcionários da Patrulha dizem que devem reprimir os imigrantes e separar os adultos das crianças para desencorajar que outras pessoas tentem entrar no país sem permissão.

Tolerância zero

Desde o anúncio da política de “tolerâcia zero” no início de maio, 2.342 crianças e jovens imigrantes foram separados de suas famílias (de 5 de maio a 9 de junho), segundo dados oficiais.

Esse afluxo é resultado direto da decisão da Casa Branca de processar 100% das pessoas que cruzam suas fronteiras com o México sem documentos, sejam elas acompanhadas ou não de crianças.

Até agora, ainda que a lei fosse a mesma, as autoridades muitas vezes optavam por não deter as famílias para evitar essa situação, uma vez que as crianças não podem ser encarceradas e, portanto, devem ser realocadas.

Esta nova política é “digna de tortura”, segundo a ONG Anistia Internacional, “inadmissível” para a ONU, e também denunciada por líderes religiosos americanos influentes entre o eleitorado republicano.

Críticas

A líder democrata Nancy Pelosi, em entrevista após visita a uma instalação em San Diego (Califórnia) com outros deputados, disse que a separação de famílias é “uma questão bárbara que pode ser mudada em um instante pelo presidente dos EUA, ao rescindir sua ação”.

O senador republicano Ted Cruz, do Texas, anunciou que estava instaurando uma legislação de emergência para manter as famílias de imigrantes juntas. “Todos os americanos estão horrorizados diante das imagens que estamos vendo no noticiário, crianças chorando sendo afastadas de suas mães e pais”, disse Cruz. “Isso deve parar.”

O presidente Donald Trump defendeu a política de seu governo enfaticamente na segunda-feira, depositando a culpa das separações no Partido Democrata. “Os EUA não serão um campo de migrantes e nem um campo de refugiados”, declarou. “Não sob minha supervisão”, completou.

Em um editorial publicado na última segunda, o jornal americano The New York Times criticou o presidente Trump duramente, chamando suas justificativas para a ação de “desonestas e covardes”.

Lembrou, ainda, que embora os últimos presidentes americanos (George W. Bush e Obama) tenham se esforçado para reduzir o fluxo migratório, nenhum deles chegou perto de separar famílias. “Este toque de maldade pertence inteiramente a Trump – ele escolheu atormentar as famílias sem documentos”, finalizou a publicação.

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Arábia Saudita ataca rebeldes do Iêmen que teriam bombardeado refinarias

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Apesar de confronto com rebeldes houthis, Arábia Saudita acusa o Irã de ter feito ataques a instalações de petróleo

Arábia Saudita: ataques provocam suspensão de 50% da produção do maior fornecedor de petróleo do mundo (Stringer/Reuters)

Riad — A coalizão liderada pela Arábia Saudita em apoio ao governo do Iêmen de Abdo Rabu Mansur Hadi lançou uma operação contra vários “alvos hostis” no norte da estratégica cidade de Al Hudaida, no Mar Vermelho.

Durante o ataque, quatro instalações usadas para fabricar embarcações não tripuladas e minas marítimas foram destruídas, informou a coalizão em comunicado divulgado pela agência oficial saudita “SPA”.

“A destruição desses locais hostis ajuda a preservar a liberdade da navegação marítima”, diz o comunicado, em que o coronel Turki al Maliki, porta-voz da coalizão saudita e do Ministério da Defesa saudita, acusa a “milícia terrorista houthi” de lançar mísseis balísticos, drones, botes com armadilhas explosivas e a controle remoto” daquela região.

Os ataques ocorrem depois da semana passada, onde mais de 20 drones e mísseis foram lançados contra duas instalações petrolíferas na Arábia Saudita, provocando suspensão do 50% da produção do maior fornecedor de petróleo do mundo.

Riad como Washington responsabilizaram o Irã – que apoia os rebeldes houthis no conflito no Iêmen -, pelos ataques, aumentando a tensão na região, à espera de uma resposta da Arábia Saudita e Estados Unidos.

A guerra do Iêmen estourou no final de 2014, quando os houthis tomaram Sanaa e expulsaram Abdo Rabu Mansur Hadi, que desde então está exilado em Riad.

Segundo as Nações Unidas, o conflito no Iêmen é atualmente a maior crise humanitária do planeta.

 

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Um Brexit melhor ou nenhum Brexit: o dilema do Partido Trabalhista

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Oposição britânica está dividida sobre qual a melhor estratégia a ser adotada em sua conferência anual, que começa neste sábado

Reino Unido: prazo do Brexit é 31 de outubro e União Europeia já concordou em adiá-lo (Jack Taylor/Getty Images)

São Paulo — O futuro político do Reino Unido voltará à pauta quando o partido Trabalhista britânico realizar sua conferência anual a partir deste sábado. Um dos principais temas em discussão é qual será o papel do partido caso um segundo referendo sobre o Brexit, o desembarque da União Europeia, seja convocado.

O partido segue dividido entre defender uma proposta de saída mais suave, e organizada, e jogar tudo às favas e fazer pressão pelo fim do Brexit, projeto que tem amarrado a política britânica nos últimos três anos.

Jeremy Corbyn, o líder trabalhista que pode acabar primeiro-ministro caso o atual ocupante do cargo, Boris Johnson, fracasse, tem defendido a moderação. Mas alas do partido afirmam que uma postura branda coloca em risco o próprio futuro dos trabalhistas, que poderiam ser suplantados pelos Liberais Democratas, mais incisivos no abandono do Brexit.

A principal questão em aberto para o Brexit, a fronteira entre as Irlandas, continua indefinida. Nesta sexta-feira o ministro das relações exteriores da Irlanda, Simon Coveney, disse que Londres precisa de propostas sérias, e que a decisão ainda não está próxima, embora o humor tenha melhorado. “Todos nós queremos um acordo. Sabemos que uma saída sem acordo será muito muito ruim para todos, particularmente para a Irlanda”, disse à BBC.

O debate é como manter aberta a fronteira seca entre os dois países sem com isso arruinar o projeto de saída da União Europeia — a Irlanda continuará fazendo parte do bloco.

Boris Johnson segue afirmando que quer fechar um acordo provisório em encontro com a União Europeia em 17 e 18 de setembro, mas que se não for possível vai levar a cabo o plano de desembarque de qualquer forma. O prazo do Brexit é 31 de outubro. A União Europeia já concordou em adiá-lo, desde que o governo britânico apresente um plano, o que ainda não foi feito.

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Mark Zuckerberg e Donald Trump se encontram em Washington

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Trump tem acusado o Facebook de ser tendencioso a favor dos democratas; nenhum dos lados divulgou detalhes da discussão

Trump e Zuckerberg: presidente-executivo enfrentou questionamentos agressivos dos parlamentares sobre as falhas da rede social (Twitter/Reprodução)

Washington — Mark Zuckerberg, do Facebook, se encontrou com o presidente dos EUA, Donald Trump, na quinta-feira durante uma visita a Washington, onde o presidente-executivo enfrentou questionamentos agressivos dos parlamentares sobre as falhas da rede social em proteger a privacidade do consumidor

Trump postou uma foto com Zuckerberg no Twitter e chamou a sessão de “uma reunião agradável” no Salão Oval. O Facebook disse que Zuckerberg “teve uma boa reunião construtiva com o presidente Trump na Casa Branca hoje”. Nenhum dos lados divulgou detalhes da discussão.

 

Trump tem acusado o Facebook de ser tendencioso a favor dos democratas. A empresa enfrentou uma série de outras críticas por falhas de privacidade, atividades relacionadas a eleições e seu domínio na publicidade online, dando origem a pedidos de mais regulamentação e investigações antitruste.

Vestindo terno e gravata, em vez de sua blusa com capuz habitual, Zuckerberg se reuniu na quinta-feira, no segundo dia da visita de três dias, com os senadores Josh Hawley, Tom Cotton e Mike Lee. Ele também jantou com parlamentares, incluindo o senador Richard Blumenthal, na quarta-feira à noite.

Zuckerberg não respondeu às perguntas dos repórteres ao passar de um escritório para outro no Capitólio. Ele se encontrará com o líder republicano da Câmara, Kevin McCarthy, e o representante Doug Collins, o principal republicano do Comitê Judiciário, nesta sexta-feira e se reunirá com vários democratas do alto escalão.

Após sua reunião com o fundador do Facebook, Hawley, um crítico rígido, disse que as discussões foram “francas”, muitas vezes um eufemismo para polêmicas. Ele pediu que Zuckerberg vendesse o Instagram e o WhatsApp do Facebook, o que limitaria a quantidade de informação que ele poderia compilar sobre um indivíduo de diferentes fontes.

“Eu disse a ele: ‘prove que você é sério sobre dados. Venda o WhatsApp. E venda o Instagram’”, disse Hawley a repórteres. “É seguro dizer que ele não foi receptivo a essas sugestões”.

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