Após mais de dez dias de conflito no Oriente Médio, os Estados Unidos ainda não alcançaram os objetivos planejados nas ações contra o Irã. Analistas entrevistados pelo Metrópoles afirmam que Donald Trump cometeu um erro ao tentar reproduzir no Irã o sucesso que teve na Venezuela.
Há cerca de três meses, forças militares americanas realizaram uma operação na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro. A ação foi considerada um êxito: em poucas horas e sem resistência, o líder venezuelano foi removido do poder. Após a prisão de Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando e demonstrou alinhamento com os interesses de Washington.
Segundo o professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudtiz, o erro dos EUA foi presumir que os regimes autoritários da Venezuela e do Irã responderiam de forma similar a intervenções externas, sem considerar a forte ideologia do regime iraniano e o papel da Guarda Revolucionária.
Diferenças no contexto iraniano
Menos de três meses após a operação venezuelana, tropas dos Estados Unidos e Israel coordenaram um ataque no Irã em 28 de fevereiro que levou à morte do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Contudo, esta ação não provocou a mudança de regime nem fez o país recuar em seu programa nuclear, que foram pretextos para o ataque.
O professor de história das relações internacionais do Unicuritiba, Andrew Traumann, destaca que o governo Trump esperava substituir o líder supremo por uma figura moderada submissa aos interesses americanos, mas o efeito foi o oposto. A escolha de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder reforça esta avaliação.
Conflito e consequências econômicas
Os ataques no Oriente Médio e a resistência iraniana influenciam a economia global, especialmente pelo aumento no preço do petróleo. O Irã fechou o Estreito de Ormuz para pressionar o fim das ofensivas contra seu território. Cerca de 20% do petróleo mundial passa por essa importante rota marítima controlada pela Guarda Revolucionária iraniana.
Com a ineficácia das ações americanas e o impacto negativo na economia global, analistas preveem que Trump poderá anunciar a retirada das forças dos EUA do Oriente Médio em breve. No entanto, a retirada não significará o fim dos conflitos, que devem continuar entre Israel e Irã, embora em menor intensidade.
