Uma pesquisa inédita do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) revelou que existem 12.671 trabalhadores ambulantes em 12.377 bancas fixas na cidade de São Paulo. Esse levantamento, apresentado numa coletiva em 6 de março de 2026, destaca as condições difíceis enfrentadas por esses profissionais, que trabalham na informalidade, cumprem jornadas longas e recebem salários menores que a média da cidade.
Segundo o estudo, muitos ambulantes atuam sem autorização da prefeitura, encontram dificuldades para conseguir permissões e dependem só dessa atividade para ganhar a vida. Oito em cada dez entrevistados disseram que essa é sua única fonte de renda, e 73% pretendem continuar trabalhando nessa área, mesmo com as dificuldades.
Do ponto de vista demográfico, 63% são homens e 40% têm entre 31 e 50 anos. Sobre cor ou raça, 53% se declararam pretos ou pardos, 34% brancos e 10% indígenas. Quase um terço (31%) dos trabalhadores são imigrantes de 30 países diferentes, especialmente da América do Sul, como venezuelanos e peruanos, e enfrentam mais dificuldades.
Em relação ao tipo de trabalho, 76% possuem suas próprias bancas, 15% são empregados sem carteira assinada, 2% estão formalizados e 6% são familiares dos proprietários. Metade trabalha há menos de cinco anos, enquanto 47,8% atuam há mais tempo, incluindo 15% que estão nessa atividade há mais de 21 anos, mostrando que é um trabalho de médio a longo prazo.
Apenas 39% têm permissão oficial da prefeitura para trabalhar, enquanto 56% atuam sem autorização. Desses, 80% querem regularizar a situação, mas enfrentam custos altos, burocracia e falta de locais disponíveis como barreiras.
As jornadas de trabalho são longas: 44% ultrapassam as 44 horas semanais, que é o limite permitido por lei, e quase 30% trabalham mais de 51 horas semanais, em contraste com 26% da população trabalhadora geral da cidade. A renda média dos ambulantes é de R$ 3 mil, correspondente a 56% da média municipal, que é R$ 5.323,04.
Os produtos mais vendidos são roupas (55%), alimentos prontos para consumo (14%), eletrônicos (5,4%), bebidas (4,8%), alimentos industrializados (4,5%), livros, jornais e revistas (4,5%), bolsas e carteiras (4,4%) e bijuterias (4%).
A pesquisa foi feita em julho e agosto de 2023, em 70 locais com alta concentração de ambulantes na capital, como pontos de transporte público, unidades de saúde e parques, com entrevistas de 2.772 trabalhadores em pontos fixos.
Informações da Agência Brasil
