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Estudo investiga fenômeno do atrito na escala atômica

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Cientistas determinaram a participação da dissipação fônica, as vibrações que se propagam na rede cristalina do material, no fenômeno do atrito

O atrito é um fenômeno praticamente onipresente na vida cotidiana. O ato de caminhar só é possível devido ao atrito entre os pés (ou calçados) e o solo; o sentido do tato depende do atrito entre as mãos (ou demais partes do corpo) e os objetos; e muitos outros exemplos poderiam ser evocados.

O estudo macroscópico do atrito remonta a Leonardo da Vinci (1452 – 1519). O polivalente gênio renascentista estabeleceu a “lei natural” que, em linguagem matemática contemporânea, pode ser escrita como F = μ.N, na qual F é a força de atrito entre duas superfícies deslizantes; μ, o chamado coeficiente de atrito; e N, a força normal entre as mesmas superfícies.

Na década de 1980, foi criado um instrumento que possibilitou investigar e medir o atrito na escala do átomo: o microscópio de força atômica (atomic force microscope – AFM).

Por meio de uma ponta de diamante, capaz de aplicar uma pressão extremamente baixa sobre a superfície a ser estudada, o AFM permite rastrear em profundidade a estrutura dessa superfície.

Outro instrumento que viabilizou medidas em escalas mesoscópicas e nanoscópicas foi o nanoindentador. Dispõe de uma ponta de diamante que pode deslizar sobre o substrato a ser estudado, tendo a pressão aplicada e a velocidade de deslocamento controladas por dispositivos elétricos e magnéticos, e a força tangencial, devido à fricção, continuamente registrada.

Usando este último instrumento, um grupo de pesquisadores de três universidades brasileiras (Universidade de Caxias do Sul, UCS; Universidade Estadual de Campinas, Unicamp; e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-RJ) determinou agora a participação da dissipação fônica – isto é, das vibrações que se propagam na rede cristalina do material – no fenômeno do atrito.

O estudo resultou no artigo “On the phonon dissipation contribution to nanoscale friction by direct contact”, publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

A iniciativa do estudo partiu de Carlos Alejandro Figueroa, da Universidade de Caxias de Sul, que dispõe do equipamento adequado e mobilizou seus colegas Fernando Alvarez, da Unicamp, orientador do doutorado e o supervisor da pesquisa de pós-doutorado de Figueroa, além de Fernando Lázaro Freire Jr., da PUC-RJ, ambos experientes na fabricação de filmes finos baseados em carbono e em sua posterior caracterização físico-química.

O esforço teve o apoio da FAPESP por meio do projeto temático “Pesquisa e desenvolvimento de materiais nanoestruturados para aplicações eletrônicas e de física de superfícies”, coordenado por Fernando Alvarez.

“Quando se desce ao nível atômico, é preciso levar em conta as forças elétricas, magnéticas e de contato entre os átomos. Mas existe também um outro mecanismo importante de dissipação de energia, constituído pelos fônons. O deslizamento de uma superfície sobre outra produz vibrações nas moléculas que compõem os materiais. E são essas vibrações, que podem se propagar nas estruturas cristalinas, que chamamos de ‘fônons’. Foi esse fenômeno específico que enfocamos em nosso estudo”, disse Alvarez à Agência FAPESP.

Um fônon é uma excitação mecânica que se propaga pela rede cristalina do sólido. Em física clássica, pode ser descrito como uma onda elástica.

Mas, considerando que o fenômeno ocorre em escala atômica, é preciso utilizar a física quântica. E, neste caso, o fônon dever ser pensado como um quantum de energia que viaja pela rede.

“Nosso primeiro desafio foi isolar esse fator de outros que ocorrem na mesma escala – isto é, das interações elétricas, magnéticas e de contato –, para determinar sua contribuição específica ao fenômeno do atrito.

Pensamos, então, em comparar materiais que apresentassem as mesmas propriedades elétricas e magnéticas e de contato, e só se diferenciassem pelas propriedades fônicas”, afirmou o pesquisador.

Para isso, os estudiosos depositaram, sobre um substrato de silício cristalino, uma camada de espessura nanométrica de carbono amorfo semelhante ao diamante (DLC, sigla derivada da expressão inglesa diamond-like amorphous carbono).

Trata-se de um material extremamente duro, bastante inerte e com baixo coeficiente de atrito, que já vinha sendo utilizado, como película protetora, em mecanismos macroscópicos e nanoscópicos, especialmente nas engrenagens de motores de alta eficiência, como os de Fórmula 1. A grande novidade foi que substituíram, parcial ou totalmente, os hidrogênios do DLC por deutério.

Como se sabe, o hidrogênio é composto por apenas um próton (no núcleo) e um elétron (na camada envolvente). O deutério é um isótopo do hidrogênio que, além do próton, tem também um nêutron no núcleo.

Assim, o deutério é idêntico ao hidrogênio comum do ponto de vista químico, pois as propriedades químicas dependem apenas da camada eletrônica envolvente – igual para os dois isótopos.

Também é idêntico do ponto de vista elétrico e magnético, pois essas propriedades dependem da carga. Mas possui aproximadamente o dobro da massa, devido ao acréscimo do nêutron.

“Por ter o dobro da massa, o deutério, ligado a um átomo pesado como o do carbono, quando recebe um impulso, vibra com menor frequência que o hidrogênio. Mais precisamente, as frequências de vibração dos dois isótopos são inversamente proporcionais à raiz quadrada das respectivas massas”, informaram os coordenadores do estudo.

Utilizando o nanoindentador, os pesquisadores calcularam a força necessária para arrastar a ponta de diamante do equipamento sobre camadas de carbono amorfo semelhante ao diamante (DLC) com diferentes composições atômicas: apenas carbono e hidrogênio (C-H); carbono e hidrogênio (C-H) e carbono e deutério (C-D); apenas carbono e deutério (C-D).

“Comprovamos que a força de fricção decresce claramente à medida que cresce a porcentagem de deutério na composição. E o único fator responsável por esse decréscimo da força é o aumento da massa, e, portanto, a diminuição da frequência vibratória do material”, explicaram.

Com esse experimento, de concepção simples, mas de execução sofisticada, os estudiosos conseguiram isolar as interações fônicas das interações elétricas, magnéticas e de contato. E calcular a contribuição específica das interações fônicas para o fenômeno do atrito.

“Fizemos um ajuste teórico dos modelos possíveis de excitações de fônons, e os resultados obtidos convergiram com a distribuição randômica de átomos de deutério em uma matriz de carbono amorfo”, comentou Alvarez.

O experimento sugere uma aplicação tecnológica óbvia: introduzir deutério na liga, para melhorar as propriedades do DLC, como recobrimento capaz de diminuir o desgaste de peças e aumentar a eficiência de mecanismos deslizantes. O problema é o custo.

O deutério existe na natureza, principalmente nas moléculas de água pesada, formadas por um átomo de oxigênio e dois átomos de deutério (D2O). E a água pesada pode ser encontrada, entre outros locais, nos lagos de montanhas.

Devido à sua capacidade de frear a velocidade dos nêutrons, é utilizada como substância moderadora em alguns tipos de reatores nucleares.

É também empregada em tanques subterrâneos destinados à captura de neutrinos. Porém, a quantidade disponível é extremamente baixa: a água comum contém pouco mais de 150 átomos de deutério por milhão de átomos de hidrogênio.

Daí decorre o fato de o custo ser um fator limitante para o emprego do material em larga escala.

“Mas, se considerarmos dispositivos nanométricos, que demandam uma quantidade mínima de material, o uso do deutério em películas protetoras não deve ser descartado”, ponderou Alvarez.

“Além disso, existem ideias alternativas, como a introdução de outros elementos, que poderiam, pelo mesmo princípio, diminuir o atrito do sistema a custos razoáveis”, acrescentou.

O fenômeno do atrito remete imediatamente à dissipação de energia na forma de calor – ou melhor, à conversão de energia mecânica em energia térmica.

Um exemplo trivial é o hábito de esfregar as mãos em época de frio. As mãos esquentam devido ao atrito entre elas: a energia mecânica da fricção transforma-se em energia térmica.

E essa transformação, no caso, é muito positiva. Por outro lado, quando se trata de máquinas, motores etc., a dissipação de energia na forma de calor significa perda de eficiência. É a outra face da moeda.

“Estudos realizados nos Estados Unidos estimam que o prejuízo econômico decorrente da dissipação de energia por atrito alcança naquele país o patamar de US$ 200 bilhões por ano. Daí o interesse em ir além dos lubrificantes. E o deutério sugere um novo horizonte tecnológico”, sublinhou o pesquisador.

Além dos três coordenadores, participaram da pesquisa: Saron Sales de Mello (UCS), Marcelo Maia da Costa (PUC-RJ), Caren Machado Menezes (UCS) e Carla Daniela Boeira (UCS).

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Após perder voo, passageiro agride e xinga funcionária da Gol, no Aeroporto de Brasília

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Fábio Sousa de Oliveira é auditor fiscal e fazia conexão para Rio de Janeiro, na última quarta-feira (15). Servidor foi detido pela PF e deve responder por lesão corporal e injúria; G1 não localizou defesa.

Aeroporto de Brasília — Foto: Inframérica/Divulgação

Um passageiro foi detido no Aeroporto Internacional de Brasília suspeito de agredir e xingar a funcionária de uma companhia aérea, na última quarta-feira (15). Segundo testemunhas, o auditor fiscal da Secretaria de Fazenda Fábio Sousa de Oliveira, de 40 anos, “se irritou” após perder o voo de Brasília para o Rio de Janeiro.

O boletim de ocorrência registrado na 10ª Delegacia de Polícia, no Lago Sul, cita que o homem “supostamente agrediu física, moral e emocionalmente” uma mulher de 26 anos. A vítima é funcionária da Gol Linhas Aéreas e diz ter sido empurrada (leia mais abaixo nota da companhia).

De acordo com a Polícia Civil, a vítima também prestou depoimento na delegacia. O homem foi liberado depois de assinar um termo circunstanciado, em que assumiu o compromisso de comparecer ao Juizado Especial, quando intimado.

servidor público deve responder por lesão corporal e injúria.

Detido no embarque

O incidente ocorreu por volta das 21h, no portão 5 do embarque doméstico. A Polícia Federal abordou Fábio dentro de um ônibus, que se deslocava em direção a outra aeronave. Segundo a polícia, não houve resistência.

A Secretaria de Fazenda do RJ confirmou à reportagem que Fábio Sousa de Oliveira é auditor fiscal e servidor da pasta. No entanto, “não estava no exercício de sua função”, no momento do ocorrido.

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Museu de Arte de Brasília exibe arte urbana do Irã

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São 28 registros que a fotógrafa paulistana Maristela Acquaviva produziu em espaços públicos da capital Teerã em 2018

O Museu de Arte de Brasília (MAB) exibe, a partir desta sexta-feira (17), a mostra de fotos “Arte Urbana no Irã”. São 28 registros que a fotógrafa paulistana Maristela Acquaviva produziu em espaços públicos da capital Teerã em 2018, numa estada de dez dias a convite da Embaixada do Brasil naquele país, em cooperação com o governo local.

A exposição foi montada no primeiro pavimento e pode ser visitada diariamente, exceto às terças, até as 21h.

“As fotos investigam a prática centenária de arte pública no Irã, desde os mosaicos de azulejos do século 18, passando pelos monumentos e painéis erigidos pela monarquia e pela república islâmica no século 20, chegando a manifestações contemporâneas de ‘street art’, com seus grafites e intervenções nos muros da cidade. Revelam uma face do Irã completamente desconhecida do Ocidente”, explica o gerente do espaço da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec), Marcelo Gonczarowska, que divide a curadoria da exposição com o colega do MAB Fred Hudson.

A exposição, que também registra belas esculturas, usa parte do material fotográfico de um livro, “Street Art”, numa edição particular que não será comercializada.

Um fotógrafo iraniano, Maziar Kabiri, registrou, em contraponto, imagens da arte de rua na cidade de São Paulo, onde o grafite também se destaca em meio a outras formas de arte em espaços públicos.

“Duas grandes cidades, distantes geograficamente, porém unidas pela popularização da cultura que contribui para torná-las mais atraentes”, diz o texto de apresentação.

Parceria

Esta já é a segunda iniciativa de cooperação cultural entre Irã e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF durante a gestão. Em 2019, o grupo musical iraniano Navaye Mehr Band esteve no Centro Cultural Três Poderes e no Complexo Cultural Samambaia, que recebeu estudantes de escolas públicas do DF para curtir a apresentação.

Início: 17/09/2021 (sexta-feira)

Local: Galeria do primeiro pavimento do Museu de Arte de Brasília (MAB)

Endereço: SHTN, trecho 01, projeto Orla polo 03, Lote 05, CEP: 70800-200 Brasília – DF

Funcionamento: todos os dias, menos terças-feiras, de 9h a 21h

Entrada gratuita

Classificação livre

Não é necessário agendar a visita

Telefone: 3306-1375

Instagram: @museudeartedebrasília

* Com informações da Secec

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Sai o edital para a regularização da URB 05, em Arniqueira

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Esta é a terceira convocação de venda direta da área; propostas serão aceitas até 18 de outubro 

Famílias que optarem por pagamento à vista terão 25% de desconto

A Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap) publicou, nesta sexta-feira (17), o último edital da URB 005 do Setor Habitacional Arniqueira. Esta é a terceira convocação de venda direta da área, localizada nos antigos conjuntos 5 e 6 da Região Administrativa. Desta vez, são 158 imóveis contemplados. Os ocupantes têm até 18 de outubro para apresentar a proposta de compra do terreno. A publicação já está disponível para download.

O valor dos terrenos unifamiliares varia entre R$ 52.466,99 (199 m²) e R$ 1,224 milhão (5.155 mil m²) e já prevê a dedução da infraestrutura feita pelos moradores, bem como a valorização decorrente dessa implantação.  As famílias que optarem pelo pagamento à vista terão 25% de desconto no valor de venda do imóvel.

Com área total de 1.189,60 hectares, o Setor Habitacional Arniqueira  foi dividido em 15 áreas para fins de urbanização | Foto: Divulgação/Terracap

Atualmente, instituições financeiras oferecem linhas de crédito específicas para financiar imóveis originários da regularização fundiária. Assim, quem optar por tomar o recurso em uma dessas instituições pagará a prazo para o banco, mas integralmente e com abatimento à Terracap. Também é possível parcelar o financiamento dos terrenos pela Terracap – neste com prazo máximo de pagamento de 240 meses.

Como participar

A fim de descentralizar esse processo e evitar aglomerações, há três maneiras de realizar o procedimento. O contato pode ser feito presencialmente, no edifício-sede da Terracap (Setor de Áreas Municipais/SAM, atrás do Anexo do Palácio do Buriti), das 7h às 19h; na Administração de Arniqueira (SHA Conjunto 04 AE 01), das 8h às 12 e das 13h às 17h; ou de forma remota, pelo site da Terracap.

Quem preferir essa última forma de fazer contato deve acessar a página da Terracap ou o aplicativo da agência e procurar pelo menu “Serviços”, clicar em “Regularização – Venda Direta”; “Terracap – Serviços on-line”; plataforma com os dados de login; “Regularize Venda Direta”; “Passo 1 – Criar cadastro” e “Passo 2 – Criar proposta”. Nesse momento, será feita a confirmação das informações inseridas e o upload dos documentos. Encaminhe-os, e o envio estará concluído.

Mais informações podem ser obtidas por meio dos canais de atendimento da Terracap, no call center (61) 3342-1103, ou pela página da agência.

Arniqueira

974número de lotes disponíveis para cadastro

O decreto que aprova o projeto urbanístico para regularização da URB 005 foi assinado pelo governador Ibaneis Rocha em dezembro do ano passado. Foram levados a registro cartorial 1,4 mil lotes.

O Setor Habitacional Arniqueira, com área total de 1.189,60 ha, foi dividido em 15 áreas para fins de urbanização. Os projetos levaram em conta delimitadores naturais, como córregos – há três na região –, bem como as circunscrições cartoriais.

Atualmente, a Terracap está com cadastramento aberto da URB 001, local conhecido como Colônia Agrícola Vereda da Cruz. Esse é o primeiro passo para participar do processo de regularização fundiária e tem a finalidade de identificar os ocupantes dos lotes – são 974, de uso residencial e misto, disponíveis para cadastro.

*Com informações da Terracap

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Economia cresce 7,5% no DF em comparação a 2º trimestre de 2020

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Números foram apresentados nesta quarta (15) em transmissão ao vivo pelos canais da Codeplan e Secretaria de Economia

“Dois fatores são muito importantes para entender a retomada da economia: a vacinação e os programas do GDF, como o Refis e o Pró-Economia, que num contexto de crise ajudam o setor empresarial a planejar melhor suas ações. Com isso, consegue-se manter o emprego e a renda e ainda ampliar as ofertas, com o aumento de ocupação de novas vagas, como inclusive comprova a Ped dos últimos três meses”Jean Lima, presidente da Codeplan

No segundo trimestre de 2021, a atividade econômica do Distrito Federal, mensurado pelo Índice de Desempenho Econômico do Distrito Federal (Idecon-DF), evoluiu 7,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior (2020), sendo o maior crescimento em toda a série histórica do indicador, iniciada em 2012. Os setores que contribuíram para esse resultado foram o da indústria e o de serviços, 11,2% e 7,4%, respectivamente. Já a Agropecuária registrou índice negativo de 0,8/%.

No acumulado dos seis primeiros meses de 2021, a economia do DF expandiu 3,8% em relação ao primeiro semestre há um ano (2020). Os números mostram que a economia local reagiu em relação ao segundo trimestre de 2020, o período mais afetado pela pandemia do Coronavírus, como explica Jean Lima, presidente da Codeplan.

“Dois fatores são muito importantes para entender a retomada da economia: a vacinação e os programas do GDF, como o Refis e o Pró-Economia, que num contexto de crise ajudam o setor empresarial a planejar melhor suas ações. Com isso, consegue-se manter o emprego e a renda e ainda ampliar as ofertas, com o aumento de ocupação de novas vagas, como inclusive comprova a Ped dos últimos três meses”, apontou Lima.

Apesar dos bons números, os resultados trimestrais mostram uma diferente evolução da economia nacional em relação à brasiliense. Isso, deve-se, principalmente, ao perfil produtivo local, onde o setor de serviços determina a dinâmica da atividade econômica, já que representa 95,3% da estrutura produtiva do DF, com grande influência da atividade administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social. Os setores industrial (4,2%) e o agropecuário (0,5%) possuem menor representatividade.

“A economia do Distrito Federal cresceu 7,5% no segundo trimestre de 2021 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, evidenciando uma melhora significativa do desempenho produtivo local. Vale mencionar que, apesar do resultado brasileiro parecer maior, isso se deve, em parte, ao fato de a economia nacional ter experimentado quedas muito mais expressivas que as distritais em todos os trimestres de 2020. Dessa forma, é factível pensar que o efeito base, que é a comparação com um patamar de referência contraído, foi muito superior para o Brasil do que para o DF. Tanto que, no acumulado em quatro trimestres, o crescimento econômico da capital, calculado em 1,9%, foi superior ao brasileiro (1,8%)”, explicou Jessica Milker, gerente de contas e estudos setoriais da Codeplan.

A secretária adjunta de Economia, Ana Paula Cardoso, participou da apresentação dos dados. Ela avalia que o cenário atual é otimista. “Percebemos um cenário que, depois de toda a crise, e com os reflexos da retomada econômica, inclusive com a influência da vacinação, nos mostra possibilidades positivas de reação”, avalia.

Responsáveis pelo crescimento

– Indústria: Com peso 4,2% na economia da capital, a indústria, registrou aumento de 11,2% no segundo trimestre de 2021 comparando com o mesmo período de 2020.

A construção, responsável por 2,2% da atividade econômica brasiliense e 51,1% do setor industrial, evoluiu 16,6% no confronto dos segundos trimestres de 2021 e 2020. O ritmo de obras no DF aumentou o nível de ocupados na atividade, o que contribuiu para o crescimento desse segmento produtivo. No país, a atividade subiu 13,1%.

O grupo “outros da indústria” cresceu 5,7% no segundo trimestre do ano. O desempenho foi influenciado, em parte, pelos consumos de água e energia elétrica, que ficaram acima do registrado em igual período de 2020. O grupo agrega as atividades das indústrias extrativas e eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação.

– Serviços: O setor de serviços representa 95,3% da economia local, sendo o maior responsável pelo desempenho econômico do Distrito Federal. Em três meses, abril a junho, o setor cresceu 7,4% em relação a igual período do ano anterior.

De acordo com o Idecon-DF, a atividade comercial foi a que mais cresceu no segundo trimestre de 2021, 19,4%, frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

Metodologia

O Idecon é calculado pela Codeplan, trimestralmente, desde 2012, por meio de uma metodologia própria, adaptada a partir de parâmetros de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Distrito Federal. O mesmo é uma medida do desempenho da atividade econômica do Distrito Federal no curto prazo, cujo o objetivo é oferecer um indicador que seja tempestivo, capaz de informar e orientar a tomada de decisão dos diversos atores da sociedade da capital federal.

Tempo de Economia

Tempo de Economia é um programa quinzenal da Secretaria de Economia transmitido pelo canal da pasta no YouTube. O debate virtual conta com a participação de especialistas, setor produtivo e representantes do poder público para debater perspectivas e ações pós-covid-19 sob diferentes aspectos.

*Com informações da Codeplan-DF

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Vacina contra HPV: DF está abaixo da meta de imunizados; veja como se proteger

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Todas as meninas de 9 a 14 anos, e meninos com idade entre 11 e 14 anos devem ser vacinados contra o papilomavírus humano, HPV, na sigla em inglês. A imunização, nesta idade, protege contra uma série de doenças sexualmente transmissíveis, quando iniciada a vida sexual, e até mesmo do câncer.

A vacina, aplicada em duas doses, é indicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). No Distrito Federal, a campanha existe desde 2013 para as meninas e desde 2017 para os meninos. No entanto, a meta de alcançar 80% do público não foi atingida.

Segundo os indicadores de imunização da Secretaria de Saúde do DF, de 2013 a junho de 2021, apenas 41,2% das meninas receberam duas doses da vacina contra HPV. Já entre os meninos, de 2017 até junho de 2021, somente 24,3% foram imunizados.

“O desconhecimento sobre a importância da vacinação e a falta de conhecimento sobre o próprio vírus podem explicar os índices abaixo da meta”, diz a enfermeira Milena Fontes, da Secretaria da Saúde do DF.

 

Milena Fontes aponta ainda que muitos jovens não procuram os serviços de saúde, além do que, informações divergentes que circulam a respeito da vacina, atrapalham a campanha.

O que é o HPV?

O HPV é uma infecção sexualmente transmissível de alta prevalência que pode causar desde verrugas genitais e no ânus até neoplasias, como câncer no colo do útero, no pênis, na boca e no ânus. Dos mais de 150 tipos diferentes do vírus, 13 são considerados de alto risco, podendo causar, além dos tumores cervicais, câncer de ânus, vulva, vagina e de pênis.

Altamente contagioso, muitas vezes assintomático e sem cura, ele é transmitido principalmente durante a relação sexual sem proteção. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o vírus sexualmente transmissível mais comum.

Além da observação dos sinais aparentes, como as verrugas, há exames específicos que devem ser feitos de forma regular. Eles incluem o Papanicolau, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todas as unidades básicas.

Outros exames específicos como a colposcopia e a peniscopia são realizados a partir da identificação das lesões previamente mencionadas, e também estão disponíveis na rede pública de saúde. Os médicos explicam que nem sempre a pessoa com HPV desenvolve sintomas, mas, ainda assim, pode infectar outros indivíduos pelo contato sexual.

Onde buscar a vacina contra HPV no DF?

Vacina contra HPV distribuída pelo SUS para a rede pública de Saúde — Foto: TV Globo/Reprodução

Vacina contra HPV distribuída pelo SUS para a rede pública de Saúde — Foto: TV Globo/Reprodução

A vacina também é aplicada na rede privada.

O sucesso da Austrália contra o HPV

A Austrália é o primeiro candidato a erradicar o câncer de colo de útero nas próximas décadas, de acordo com a International Papillomavirus Society (IPS), organização internacional que reúne médicos especialistas em HPV.

A campanha no país começou em 2007, com vacinação de meninas nas escolas. Cinco anos depois, a incidência de verrugas genitais na população já havia reduzido em 90%, destaca o médico brasileiro Edison Natal Fedrizzi, membro do IPS.

Em 2013, os meninos foram incluídos na campanha e, em 2015, a incidência de HPV entre mulheres de 18 a 24 anos despencou de 22,7%, registrado dez anos antes, para 1,1%.

“É inaceitável a gente ainda ter morte por câncer de colo de útero no Brasil, uma doença que se previne com vacina”, disse o médico.

 

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GDF discute meios de aproximação com a Argentina

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Secretários distritais receberam representantes da embaixada do país no Palácio do BuritiO secretário de Governo, José Humberto Pires, seguindo as diretrizes do governador Ibaneis Rocha de apoiar as iniciativas que incrementem a economia e as relações diplomáticas, recebeu diplomatas argentinos no Palácio do Buriti para discutir meios de aproximação entre o DF e a Argentina. Também representaram o GDF o secretário executivo de Cidades, Valmir Lemos de Oliveira, e a chefe do Escritório de Assuntos Internacionais (EAI), Renata Zuquim.

Cooperação no âmbito educacional e a retomada da rota direta entre os aeroportos de Brasília e Buenos Aires foram alguns dos pontos discutidos na reunião | Foto: Segov-DF

Da parte argentina, participaram do encontro o ministro conselheiro e chefe da Chancelaria da Embaixada Argentina no Brasil, Pablo Antonio de Angelis; o ministro-chefe da Seção Econômica e Comercial, Rodrigo Bardoneschi, e a conselheira Maria Emilia Cortes.

Entre os temas abordados, foram apontadas as vantagens estratégicas de incrementar as relações comerciais entre as redes supermercadistas de ambos os locais, bem como de retomar a rota direta entre os aeroportos de Brasília e Buenos Aires, além de um potencial de cooperação entre Brasília e a Argentina no âmbito educacional.

O secretário de Governo, José Humberto Pires, seguindo as diretrizes do Governador Ibaneis Rocha de apoiar as iniciativas que incrementem a economia e as relações diplomáticas, recebeu diplomatas argentinos no Palácio do Buriti para discutir meios de aproximação entre o DF e a Argentina. Também representaram o GDF o secretário executivo de Cidades, Valmir Lemos de Oliveira, e a chefe do Escritório de Assuntos Internacionais (EAI), Renata Zuquim.

Para o secretário de Governo, o DF simboliza uma região brasileira em franco crescimento. “Brasília é uma síntese do Brasil e é uma síntese do Centro-Oeste, daí a importância de canalizarmos essas parcerias”, afirmou José Humberto.

Já a chefe do EAI salientou a relação entre Brasília e Buenos Aires: “São cidades irmãs, que possuem interesses e iniciativas em comum, e tanto o comércio quanto a educação e o turismo se interligam na promoção do desenvolvimento mútuo”.

*Com informações do Escritório de Assuntos Internacionais (EAI)

 

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