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Estimulação cerebral pode ajudar a tratar obesidade

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Grupo da USP avalia efeito da neuromodulação não invasiva na redução da apetite; resultados têm sido variados entre grupos geneticamente diferentes

Funcionamento do cérebro: outra questão a ser respondida é se as alterações no funcionamento cerebral permanecem no longo prazo (BSIP/Getty Images)

Uma das alternativas que têm sido testadas no tratamento da obesidade é a neuromodulação cerebral não invasiva por uma técnica conhecida como estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, na sigla em inglês). Estudos feitos até o momento indicam que o método de fato contribui para reduzir o apetite, a ingestão alimentar e o peso corporal, mas apenas em parte dos voluntários.

Novos dados publicados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) na revista Appetite ajudam a entender o motivo de tamanha variabilidade na resposta a esse tratamento.

“O perfil genético do paciente – particularmente as variações em um gene conhecido como COMT – parece ser um fator determinante para o resultado”, disse à Agência FAPESP Priscila Giacomo Fassini, primeira autora do artigo.

Durante seu pós-doutorado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), Fassini conduziu – com apoio da FAPESP – um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, placebo-controlado para testar a eficácia da tDCS na redução do apetite e do peso.

Nesse tipo de estudo, considerado padrão-ouro na avaliação de novas terapias, os voluntários são divididos aleatoriamente em dois grupos e nem mesmo os pesquisadores sabem antecipadamente quem de fato recebeu a intervenção ou apenas placebo. O trabalho foi supervisionado pela professora do Departamento de Clínica Médica Vivian Marques Miguel Suen.

A estimulação transcraniana por corrente contínua é feita por dois eletrodos (cátodo e ânodo) posicionados no couro cabeludo e ligados a um pequeno equipamento portátil capaz de gerar uma corrente galvânica que altera a atividade elétrica cerebral da área de interesse.

No caso da obesidade, o objetivo é modular a excitabilidade dos neurônios localizados no córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo.

“Usamos em nosso ensaio uma corrente de apenas 2 miliamperes – tão baixa que nem é percebida pelos pacientes. Os membros do grupo placebo passavam pelos mesmos procedimentos, porém, recebiam uma corrente não ativa”, contou a pesquisadora.

Partindo de uma base inicial com quase 9 mil voluntários, o grupo selecionou 38 mulheres, com idades entre 20 e 40 anos, para participar das quatro fases do ensaio clínico.

Todas tinham índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35, considerado como obesidade grau 1. Foram selecionadas apenas mulheres com o objetivo de reduzir a variabilidade de resultados e, assim, aumentar o poder do estudo.

“Os critérios de inclusão foram bastante rigorosos. Excluímos usuários de medicamentos e portadores de doenças que poderiam influenciar nos resultados.

Além disso, como a terceira fase do estudo envolvia internação hospitalar durante duas semanas, nem todos os interessados tinham disponibilidade para participar”, disse Fassini.

Ao todo, as voluntárias selecionadas receberam 17 sessões de 30 minutos de tDCS ao longo de um mês e tiveram o apetite e o peso monitorados durante seis meses. Segundo Fassini, pesquisas anteriores haviam investigado apenas os efeitos imediatos da estimulação transcraniana no apetite, com um número menor de sessões e sem um período de seguimento.

O papel da dopamina

Na primeira fase do ensaio clínico, as voluntárias receberam uma única sessão de tDCS e, logo em seguida, foram submetidas a testes de desempenho da memória de trabalho, que permite o armazenamento temporário de informações visando o cumprimento de tarefas específicas.

Segundo Fassini, o objetivo era confirmar se a região correta do cérebro estava sendo estimulada, pois o córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo está relacionado tanto à memória de trabalho como à regulação do apetite. Em ambos os casos, há evidências de que o efeito da neuromodulação é mediado pela liberação de dopamina, uma das substâncias produzidas pelos neurônios (neurotransmissores).

“A dopamina desempenha um papel fundamental na regulação da recompensa alimentar, alimentação e peso corporal. Está bem estabelecido na literatura científica que alimentos apetitosos ativam o sistema de recompensa do cérebro, contribuindo para a liberação de dopamina. Ao que tudo indica, a neuromodulação é capaz de mimetizar esse efeito”, disse a pesquisadora.

Nas duas semanas seguintes, as voluntárias receberam outras 10 sessões de tDCS pela manhã (uma vez ao dia, de segunda a sexta-feira), podendo retomar a rotina normal após a intervenção.

Já na terceira fase, foram internadas por duas semanas e submetidas a uma dieta hipocalórica individualizada e supervisionada, com redução de 30% da ingestão energética. Paralelamente, receberam mais seis sessões de tDCS em dias alternados (segundas, quartas e sextas-feiras).

A quarta etapa da pesquisa consistiu no acompanhamento do peso e do apetite durante os seis meses seguintes ao término da intervenção. O efeito sobre o apetite – durante e após o período de neuromodulação – foi medido por meio de escalas padronizadas para avaliação da fome, da saciedade, do desejo de comer e do consumo de alimentos.

Desvendando os resultados

Após concluir toda a coleta de dados no Brasil, Fassini seguiu, com apoio da FAPESP, para um estágio de pesquisa na Harvard Medical School, nos Estados Unidos.

Sob a supervisão do professor Miguel Alonso-Alonso – um dos pioneiros nos estudos com tDCS em obesidade – foi feita a análise dos resultados. Também participaram Júlio Sérgio Marchini (FMRP-USP), Sai Krupa Das (Tufts University, Estados Unidos) e Greta Magerowski (Harvard Medical School).

Com base em amostras de sangue coletadas na primeira fase do ensaio, o material genético das voluntárias foi sequenciado. Como já se conhecia a importância da dopamina para o mecanismo de ação da tDCS, o grupo decidiu investigar, nas voluntárias, a presença de formas variantes (polimorfismos) do gene COMT, responsável por codificar uma enzima – a catecol o-metiltransferase – que participa do processo de degradação desse neurotransmissor no córtex pré-frontal.

“Estudos anteriores haviam mostrado que um polimorfismo conhecido como Valina158Metionina [Val158Met] afeta a atividade da enzima, tornando-a menos eficaz para degradar a dopamina. Ou seja, em pessoas com essa variante do gene COMT, a disponibilidade de dopamina extracelular no córtex pré-frontal é maior”, disse Fassini.

De fato, os dados mostraram que as únicas participantes que apresentaram uma redução significativa do apetite ao longo do tempo foram as portadoras do alelo Met do gene COMT que receberam neuromodulação ativa. “Elas respondem melhor ao tratamento pela maior disponibilidade de dopamina, exibindo níveis mais baixos de fome, menor desejo de comer e menor consumo de alimentos ao longo do tempo”, disse Fassini.

Para a pesquisadora, porém, a descoberta mais notável do ensaio clínico foi o efeito paradoxal observado nas voluntárias que não tinham o alelo Met do gene COMT. Ou seja, nessas mulheres, a tDCS teve o efeito oposto ao esperado, aumentando a fome, o desejo de comer e o consumo alimentar durante toda a intervenção.

“Esse efeito paradoxal foi observado em avaliações repetidas e estava presente 23 horas após a administração da sessão de tDCS, e não de forma aguda. Os mecanismos potenciais subjacentes ainda não são claros”, comentou Fassini.

Os resultados também mostraram uma correlação entre o desempenho nos testes de memória de trabalho da fase 1 com a mudança de apetite de uma maneira dependente do genótipo COMT. “Melhorias de velocidade durante a tarefa de memória previram aumento de apetite em indivíduos portadores do alelo Met e redução de apetite em não portadores”, disse.

O efeito do tratamento sobre o peso corporal das participantes ainda está sendo analisado e será tema de um artigo a ser publicado em breve. “Não observamos muita diferença entre os grupos até o fim da intervenção, o que era esperado, pois todas passaram por dieta supervisionada. Contudo, estamos notando diferenças em relação à manutenção do peso nos seis meses de acompanhamento”, contou Fassini.

O grupo da FMRP-USP continua a acompanhar as voluntárias e, em breve, o estudo completará um ano.

“Esses primeiros resultados já ajudam a entender por que somente algumas pessoas respondem ao tratamento com tDCS. Vimos que diferenças genotípicas afetam a disponibilidade de dopamina e interferem totalmente no efeito da técnica. É possível que existam outros fatores, que ainda precisam ser investigados em estudos futuros”, disse Fassini.

Outra questão a ser respondida é se as alterações no funcionamento cerebral induzidas pela neuromodulação permanecem no longo prazo e alteram a plasticidade cerebral (a forma como o cérebro se organiza) de forma definitiva.

Segundo a pesquisadora, esse tipo de conhecimento é fundamental para que a técnica possa ser prescrita com segurança e eficácia no tratamento da obesidade.

Embora ainda seja considerada experimental nesse contexto, a tDCS já tem sido usada na prática clínica para o tratamento de condições neuropsiquiátricas, como depressão e esquizofrenia. O método é considerado seguro e não tem efeitos colaterais conhecidos.

 

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Japan’s Prime Minister Isn’t really Popular, But His Coalition Won A Supermajority

Enlarge this imageJapanese Key Minister and ruling celebration president Shinzo Abe smiles after the standard election Sunday in Tokyo wherein his ruling social gathering won a clear the vast majority.The Asahi Shimbun/The Asahi Shimbun through Getty Imageshide captiontoggle captionThe Asahi Shimbun/The Asahi Shimbun through Getty ImagesJapanese Prime Minister and ruling get together president Shinzo Abe smiles once the standard election Sunday in Tokyo by which his ruling party gained a transparent the greater part.The Asahi Shimbun/The Asahi Shimbun by way of Getty ImagesJapanese Primary Minister Shinzo Abe’s ruling coalition now has a two-thirds supermajority during the parliament. That’s just after capturing much more than three hundred in the 465 seats in Japan’s decreased house which were up for grabs on Sunday. Abe di solved the parliament and known as a snap election just months back in a very bid to move on from cronyism scandals that dogged him also to get a mandate for problems from financial stimulus into a controversial revision of Japan’s postwar, pacifist constitution. He appears to obtain gotten it. Neverthele s it doesn’t indicate the Japanese are especially captivated with their chief. Tokyo voter Omi Kumiko braved the outer bands of the hurricane to cast a ballot from Shinzo Abe’s ruling get together the liberal democrats or LDP.The Two-WayJapanese Elections Strengthen Abe, Reward His Gamble “I understand that turnout tends to go down when you can find rain so I https://www.chiefsglintshop.com/Dorian-O-Daniel-Jersey created certain to occur and vote,” Kumiko said. She’s one of the minority of voters who picked any individual but candidates in Abe’s occasion. His ruling LDP signifies Japan’s institution conservative wing and it’s got dominated Japanese politics all but a handful of occasions given that 1955. “The LDP may well not win loads of enthusiastic endorsement from voters, but they are regarded better in comparison to the choice,” claims Jeffrey Kingston, who heads Asia scientific studies at Japan’s Temple College. In the run-up to this election, the present alternate the opposition Democratic Bash break up up. As well as the upstart https://www.chiefsglintshop.com/Kendall-Fuller-Jersey functions that replaced it to problem Abe are only weeks aged. They lacked money, momentum and also a turnout machine. “[Abe] does not really have plausible, sturdy rivals. And he’s gonna make the situation to all people glimpse flaws and all in the midst of a national protection crisis, does one truly desire to believe in these untested leaders of beginner parties? And he is winning that argument,” Kingston says.It was plenty of to influence lots of Japanese voters to settle on the LDP. “Rather than coverage, it is about electing another person you could trust,” voter Akira Wada explained, after calling his ballot in Tokyo’s Shinjuku. “I consider they’re trusted.”ParallelsTokyo Governor Hopes Her New ‘Party Of Hope’ Will Shake Up Japanese Politics The trust concern will come into focus in particular for the duration of tense occasions. Twice this 12 months, North Korea’s mi siles have flown over Japan, triggering sirens, the J-alert emergency text information proce s and giving residents a scare. “This results in a rally throughout the flag tendency and so this has obviously benefited Abe and also the LDP,” Kingston claims. Neverthele s as he pushes forward with economic stimulus and po sible alterations to Japan’s postwar, pacifist constitution, Abe is not personally common. A Len Dawson Jersey bulk of respondents in public view polls explained they do not want Abe to carry on as prime minister, but he will as a result of no plausible alternate options and voter apathy. “It will not matter who receives elected, absolutely nothing will change. So why even vote?” said Tokyo resident Daichi Kimura. He speaks for the nearly fifty percent of qualified Japanese voters who did not forged a ballot at all in this particular election. “Even if folks at the best transform, practically nothing is going to change in Japan,” Kimura stated. For making individuals frustrations regarded, a gaggle called the “Support No Party” celebration acquired on the ballot this time all around. Enough voters picked it for the ballot box which the “No Party” occasion captured some one hundred twenty five,000 votes. Its signature concern is the fact that it’s sick of politicians.Jake Adelstein contributed to this tale.

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Enlarge this imageJapanese Key Minister and ruling celebration president Shinzo Abe smiles after the standard election Sunday in Tokyo wherein his ruling social gathering won a clear the vast majority.The Asahi Shimbun/The Asahi Shimbun through Getty Imageshide captiontoggle captionThe Asahi Shimbun/The Asahi Shimbun through Getty ImagesJapanese Prime Minister and ruling get together president Shinzo Abe smiles once the standard election Sunday in Tokyo by which his ruling party gained a transparent the greater part.The Asahi Shimbun/The Asahi Shimbun by way of Getty ImagesJapanese Primary Minister Shinzo Abe’s ruling coalition now has a two-thirds supermajority during the parliament. That’s just after capturing much more than three hundred in the 465 seats in Japan’s decreased house which were up for grabs on Sunday. Abe di solved the parliament and known as a snap election just months back in a very bid to move on from cronyism scandals that dogged him also to get a mandate for problems from financial stimulus into a controversial revision of Japan’s postwar, pacifist constitution. He appears to obtain gotten it. Neverthele s it doesn’t indicate the Japanese are especially captivated with their chief. Tokyo voter Omi Kumiko braved the outer bands of the hurricane to cast a ballot from Shinzo Abe’s ruling get together the liberal democrats or LDP.The Two-WayJapanese Elections Strengthen Abe, Reward His Gamble “I understand that turnout tends to go down when you can find rain so I https://www.chiefsglintshop.com/Dorian-O-Daniel-Jersey created certain to occur and vote,” Kumiko said. She’s one of the minority of voters who picked any individual but candidates in Abe’s occasion. His ruling LDP signifies Japan’s institution conservative wing and it’s got dominated Japanese politics all but a handful of occasions given that 1955. “The LDP may well not win loads of enthusiastic endorsement from voters, but they are regarded better in comparison to the choice,” claims Jeffrey Kingston, who heads Asia scientific studies at Japan’s Temple College. In the run-up to this election, the present alternate the opposition Democratic Bash break up up. As well as the upstart https://www.chiefsglintshop.com/Kendall-Fuller-Jersey functions that replaced it to problem Abe are only weeks aged. They lacked money, momentum and also a turnout machine. “[Abe] does not really have plausible, sturdy rivals. And he’s gonna make the situation to all people glimpse flaws and all in the midst of a national protection crisis, does one truly desire to believe in these untested leaders of beginner parties? And he is winning that argument,” Kingston says.It was plenty of to influence lots of Japanese voters to settle on the LDP. “Rather than coverage, it is about electing another person you could trust,” voter Akira Wada explained, after calling his ballot in Tokyo’s Shinjuku. “I consider they’re trusted.”ParallelsTokyo Governor Hopes Her New ‘Party Of Hope’ Will Shake Up Japanese Politics The trust concern will come into focus in particular for the duration of tense occasions. Twice this 12 months, North Korea’s mi siles have flown over Japan, triggering sirens, the J-alert emergency text information proce s and giving residents a scare. “This results in a rally throughout the flag tendency and so this has obviously benefited Abe and also the LDP,” Kingston claims. Neverthele s as he pushes forward with economic stimulus and po sible alterations to Japan’s postwar, pacifist constitution, Abe is not personally common. A Len Dawson Jersey bulk of respondents in public view polls explained they do not want Abe to carry on as prime minister, but he will as a result of no plausible alternate options and voter apathy. “It will not matter who receives elected, absolutely nothing will change. So why even vote?” said Tokyo resident Daichi Kimura. He speaks for the nearly fifty percent of qualified Japanese voters who did not forged a ballot at all in this particular election. “Even if folks at the best transform, practically nothing is going to change in Japan,” Kimura stated. For making individuals frustrations regarded, a gaggle called the “Support No Party” celebration acquired on the ballot this time all around. Enough voters picked it for the ballot box which the “No Party” occasion captured some one hundred twenty five,000 votes. Its signature concern is the fact that it’s sick of politicians.Jake Adelstein contributed to this tale.

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Cientistas descobrem como parasita da malária foi de gorilas para humanos

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Doença é transmitida por mosquitos e passou a infectar humanos depois de transferir de um parasita de gorila

Malária: doença contamina cerca de 216 milhões de pessoas por ano em todo o mundo (Fabrizio Bensch/Reuters)

Londres — Cientistas que ressuscitaram uma sequência genética de 50 mil anos de idade a analisaram para entender como o parasita da malária mais mortífero do mundo foi de gorilas para humanos – o que oferece um vislumbre das origens de um dos maiores dizimadores da história da humanidade.

Os pesquisadores disseram que seu trabalho também aprofunda o entendimento de um processo conhecido como zoonose – quando um patógeno que pode infectar animais adquire mudanças genéticas que o habilitam a contaminar humanos -, como foi o caso de doenças como a gripe e o Ebola.

No caso do Plasmodium falciparum, a forma mais fatal de parasita da malária, esta análise revelou que ele obteve a capacidade de infectar células de sangue humano a partir de uma seção de DNA que havia se transferido de um parasita de gorila.

Ao analisar a sequência de DNA crucial, os pesquisadores descobriram que ela incluía um gene que produz uma proteína chamada RH5, que se liga a um receptor de proteína dos glóbulos vermelhos.

“O fato de que esta proteína RH5 ancestral foi capaz de se ligar aos receptores de glóbulos vermelhos… de humanos e gorilas proporcionou imediatamente uma explicação molecular de como a P. falciparum evoluiu para infectar humanos”, explicou Francis Galaway, que coliderou a equipe de pesquisa do Instituto Wellcome Sanger britânico e da Universidade de Montpelier francesa.

A malária é transmitida por mosquitos e contamina cerca de 216 milhões de pessoas por ano em todo o mundo, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

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Ciência

Poluição do ar está ligada a abortos espontâneos na China, diz estudo

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Os abortos espontâneos não percebidos ocorrem quando um feto morre ou para de crescer no início da gravidez enquanto permanece no útero

China: Os níveis atuais de PM2,5 – pequenas partículas que podem penetrar profundamente nos pulmões – em Pequim ainda são quatro vezes maiores do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde (Jing Xuan TENG/AFP)

A exposição a poluentes transportados pelo ar na China aumenta o risco de abortos espontâneos não percebidos, nos quais o feto morre sem que a mulher grávida sinta nenhum sintoma perceptível, disseram pesquisadores nesta segunda-feira.

Estudos anteriores mostraram uma correlação entre poluição do ar e complicações na gravidez, mas a nova pesquisa – publicada na revista Nature Sustainability por uma equipe de pesquisadores de universidades chinesas – lança luz sobre um impacto pouco estudado da poluição.

O estudo constatou que a exposição a concentrações mais altas de material particulado no ar, bem como dióxido de enxofre, ozônio e monóxido de carbono, foi associada a um maior risco de aborto espontâneo não percebido no primeiro trimestre de gravidez.

Além disso, “o aumento do risco não é linear, mas se torna mais grave quanto maior a concentração de poluentes”, afirmou o estudo.

Os abortos espontâneos não percebidos ocorrem quando um feto morre ou para de crescer no início da gravidez enquanto permanece no útero, e normalmente são detectados durante exames de rotina de ultrassom semanas depois.

Pesquisadores de quatro universidades e da Academia Chinesa de Ciências acompanharam a gravidez de mais de 250.000 mulheres em Pequim de 2009 a 2017, entre elas 17.497 que sofreram abortos.

Os pesquisadores usaram medições de estações de monitoramento do ar próximas às casas e locais de trabalho das mulheres para medir a exposição dos sujeitos à poluição.

“A China é uma sociedade em envelhecimento e nosso estudo fornece uma motivação adicional para o país reduzir a poluição do ar ambiente, a fim de aumentar a taxa de natalidade”, disseram os autores do artigo.

Embora o estudo mostre uma ligação quantitativa entre poluição e abortos espontâneos não percebidos, confirmar uma ligação causal exigiria experimentação de laboratório eticamente carregada em embriões humanos, disse Shaun Brennecke, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade de Melbourne, que não participou do estudo.

Os autores do artigo “tiveram a vantagem de basear o estudo em Pequim, que teve ao longo do estudo uma ampla gama de níveis de poluição e onde os níveis diminuíram com o tempo”, disse Brennecke à AFP.

Os autores do estudo não responderam ao pedido de comentário da AFP.

Os níveis de poluição do ar na capital da China caíram significativamente nos últimos anos, apesar das leituras de poluição diferirem drasticamente de dia para dia e entre partes da cidade.

Mas os níveis atuais de PM2,5 – pequenas partículas que podem penetrar profundamente nos pulmões – em Pequim ainda são quatro vezes maiores do que os recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

A leitura média de PM2,5 por hora da cidade foi de 42,6 microgramas por metro cúbico de ar nos primeiros oito meses de 2019, de acordo com a AirVisual, o braço de pesquisa da empresa de tecnologia de purificação de ar suíça IQAir.

As descobertas do estudo são “consistentes com outros estudos sobre poluição do ar e aborto espontâneo, e também com outros estudos que documentam associações significativas entre poluentes do ar e parto prematuro”, ddise à AFP Frederica Perera, professora de saúde pública da Universidade de Columbia, que não participou do estudo.

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