As estatais federais apresentaram um déficit de R$ 2 bilhões em setembro, de acordo com dados recentes do Banco Central, representando o maior resultado negativo para este mês desde 2002.
Nos últimos anos, o desempenho financeiro das estatais tem sido desfavorável, com déficits consecutivos nos últimos cinco anos. Em 2025, o déficit de setembro foi de R$ 751 milhões, enquanto em 2021 houve superávit de R$ 1,3 bilhão.
Os Correios, enfrentando sérias dificuldades financeiras, estão passando por um processo de reestruturação. Recentemente, o Ministério da Fazenda autorizou uma garantia do Tesouro Nacional para um empréstimo de R$ 7 bilhões solicitado pela empresa.
As estatais foram um tema importante durante a eleição presidencial, com o atual presidente Lula sendo questionado sobre o rombo nos Correios e o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, defendendo-se das acusações de privatização do setor.
O governo federal possui 44 estatais, mas apenas algumas são consideradas nas estatísticas divulgadas pelo Banco Central, que não incluem a Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Até o momento, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos não se pronunciou sobre esses dados.
De acordo com membros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o resultado deficitário não significa que a saúde financeira das estatais está comprometida. O aspecto mais importante é avaliar se as empresas estão gerando lucro ou prejuízo ao longo do tempo.
Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, destacou que os dados disponíveis não permitem separar os gastos correntes dos investimentos, que têm natureza diferente no impacto financeiro das estatais.
O déficit acumulado das estatais federais de janeiro a setembro já alcança R$ 8,5 bilhões, também um recorde histórico, contrastando com os R$ 6,3 bilhões negativos registrados no mesmo período de 2025.
Quando se consideram estatais estaduais e municipais, o déficit registrado em setembro foi de R$ 3,4 bilhões.

