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Equador: quem é Guillermo Lasso, o banqueiro conservador que derrotou oponente esquerdista

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Lasso é membro do Opus Dei, mas afirma estar disposto a abrir debate sobre a descriminalização do aborto

Em sua terceira eleição presidencial, Guillermo Lasso conseguiu ampliar com sucesso sua base de eleitores para além da direita tradicional e assim vencer uma disputa acirrada contra a esquerda ligada ao ex-presidente Rafael Correa.

No domingo (12/04), ele obteve dianteira de cinco pontos percentuais contra Andrés Arauz, que reconheceu a derrota.

“Este é um dia histórico, um dia em que todos os equatorianos decidiram seu futuro, expressaram com seu voto a necessidade de mudança e o desejo de dias melhores para todos”, disse Lasso para apoiadores reunidos em Guayaquil na noite de domingo.

Durante a campanha, ele havia alertado sobre a complexa missão que o espera.

“Vamos receber um país em situação complicada. O governo nacional não tem liquidez, apenas um saldo de US$ 400 milhões na reserva, que cobre só 20% dos gastos mensais do governo”, disse ele à BBC News Mundo (serviço da BBC em espanhol) durante a campanha eleitoral.

“É também um governo com uma dívida que chega a 63% do Produto Interno Bruto (soma de todas as riquezas produzidas num determinado período), ao qual devemos somar atrasos com municípios, prefeituras, sistemas de seguridade social e com o Banco Central. A dívida chega a US$ 80 bilhões.”

Ponto-chave para o triunfo do ex-banqueiro e empresário conservador de 65 anos foi o descontentamento em relação ao ex-presidente Rafael Correa, que apoiou Arauz. Muitos destes eleitores não votaram em Lasso no primeiro turno em 7 de fevereiro de 2021 e agora mudaram de ideia.

Mas o partido de Lasso, o Movimento Político Criando Oportunidades (Creo), só tem 12 assentos na Assembleia Nacional, além das 19 cadeiras da principal sigla aliada, o Partido Social Cristão.

Eles enfrentarão o correísmo com 48 deputados, o que obrigará o novo presidente a fazer concessões que já começaram na campanha.

“A cada voto que ele obteve ao ampliar sua plataforma, a governança diminuiu, porque ele passou a distribuir o bolo para muitos que, na hora de governar, vão cobrar seu preço”, disse o analista Pedro Donoso à BBC News Mundo.

Donoso acrescenta que o anti-correísmo como força política também não é um grupo homogêneo e que Lasso terá que lidar com interesses conflitantes.

O presidente eleito é um conhecido banqueiro e empresário equatoriano que participa de diversos conglomerados financeiros.

Ele costuma se referir a uma origem familiar humilde que o levou a começar a trabalhar aos 15 anos na Bolsa de Valores de sua cidade, Guayaquil.

Assim, ele sempre tenta afastar o rótulo de um banqueiro rico que “não se importa” com os mais pobres.

Ele foi subindo rapidamente de posição até se tornar presidente do Banco de Guayaquil por quase 20 anos. No início dos anos 1990, chegou a liderar a Associação de Bancos Privados do Equador.

Andrés Arauz discursa

Getty Images Apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, Andrés Arauz foi derrotado por Guillermo Lasso por quase cinco pontos percentuais de diferença no segundo turno

Em agosto de 1999, ele foi nomeado ministro da Economia, mas por causa de divergências com o então presidente Jamil Mahuad sobre a condução da economia do país, renunciou um mês depois.

Sob o lema “empreendedorismo, inovação e futuro”, Lasso disse na campanha que respeitará o acordo do país com o FMI (Fundo Monetário Internacional), com exceção de um ponto.

Não vamos ignorar o acordo com o Fundo Monetário Internacional. O que não vamos fazer é aumentar o IVA”, disse, referindo-se a uma polêmica medida que visa aumentar a arrecadação de impostos em um país que já tem elevados níveis de déficit fiscal e dívida pública.

O que Lasso propõe

Em seu plano de governo, o então candidato se propôs a gerar novos empregos, aumentar o salário mínimo para US$ 500 mensais, acabar com a fome de mais de um milhão de equatorianos, atrair investimentos estrangeiros e combater a corrupção.

O último ponto era o argumento central da vitória contra Arauz e o padrinho Correa.

Próximo de ideias da Opus Dei (uma das mais conservadoras e controversas instituições da Igreja Católica), Lasso é casado, pai de cinco filhos e causou polêmica ao defender na campanha eleitoral que uma escultura em Quito da popular Virgen del Panecillo fosse girada para não ficar de costas aos cidadãos do sul, região mais pobre.

Ele sempre foi ferrenho opositor de qualquer proposta de lei sobre a descriminalização do aborto, mesmo em casos de estupro. Mas na campanha, mostrou-se aberto a ouvir os equatorianos e não impor sua visão – e até falou em uma possível consulta popular sobre o tema.

“O Equador sabe que um dos meus princípios é a defesa da vida desde a concepção até a morte natural. Agora, sendo um presidente de um Estado laico, me comprometo absolutamente a respeitar pontos de vista diferentes do meu, e se houver decisão da maioria, reconhecerei que esta é a maneira de ver a vida da maioria dos equatorianos”, disse o presidente eleito.

Popularmente conhecido como “candidato eterno”, esta foi a terceira vez que concorreu à Presidência. Ele perdeu para Correa em 2013 e Lenín Moreno em 2017.

Carlos Ferrín, consultor de comunicação política, disse à BBC News Mundo que Lasso se transformou nos últimos anos.

“Quem concorreu em 2013 foi um empresário que tentava ser político; o de 2017 liderou o momento mais crítico do anti-correísmo e quase conquistou a Presidência.”

Guillermo Lasso.

Getty Images Guillermo Lasso conseguiu ampliar sua base eleitoral para além da tradicional direita conservadora

Naquela eleição, Lasso inicialmente se recusou a aceitar os resultados sob alegações de fraude eleitoral. No entanto, a virada política que Moreno deu ao longo de seu governo o levou a se aproximar do atual presidente, embora tenham se distanciado na campanha eleitoral.

“Esta versão do Lasso 2021 para mim é a melhor, com seus pequenos problemas de saúde, a queda que o obrigou a portar uma bengala, um candidato mais humano, mais cercado de sua família, seus filhos, como parte de um clã”, avalia Ferrín.

Lasso, que se define como um liberal que “acredita nas boas ideias e não nas ideologias”, prometeu acabar com as políticas de esquerda promovidas durante o governo Correa.

Nesse sentido, disse que votar no seu adversário Arauz era sinônimo de “volta ao correísmo” e que isso poderia levar o Equador a tornar-se uma “nova Venezuela”.

Os desafios

Se a tarefa de derrotar Arauz foi um grande desafio, maior ainda será administrar a economia do Equador, país de quase 17 milhões de habitantes que necessita acelerar a vacinação contra o coronavírus (que matou 17 mil pessoas no país).

Menos de 2% da população receberam pelo menos uma dose do imunizante contra a doença — o Brasil vacinou pouco mais de 10%.

Por causa da pandemia, a economia equatoriana recuou 7,8% em 2020, mas deve crescer 3,5% neste ano, segundo autoridades locais. Em um ambiente de mercado de trabalho amplamente informal, apenas 34% dos empregos no país cumprem pelo menos o mínimo previsto em lei em horas ou salários.

Lasso prometeu estimular a economia atraindo mais investimentos estrangeiros e impulsionando a produção de petróleo, o produto de exportação mais importante do país sul-americano.

Também promete criar 2 milhões de empregos, expandir o setor agrícola por meio de empréstimos a juros baixos e reduzir progressivamente os impostos.

Lasso se gaba do passado como banqueiro, algo que o afastou de alguns eleitores, ao defender que sabe criar empregos e financiar empresas através do setor privado e que agora fará o mesmo com o público.

Nesse sentido, promete gerar riqueza a partir de recursos petrolíferos, minerais e energéticos por meio da participação do setor privado em substituição ao financiamento estatal.

Talvez sejam esses dotes de empresário e especialista em finanças que o motivaram a ser eleito pelo eleitorado equatoriano diante do jovem candidato de Correa, em um momento de crise econômica por conta da pandemia e da dívida.

Isso levou Moreno a buscar financiamento com o FMI, que injetou US$ 7,4 bilhões no país.

“Não queremos mexer com coisas perigosas como eliminar a dolarização (da economia equatoriana); não acreditamos em ideias derivadas da inépcia. Não queremos improvisos e vamos mostrar que temos capacidade, vontade e experiência”, disse Lasso durante a campanha, quando explorava sua experiência e solvência empresarial contra o jovem rival.

Lasso é defensor ferrenho da dolarização, que rege a economia do país há mais de 20 anos e é muito popular entre a população.

Como se a missão de criar empregos, reduzir a pobreza, que aumentou com a pandemia, e lidar com a dívida não fosse complicada o suficiente, Lasso terá que lidar com a Assembleia Nacional dominada pela oposição, o que tornará difícil para um presidente que agora busca implementar no setor público seu sucesso no setor privado.

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CPI da Covid: diretor-presidente da Anvisa critica passeio de moto de Bolsonaro

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O chefe da Anvisa se posicionou contra vários tipos de comportamento do presidente durante a pandemia: “Não, não concordo. Qualquer coisa que fale de aglomeração, não usar álcool, não usar máscara e negar a vacina são coisas sem nenhum sentido do ponto de vista sanitário”

(crédito: Marcos Corrêa/PR)

Na sessão da CPI da Covid, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, criticou o passeio de motocicleta que o presidente Jair Bolsonaro fez no domingo, acompanhado de vários outros motociclistas. Ele classificou o ato de “sanitariamente inadequado”, por causa da aglomeração.

Torres deu sua opinião ao ser perguntado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA). A parlamentar quis saber, também, se o depoente, que é motociclista, participou do passeio. “Eu não estive nesse evento, sou contra aglomeração. Nas mídias sociais dos grupos de motociclistas, apareceram vários motogrupos, com todas essas questões, mas eu, realmente, não compareci. Aliás, além de ser sanitariamente inadequado, não é preconizado.”

Perguntado pela senadora se era contra aglomerações, o chefe da Anvisa se posicionou contra vários tipos de comportamento do presidente durante a pandemia. “Não, não concordo. Qualquer coisa que fale de aglomeração, não usar álcool, não usar máscara e negar a vacina são coisas sem nenhum sentido do ponto de vista sanitário”, enfatizou.

Apesar do discurso, o chefe da Anvisa reconheceu, durante o depoimento, que cometeu um erro ao participar, em 15 de março de 2020, ao lado de Bolsonaro, de uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto. À época, ele foi fotografado sem máscara, enquanto o chefe do governo cumprimentava apoiadores em uma aglomeração. Questionado sobre o assunto pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), ele disse que, se tivesse pensado por cinco minutos, não teria ido ao local naquele momento.

O depoente afirmou, ainda, que não foi ao Planalto para a manifestação, mas para encontrar o presidente. Quando chegou, conforme disse, o ato já estava acontecendo. “Tenho plena ciência de que, se pensasse mais cinco minutos, não teria feito. O assunto (do encontro com o presidente) não necessitava de urgência para ser tratado. Foi um momento em que não refleti na imagem negativa que isso passaria, e, depois disso, nunca mais houve esse tipo de comportamento meu.”

O presidente da Anvisa também justificou o motivo de não ter usado máscara no evento. “Naquela época, o que preconizava o Ministério da Saúde é que máscaras deveriam ser usadas por profissionais de saúde, cuidadores de idosos, mães amamentando e pessoas diagnosticadas com covid. Não havia consenso do uso por parte da população”, argumentou. Segundo ele, “a própria OMS (Organização Mundial da Saúde), um pouco antes, colocou dúvida quanto à eficácia (da máscara)”. “Isso foi um processo que evoluiu e, hoje, ninguém mais tem dúvida sobre a importância do uso.”

O médico acrescentou que, apesar da amizade que tem com Bolsonaro, pensa diferente do presidente no que diz respeito ao distanciamento social e às determinações da ciência. “As manifestações que faço tem sido todas no sentido do que a ciência determina”, destacou. “Na última live em que participei com o presidente, permaneci de máscara, o que foi comentado pela imprensa até de forma elogiosa. São formas diferentes (de pensar) de pessoas diferentes”, afirmou.

Ofendido

Em outro momento do depoimento, Torres relatou que “se sentiu ofendido” com críticas feitas pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), ao trabalho da agência. Em fevereiro, o parlamentar disse que iria “enquadrar a Anvisa” por considerar exageradas as exigências para a aprovação de vacinas contra a covid-19. Na ocasião, afirmou que os diretores da agência “não estavam nem aí para a pandemia”. “Recebi muito mal (a declaração). Não só eu, os servidores da Casa se sentiram profundamente ofendidos por essa declaração. Primeiro, porque ela não é verdadeira. Pessoas que trabalham na Anvisa abriram mão de tudo o que um ser humano pode abrir mão. Já abriram mão de família, tempo livre, final de semana, noite de sono; e ouvir de uma autoridade do cenário político nacional que ‘não estamos nem aí’ foi muito ruim. Eu não sou capaz de qualificar o quanto foi ruim.” (JV, RS e LC)

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‘CPI mostra que governo colocou a ideologia acima da ciência’, diz Eliziane Gama

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Embora não seja integrante da CPI, Eliziane liderou reação à tentativa de aliados do governo de romper o acordo que garantiu às mulheres o direito de se manifestar nas reuniões

(crédito: Geraldo Magela/Agencia Senado)

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) avalia que a CPI da Covid já obteve informações comprometedoras para o governo Jair Bolsonaro. “Tentar mudar uma bula é, no meu entendimento, algo criminoso”, disse ela ao Estadão. Embora não seja integrante da CPI, Eliziane liderou reação à tentativa de aliados do governo de romper o acordo que garantiu às mulheres o direito de se manifestar nas reuniões.
Qual caminho a sra. vê para a CPI da Covid?
A gente começa a constatar de forma mais real, com os depoimentos, o que vínhamos percebendo na postura do presidente, que é colocar questões ideológicas e políticas acima das questões científicas e técnicas. Vimos isso nos depoimentos do (Nelson) Teich e do (Luiz Henrique) Mandetta (ex-ministros da Saúde). E, quando conversamos com (o atual titular da pasta, Marcelo) Queiroga, nós o vemos liso, tenso, com medo de desagradar ao presidente, de falar o que realmente pensa.
O que classifica como mais grave, nos depoimentos, até aqui?
Colocar as questões ideológicas acima da ciência. Isso significa vidas perdidas. Tentar, por exemplo, mudar uma bula, criar um protocolo à revelia das orientações da ciência é, no meu entendimento, algo criminoso.
O que espera da investigação sobre a compra de vacinas?
Se foi feita alguma ação condicionada do governo com relação a esse contrato, é muito clara a responsabilidade do governo no que estamos vivenciando hoje. Temos mais de 410 mil mortes. O governo pode ter grande parcela de culpa com relação a essas mortes.
Que pontos o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello deve esclarecer no depoimento?
Foi no momento dele que tivemos quase 4 mil mortes por dia, que tivemos o pedido de oxigênio para Manaus e o envio de cloroquina. A presença dele é muito importante. Ele sabe o que pode surgir lá e está criando todas as formas de impedir.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Presidente da Anvisa vê problemas na entrega de insumos para vacinas

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Barra Torres afirmou à CPI da Covid que há “problemas pontuais” de demora de entrega de IFA para Coronavac e para AstraZeneca, que também recebe insumos vindos da China

Diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres na CPI da Covid (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, confirmou nesta terça-feira, 11, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, que há dificuldades no recebimento de insumos para produção das vacinas contra covid-19 no Brasil. Ele não comentou, no entanto, se os problemas estão relacionados a falas do presidente Jair Bolsonaro em relação a países produtores, como a China.
O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), perguntou se há problemas com “medicamentos, vacinas, insumos, equipamentos ou outros produtos de origem chinesa submetidos à Anvisa”, ao que Barra Torres respondeu que “sim”, sem citar os motivos. Ele afirmou que há “problemas pontuais” de demora de entrega de IFA para Coronavac e para AstraZeneca, que também recebe insumos vindos da China.

“De fato, durante o transcurso da pandemia, observamos essas dificuldades. Momentos em que o IFA demora um pouco mais a chegar ou chega um pouco depois, e vem realmente desses dois países [China e Índia]. O impacto deles na produção de medicamentos, praticamente no mundo todo, é imenso”

Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa

O presidente da Anvisa, entretanto, não associa as dificuldades na aquisição de insumos às falas de Bolsonaro ou de pessoas próximas a ele. “Não tenho informação do nexo causal”, respondeu, quando perguntado se os problemas foram criados por declarações do presidente, de seus filhos ou do ex-chanceler Ernesto Araújo.

Calheiros citou a situação mais recente, quando o presidente insinuou que os chineses teriam fabricado o vírus como arma para uma guerra química. “A declaração mais recente é da semana passada e já causou obstáculos ao envio de insumos para a produção da vacina do Instituto Butantan, o que interrompeu a produção do nosso principal imunizante”, apontou o relator.

Barra Torres também negou que existam dados que sugiram que os produtos de origem chinesa submetidos à avaliação da Anvisa recebem proporcionalmente mais avaliações negativas do que produtos oriundos de outros países. “Não procede. Não existem dados que demonstrem isso”, garantiu.

 

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PSD mira 2022 afastado de Bolsonaro

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Apesar de representada na Esplanada dos Ministérios, a legenda prega “independência” ao Palácio do Planalto

O ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab durante a solenidade de entrega da Ordem Nacional do Mérito Científico. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Na prática, o recado é de que o PSD dificilmente vai compor uma chapa com Bolsonaro, que ainda não definiu por qual sigla pretende concorrer. Dirigentes da legenda têm o discurso de que a melhor solução para o País passa por uma terceira via entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, conversam com o petista, que se encontrou com Kassab em Brasília nos últimos dias. Ao mesmo tempo, segue no Ministério das Comunicações de Bolsonaro, com Fábio Faria (PSD).

Além de Maia, Paes deve carregar para o PSD outros deputados federais que têm sua base política no Rio, como Pedro Paulo (DEM) e Marcelo Calero (Cidadania), hoje secretários da prefeitura carioca. Vereadores da capital fluminense, incluindo o ex-prefeito e pai de Rodrigo, César Maia (DEM), e o presidente do Legislativo local, Carlo Caiado (DEM), também devem mudar.

Mirando a eleição no Rio do ano que vem, há ainda a provável filiação do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, favorito de Paes para concorrer a governador. A ideia é que o prefeito tenha poder para decidir os rumos do partido no Estado. O Rio passará a ser a maior cidade brasileira comandada pela sigla. Tomará o posto de Belo Horizonte, do prefeito Alexandre Kalil. Com isso, o PSD terá o comando das capitais do segundo e do terceiro maior colégios eleitorais do País, atrás apenas de São Paulo, o que representa importantes palanques para candidatos que almejam o Planalto.

Aliança

As conversas no Rio incluem a construção de uma candidatura única de oposição ao governador Cláudio Castro (PSC), aliado de Bolsonaro. No desenho da aliança em discussão, o candidato a governador poderia receber no palanque mais de um presidenciável contrário ao atual presidente.

A postura de Paes em relação ao cenário nacional dá o tom do estado de espírito do PSD neste momento. Ele diz que seu candidato favorito à Presidência é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, hoje um obstáculo aos planos do governador paulista, João Doria, no PSDB. O prefeito, no entanto, não descarta Lula e outros nomes da terceira via. “Vejo com muita simpatia a candidatura do Lula. Não me parece um movimento simples um eventual apoio no primeiro turno à candidatura, mas é bom nome. Tem demonstrado maturidade na construção de consenso”, disse ele ao Estadão/Broadcast.

Para parlamentares do PSD mais alinhados ao governo, porém, a entrada de Paes e aliados no partido não significa um distanciamento automático do Planalto. O deputado Francisco Jr. (PSD-GO) defendeu cautela no diálogo sobre eleições. “O partido respeita muito a posição de cada deputado, mas na ampla maioria temos votado praticamente tudo alinhado com o governo”, disse Francisco Jr.

O deputado Edilázio (PSD-MA) lembrou que a sigla tem “extremos”, que vão do senador Otto Alencar (BA) – que faz oposição – ao bolsonarista Delegado Éder Mauro (PA). “Politicamente, não me afeta em nada o Paes ir para o partido”, disse.

A saída de quadros do DEM se dá após o atrito interno entre Maia e o presidente do partido, ACM Neto. No Rio, a sigla de Kassab não tem representantes de expressão nacional, o que permite a novos filiados exercer um protagonismo local. A estrutura partidária é considerável: em 2020, foi a quinta legenda que mais recebeu verba do fundo eleitoral.

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CPI da Covid: Anvisa, Pfizer e Wajngarten prestam depoimentos esta semana

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Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, deverá ser ouvido sobre negociações com a Pfizer; diretor da Anvisa depõe sobre veto à vacina russa

Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, deverá depor nessa quarta, dia 12 (Carolina Antunes/PR/Flickr)

No momento em que o Brasil ultrapassa o patamar de 422 mil mortos pelo coronavírus, a CPI da Covid segue nesta semana com depoimentos de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, de Antônio Barra Torres, presidente-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de Ernesto Araújo, ex-ministro de Relações Exteriores, e do presidente da Pfizer no Brasil. O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, deve depor no dia 19.

Na terça-feira, dia 11, a comissão irá ouvir Antônio Barra Torres, presidente-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que deverá ser inquerido sobre o processo que levou ao veto do uso da vacina russa Sputnik V no Brasil.

O foco das atenções, no entanto, estará no depoimento de Wajngarten, que fala à CPI na quarta, 12. O ex-secretário de Comunicação deve responder especialmente sobre as negociações com a farmacêutica Pfizer para a aquisição de vacinas contra o coronavírus.

Em entrevista à revista Veja, ele afirmou que o Ministério da Saúde agiu com “incompetência” e “ineficiência” durante as tratativas com a farmacêutica, que ofereceu 70 milhões de doses ao governo no ano passado, mas, como integrante do governo na ocasião, deve ser pressionado pelos parlamentares a apresentar nomes e credenciais sobre as causas da demora em adquirir vacinas.

O comando da CPI já pediu a quebra do sigilo telefônico de Wajngarten a fim de esclarecer o imbróglio em torno da compra de vacinas. Na quinta-feira, 13, a própira Pfizer apresentará sua argumentação.

Na quinta-feira, dia 13, será a vez de Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, prestar esclarecimentos à CPI da Covid, seguido por Eduardo Pazuello e Mayra Pinheiro, no dia 20, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, conhecida como “capitã cloquorina” por sua defesa do uso do medicamento, sem comprovação científica, no tratamento do coronavírus.

Pazuello alegou uma suspeita de sintomas da Covid-19 para não se apresentar diante da CPI da Covid no último dia 5. O depoimento então foi reagendado para o dia 19. As explicações do general sobre a crise em Manaus e a condução da pandemia em um de seus momentos mais críticos, no início deste ano, estão entre os momentos mais aguardados da CPI.

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Alvo da CPI da Covid, Ernesto Araújo avalia candidatura a deputado federal

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Ex-chanceler fez críticas recentes ao governo, mas aliados descartam rompimento com Bolsonaro

O Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araujo, observa durante cerimônia no Palácio do Planalto em Brasília, Brasil, 9 de novembro de 2020. (Adriano Machado/Reuters)

Próximo alvo da CPI da Covid, o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo avalia concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados no ano que vem ou, enquanto a eleição não se aproxima, pleitear um posto diplomático no exterior. Ele perdeu o cargo há pouco mais de um mês, após entrar em atrito com senadores — cabe ao Senado aprovar o nome de embaixadores, o que deve atrapalhar parte dos planos do ex-chanceler.

Ernesto, que está lotado na secretaria de gestão administrativa do Itamaraty, tem usado o Twitter e seu blog para fazer uma defesa da própria gestão, negando ter atrapalhado a compra de vacinas ao se insurgir contra a China, fabricante de insumos e imunizantes — tema que será investigado pela comissão. No início do mês, no entanto, fez críticas ao governo federal, descrito por ele como uma gestão “sem alma”. Segundo interlocutores, o novo chanceler, Carlos França, não o repreendeu em função da proximidade de Ernesto com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Um dos caminhos cogitados pelo ex-chanceler é assumir uma candidatura a deputado federal no Rio Grande do Sul ou no Distrito Federal. O deputado federal Luiz Philippe Bragança (PSL-SP) diz concordar com a avaliação de Ernesto de que o governo se tornou “pragmático”, mas afirma que não vê a possibilidade do ex-ministro ser candidato fazendo oposição a Bolsonaro:

— De jeito nenhum. Não tem outro candidato da direita com popularidade. Quem tiver do nosso lado, só tem o Jair. O plano do governo é bom, mas o governo ficou impossibilitado de aplicá-lo.

Uma deputada bolsonarista, que preferiu não se identificar, diz que a princípio apoia uma candidatura de Ernesto, mas demonstrou receio com a possibilidade de o ex-ministro criticar o governo na CPI da Covid .

Na quinta-feira passada, Bolsonaro fez um aceno a Ernesto e ressaltou a participação dele nas negociações com o governo russo para libertar o ex-motorista Robson Oliveira — que ficou preso no país após ser flagrado com medicamentos que são vendidos no Brasil, mas ilegais na Rússia.

Dentro da base bolsonarista, Ernesto continua popular. Um levantamento feito pela Arquimedes, a pedido do GLOBO, mostrou que 58% das menções ao ex-ministro na última semana foram de perfis que apoiam o governo e se manifestaram em tom de defesa a ele. Os bolsonaristas críticos a Ernesto foram responsáveis por apenas 5% das menções.

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Hoje é

sexta-feira, 14 de maio de 2021

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