A Polícia Federal identificou uma fraude complexa envolvendo empréstimos, fundos de investimento e ativos com baixa liquidez para inflar o patrimônio do Banco Master, esconder a origem do dinheiro e distribuir recursos para laranjas.
O esquema começava com empréstimos do Master a empresas controladas por pessoas ligadas ao banco. Essas empresas investiam os recursos em fundos da Reag, instituição financeira ligada a João Carlos Mansur, presidente e sócio-fundador até recentemente, que está entre os investigados na operação Compliance Zero e cujo banco foi liquidado pelo Banco Central.
A Reag também é suspeita de conexão com o crime organizado, grupo PCC, o que foi negado pela empresa.
O Banco Central identificou seis fundos da Reag que teriam sido usados para esse esquema, cujos donos seriam laranjas do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
A defesa de João Carlos Mansur informou que não teve acesso à investigação, mas está disponível para esclarecimentos.
Como o dinheiro foi movimentado:
- Empréstimos: O Master liberava crédito para empresas aparentemente independentes, que, na verdade, eram controladas por pessoas envolvidas no esquema.
- Investimento em fundos: Essas empresas aplicavam o dinheiro nos fundos da Reag para transferir os recursos do banco para o mercado de capitais.
- Aparência legal: Nos sistemas do Banco Central, os empréstimos pareciam regulares, dificultando a identificação de irregularidades.
- Compra de ativos sem liquidez: Os fundos compravam ativos com pouco valor real por preços elevados, inflando o patrimônio.
- Lucro para vendedores: Essa prática permitia a movimentação rápida e grande volume de dinheiro.
- Distribuição do dinheiro: O dinheiro era reinvestido em outros fundos para dificultar o rastreamento, até chegar a laranjas ligados a Daniel Vorcaro.
Segundo os investigadores, o esquema não tinha finalidade econômica legítima e era usado para ocultar a origem e o beneficiário final dos recursos.
