Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição deste domingo, diversos empresários foram incluídos em listas que circulam nas redes sociais incentivando boicotes contra eles, principalmente nas cidades de São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além de algumas do interior de São Paulo e Minas Gerais.
Alguns empresários relataram ameaças e mensagens agressivas, além do medo de perder clientes. Muitos foram listados mesmo sem declarar publicamente sua preferência eleitoral. Em alguns casos, a divulgação das listas gerou também manifestações de apoio.
Alexandre Martins Fontes, dono da livraria Martins Fontes em São Paulo, afirmou que continuará apoiando publicamente candidatos nas eleições apesar das ameaças. Ele disse respeitar a decisão dos clientes, assim como espera respeito pela sua posição política, que é a favor de Lula.
Para Alexandre Martins Fontes, apoiar um candidato é um exercício de liberdade de expressão. A livraria representa diferentes correntes ideológicas, comercializando livros de autores de direita e esquerda, e a decisão de apoio está relacionada à defesa da educação, cultura e leitura.
Em cidades menores, a situação é diferente. Paula Ramos, empresária de beleza em Ourinhos, foi colocada na lista mesmo sem ter declarado seu voto, o que a deixou preocupada, porque não quis manifestar sua preferência para respeitar clientes com diferentes ideologias.
Ela lamenta ser vista como criminosa por estar na lista, e conta que essa repercussão inesperada também trouxe apoio e novos clientes. Paula enfatiza a importância do respeito entre as pessoas para evitar conflitos.
Francisco Meghelli, dono do grupo Meghelli em Serrana, esperava ser incluído na lista por ter manifestado seu posicionamento político. Após ter divulgado um vídeo sobre o assunto, recebeu relatos de clientes que deixariam de comprar com ele, mas ainda não viu prejuízos financeiros concretos.
Ele anunciou que pretende registrar boletim de ocorrência e buscar indenização, pois a campanha de boicote pode afetar principalmente pequenos negócios, que dependem muito do movimento de clientes. Relatou o caso de funcionários e clientes que sofreram ataques verbais depois da divulgação das listas.
Em Curitiba, um estabelecimento vegano com decoração política disse que o boicote não tem afetado muito o negócio, mas já sofreu ataques com avaliações negativas online. Eles informaram que grupos que compartilhavam mensagens agressivas foram excluídos após denúncias.
Uma farmácia no interior de Mato Grosso teve seu nome incluído pela segunda vez em listas que incentivam o boicote, mesmo sem manifestações públicas sobre política. A proprietária se emocionou, temendo que isso prejudique os trabalhadores e o estabelecimento.
Ela também relatou que mensagens ofensivas contra nordestinos circulam nos grupos, e pessoas envolvidas estão juntando provas para denunciar possíveis crimes de ódio.
Em 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou duas pessoas que criaram listas de boicote contra comerciantes em Cafelândia, interior paulista, que sofreram constrangimentos e prejuízos. Os condenados devem pagar indenizações e respondem pelo crime de perseguição.
Esse caso mostra os riscos e consequências legais que podem surgir com a criação e circulação dessas listas que incentivam boicotes e ameaças contra empresários por suas escolhas políticas.


