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Brasil

Empresário condenado por tráfico do PCC usou esquema de troca de dinheiro em São Paulo, diz promotoria

Foto: Polícia Civil de São Paulo

ROGÉRIO PAGNAN E TULIO KRUSE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O empresário Eduardo Moreno Lopes foi apontado como líder de um esquema onde dinheiro em espécie era trocado por transferências bancárias, em um serviço conhecido entre os envolvidos como “compra de dinheiro”. Ele fez depósitos a empresas ligadas a Ygor Daniel Zago, conhecido como Hulk, que já foi condenado por tráfico internacional de drogas e é suspeito de fazer parte da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Segundo um relatório policial e uma denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), evidências dessas transações foram encontradas no celular de Manoel Sérgio Sanches, dono de uma loja de carros de luxo que atuava como intermediário no esquema. Sanches se entregou à polícia em dezembro, está preso e responde por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A denúncia do MP-SP, feita no final de agosto, revela que empresários recebiam grandes quantias em dinheiro vivo e realizavam transferências bancárias em troca, em um esquema clandestino.

O escritório TFV Advogados, que defende Eduardo Lopes, afirma que ele rejeita todas as acusações e que a denúncia foi baseada em uma investigação incompleta. A defesa também informou que Lopes tentou prestar depoimento quatro vezes, mas a denúncia foi feita sem ouvi-lo. Atualmente, ele tem prisão decretada e é considerado foragido.

De acordo com a denúncia, Lopes transferiu cerca de R$ 900 mil para contas bancárias de duas empresas indicadas por Zago. Essas transferências ocorreram em quatro momentos ao longo de 35 dias e as empresas já haviam sido mencionadas em investigações anteriores da Polícia Federal.

O relatório detalha que as ordens e comprovantes das transações estavam registrados em conversas entre os envolvidos, mostrando o processo das ordens sendo dadas por Zago, repassadas por Sanches e executadas por Lopes.

Relatórios indicam que Zago é suspeito de liderar uma quadrilha que adulterava combustíveis e já foi condenado a 29 anos de prisão por tráfico internacional de drogas em um esquema no Porto de Santos. Ele foi preso em Portugal em novembro do ano passado, mas liberado em maio deste ano. Atualmente, cumpre medidas cautelares sob supervisão da Justiça.

Por telefone, Zago negou qualquer relação com Lopes e afirmou desconhecer a investigação até ser contatado pela reportagem. Ele também mencionou sofrer perseguição desde 2008, após denunciar policiais corruptos, o que, segundo ele, motiva as acusações contra ele.

O advogado de Zago afirmou que ele nunca fez parte de organização criminosa. A defesa de Sanches não respondeu até a publicação da reportagem.

As mesmas empresas usadas por Lopes para os pagamentos foram mencionadas na Operação Falsa Las Vegas, que resultou na denúncia contra ele por crime organizado e lavagem de dinheiro. Embora não fosse sócio das empresas, ele controlava suas contas bancárias, segundo a polícia.

As transferências, muitas delas feitas poucas horas após o envio dos dados bancários via aplicativo, incluíam comissões que variavam de 1,5% a 4%. A origem do dinheiro estaria ligada ao tráfico de drogas, exploração de jogos de azar e outros crimes na região metropolitana de São Paulo.

Lopes teve sua prisão decretada e é considerado foragido, enquanto Zago responde pelos processos em liberdade monitorada, podendo participar de audiências por videoconferência.

A condenação de Zago se baseia na Operação Hulk, que apreendeu 3,7 toneladas de cocaína no Porto de Santos entre 2013 e 2014. Sua defesa conseguiu uma decisão para que ele respondesse o processo em liberdade até a conclusão do caso.

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