A empresária e servidora comissionada Fabiana Ribeiro Guimarães gerou polêmica após realizar ataques a beneficiários do programa Bolsa Família e fazer declarações xenofóbicas contra pessoas da Bahia em suas redes sociais. Fabiana é sócia investidora minoritária de uma loja de grife no Lago Sul, situação que fez com que a marca se manifestasse publicamente para se distanciar das falas da empresária.
A loja LAGO divulgou nota oficial repudiando as declarações e esclarecendo que Fabiana não atua na gestão da empresa, ressaltando que as opiniões expressas são de caráter pessoal e não refletem os valores da marca ou de seus fundadores. A empresa reafirmou seu compromisso contra qualquer tipo de preconceito ou discriminação.
Fabiana ocupa cargo de direção na Diretoria de Tecnologia e Inovação do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU), com salário mensal aproximado de R$ 15 mil. Nas redes sociais, adotou tom provocativo ao criticar apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e usuários de auxílios governamentais.
Em um dos seus stories, manifestou: “Serei sempre a patricinha, empresária e trabalhadora contra o PT. Vocês não me representam! Quero que vocês sofram tudo o que merecem. Eu sou foda e sempre serei. O meu está garantido. E você, que depende de Bolsa Família e acha que ganhar R$ 5 mil é muito dinheiro, sofra.”
O caso chamou atenção também pelas possíveis irregularidades envolvendo a atuação simultânea em cargo público e sociedade privada, o que pode configurar conflito de interesses. Especialistas destacam que tais condutas violam princípios legais que regulam a administração pública, além de possíveis incompatibilidades com carga horária, já que o cargo exige dedicação integral.
O SLU afirmou que as manifestações ocorreram em perfil pessoal e não representam o posicionamento oficial do órgão ou do Governo do Distrito Federal (GDF). A autarquia reforçou seu compromisso com o respeito, a diversidade e a convivência harmoniosa entre as pessoas.
Após ampla repercussão negativa, Fabiana utilizou suas redes sociais fechadas para pedir desculpas. Reconheceu que suas palavras foram impulsivas e que não refletem seus valores pessoais. Assumiu responsabilidade pelas declarações e prometeu agir com mais equilíbrio e respeito.
O deputado distrital Gabriel Magno (PT) formalizou pedidos de investigação junto à Polícia Civil, Ministério Público e ao SLU, alegando que as manifestações podem configurar crimes de racismo, xenofobia e apologia ao extermínio. Solicitou ainda o afastamento imediato da servidora de suas funções e a abertura de procedimento disciplinar.
Em nova nota, o SLU comunicou a abertura de processo para avaliação preliminar do caso pela Unidade de Auditoria Interna, buscando verificar a necessidade de providências administrativas para preservar a integridade e a ética da administração pública.

